Não é sobre escolher vacina. É sobre gostar da marca

A cena é corriqueira. A pessoa fica horas na fila do posto de saúde, na UBS ou no drive-thru da vacina. Chega perto e pergunta de qual é o fabricante que é oferecido. Se não for da Johnson ou da Pfizer, muita gente dá a volta. As duas outras vacinas que estão sendo inoculadas nas pessoas contra a Covid19 são de fabricantes desconhecidos dos brasileiros. Coronavac, da China, e AstraZeneca, uma companhia anglo-sueca. As duas últimas, completas desconhecidas por aqui.

O que se vê, antes que se caia em um debate ideológico sobre a origem desta ou daquela vacina, é que as pessoas – em geral – dão muita bola para as marcas. As pessoas valorizam as marcas com as quais já estão acostumadas. Quando ocorre a escolha da vacina – e as pessoas podem, sim, escolher o que colocam dentro do corpo – é uma volta no tempo e uma consulta rápida ao arquivo de tudo de bom que a marca já trouxe para a vida da pessoa.

A Johnson & Johnson é dona da vacina da Janssen. A J&J acompanha as crianças desde cedo, pois ela fabrica o óleo, o xampu (o olho não arde), o bandeide, a Hipoglós. A J&J também é dona do Listerine, do OB, do Sundown e do Tylenol. A empresa tem 140 anos.

A Johnson & Jonhson faz um monte de coisa boa. Logo, sua vacina também deve ser boa.

Há vinte anos, a Pfizer produz o Viagra, um remédio para impotência sexual masculina. O produto fez uma verdadeira revolução nos costumes aumentando a “vida útil” das funcionalidades do homem.

Claro, a Pfizer não nasceu com o Viagra. Ela existe há quase dois séculos e está presente no Brasil há 70 anos. Ela produz mais 100 tipos de medicamentos para vários tipos de doenças.

Pfizer e Johnson. Duas marcas importantes que fornecem vacinas contra uma doença mortal e assustadora.

As outras duas vacinas oferecidas no Brasil são de laboratórios cujas marcas são desconhecidas. O nome Coronavac, da China, começou a ser ouvido no final do ano passado. AstraZeneca, uma companhia meio sueca, meio inglesa, também. Ambas desconhecidas do cotidiano do brasileiro comum.

O brasileiro comum conhece a Johnson e a Pfizer.

Por isso ele escolhe a vacina. Pela marca.

Ah… a vacina não é de graça, apesar de ninguém pagar nada por ela na hora da aplicação. Ela custa algo em torno de R$ 60,00 a dose. Some-se isto toda a infraestrutura e a logística para fazer chegar até o braço do brasileiro. Ela custa muito dos impostos que são pagos por cada um dos consumidores do país. (Miguelito Medeiros, consultor de marketing, comunicação e política)

Longa vida aos materiais impressos

Apesar de tudo o que se fala sobre o poder da informação digital, aquela que está disponível na palma da mão pelas redes sociais, a impressão das ideias em papel ainda tem muita vida pela frente.

“O impresso vai deixar de existir”, dizem alguns especialistas em comunicação. Frase ouvida especialmente quando relacionada a algum anúncio de fechamento de jornal ou revista.

Ao mesmo tempo, com a chamada “infodemia”, a overdose de informações que chegam pela internet, os editoriais impressos ganham importância. Não, eles não serão mais baratos ou até mesmo começam a ter novas formas de serem financiados.

O certo é que os materiais impressos, como jornais, revistas, periódicos, ou mesmo os catálogos, fôlderes e publicações de empresas ou de entidades vão continuar existindo. E, alguns, voltando após uma parada “estratégica” – geralmente resultado de alguma ação de redirecionamento das verbas de marketing – de uma forma mais modernizada.

Materiais impressos são perfeitos para quem quer se diferenciar o mar de informação digital. A comunicação em papel passa a ter um novo formato e uma nova importância para comunicar as ideias.

Ela vai direto em quem decide.

E esta situação, onde aumenta o interesse de empresas de todos os tamanhos de fixarem sua marca em papel impresso, tem animado a indústria gráfica brasileira. A Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) é bastante otimista em seus relatórios, pesquisas e matérias produzidos nos últimos doze meses.

Mesmo com o contexto da pandemia do Covid19, o setor gráfico brasileiro espera uma retomada grande do seu faturamento em 2021.

O líder da Abigraf justifica o clima de otimismo com as reformas políticas que o Congresso Nacional deve promover neste 2021. Levi Ceregato acredita que a indústria gráfica conseguiu se modernizar e se reposicionar para atender aos clientes, mesmo no contexto da feroz concorrência com a internet.

“Estamos preparados para crescer e temos criatividade e poder de inovação para isso”, diz o líder da indústria gráfica brasileira. Ceregato ainda chama a atenção para o fato de que 68% das empresas do setor tinham, na virada de 20 para 21, algum tipo de ociosidade em suas áreas de produção.

Na circulação de jornais impressos diários, também há um cenário interessante. Há três anos vem se registrando uma estabilização na queda das tiragens médias de vários periódicos brasileiros.

Sim. Houve um movimento de fechamento de dezenas de revistas e jornais importantes. Alguns foram para a internet. Outros deixaram de existir mesmo. Simples assim.

Os jornais que ficaram ainda mantêm tiragens importantes e se mantêm como fontes de informação para os formadores de opinião. Empresários, políticos, funcionários públicos graduados e professores ainda gostam de ler e manusear jornais e revistas. Os números variam muito, com muitas empresas misturando os números das assinaturas eletrônicas com as assinaturas impressas. Por isso é preferível não colocar aqui os volumes das médias diárias.

Interessante resposta do presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Marcelo Rech, a uma pergunta da jornalista Bárbara Sacchitielo, de Meio & Mensagem (confira aqui).

As versões impressas seguirão existindo enquanto houver leitores dispostos a pagar pela conveniência e sensações proporcionadas pelas assinaturas e exemplares em papel. Embora cada jornal defina sua própria estratégia, de acordo com o ecossistema social, cultural e econômico a que se dirige, a tendência é o uso conjugado de diferentes plataformas e linguagens para se alcançar e engajar o maior número de leitores. A complementaridade é a palavra de ordem que veio para ficar, e se define pela combinação de conteúdos e diferentes formas de distribuição sob uma mesma marca. Até porque lidam com a disrupção desde os primórdios da revolução digital, jornais estão na vanguarda do domínio e aplicação dos conceitos de conteúdos e linguagens complementares. Estimular a migração digital pode ser positivo para um jornal, mas não para outro. A fórmula tem de ser definida de acordo com cada timing e características de mercado.

O importante é saber que, depois de uma queda brutal a partir de 2014, as médias diárias dos principais jornais brasileiros – em suas versões impressas – têm se mantido estáveis desde 2019. Aliás, 2019 foi um ano onde a média de queda da impressão dos dez maiores jornais brasileiros chegou a 29%. Depois veio a estabilidade.

Ideias colocadas no papel são bem recebidas pelo público. Ainda mais no momento em que há uma enxurrada de informações pela internet. Entrando pelos computadores e pelos telefones celulares.

O material impresso é portátil e tangível. Fica à disposição por mais tempo e não precisa de nenhum aparelho para ser lido e apreciados. E ainda pode estar pronto para ser lido depois de meses sobre um móvel nas residências e nos escritórios. (Miguelito Medeiros, consultor de marketing)

ESG. Você ainda vai se preocupar com essa sigla

ESG. Sigla para Environmental, Social and Governance. As três letras significam que as empresas precisam ter responsabilidades ambientais, sociais e de governança. Na área ambiental, é fundamental que haja equilíbrio e sustentabilidade com o ambiente natural onde ela esteja instalada. Na parte social, a esperança é que a companhia trabalhe com respeito às pessoas, com diversidade em todos os níveis e com bom relacionamento junto às comunidades. Na parte da governança, o cuidado com as boas práticas de gestão e respeito às leis são fundamentais para um bom relacionamento com os interessados na empresa. Desde acionistas até consumidores finais. Com boa governança, fazer relacionamento com os governos municipais, estaduais e nacional fica mais fácil e transparente.

O termo ESG surgiu pela primeira vez no segundo semestre de 2004, quando a Organização das Nações Unidas propôs a agenda da iniciativa Who Cares Win – Connecting Financial Markets to a Changing World. A iniciativa, traduzida mais ou menos como Quem se Importa Vence – Conectando mercados financeiros para a mudança no mundo, surgiu como uma atualização dos termos que trabalhavam as responsabilidades ambientais e sociais. Foram reunidas instituições financeiras de nove países. O Brasil foi representado pelo Banco do Brasil.

Nos últimos 17 anos, o termo foi sendo cada vez mais absorvido pelo ambiente corporativo em todos os principais mercados globais. As grandes empresas estão buscando se enquadrar nos conceitos, especialmente porque os mercados consumidores estão cada vez mais exigentes. E, cada vez mais, buscando comprar de quem cuida do social, do ambiental e da boa governança.

Para se manter no mercado, para vender mais e participar das cadeias globais de valor, dos mercados internacionais, as companhias vão precisar – de maneira crescente e contínua – se enquadrar no conceito ESG. Quem não fizer isso, vai ter muita dificuldade nos negócios. (Miguelito Medeiros)

Pandemia provoca revisão do conceito de “sede própria” para as empresas

Tem coisas que a pandemia trouxe e que vão ficar. Não são apenas tendência e já viraram realidade no mundo dos negócios e do empreendedorismo. Há uns cinco anos, era consenso de que ter o imóvel próprio para a empresa era sinal de prosperidade e até uma certa ostentação. Plaquinhas de “Sede Própria” ainda são vistas em muitas sedes. Quando maior e mais robusta a construção, melhor era a empresa.

E veio a pandemia do Covid-19 e com ela o trabalho remoto, o trabalho em casa, o home-office. O #ficaemcasa desocupou um universo incrível de imóveis comerciais e de serviços ao redor do mundo. Aqui no Brasil, todas as grandes cidades apresentam inúmeros imóveis destinados ao comércio e aos serviços completamente vazios. Muitos com variadas e desbotadas placas de vende-se ou aluga-se.

O vírus trouxe a realidade do trabalho remoto e a diminuição da necessidade de grandes estruturas físicas. Uma grande sede não é mais algo tão importante para boa parte das atividades econômicas.

Grandes escritórios já vinham se tornando coisa do passado, mas ainda resistiam bastante. Mas o contexto da pandemia foi a pá de cal para essa “necessidade”.

Agora, ainda que a Covid esteja ativa em todo mundo, muito empreendedor, dono de negócio, empresário, tem se dado conta de que o trabalho em casa pode ser bom para todos. E tem um fator importante depois que tudo estiver decantado no ambiente do #ficaemcasa: o custo com a manutenção de prédios. Sim. Grandes prédios geram custos que podem ser usados para o marketing e até para implementar a produção.

Algo que há até pouco tempo era tão importante, como ter um grande prédio como sede própria, agora pode um outro destino. O dinheiro investido no imobilizado e depois a despesa em mantê-lo bonito e funcional, agora sendo destinados para o core business. O foco do negócio. E tem muita gente que se ajustou a essa nova realidade e está se saindo muito bem.

No dia do Jornalista e da Saúde, Amrigs lança prêmio de Jornalismo

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) lançou nesta quarta-feira, dia 7 de abril, Dia do Jornalista e também o Dia da Saúde, a sua edição 2021 do Prêmio Amrigs de Jornalismo. O prêmio tem abrangência nacional e será entregue no final do mês de outubro, quando a associação completa 70 anos de fundação.

O Prêmio Amrigs de Jornalismo faz parte das comemorações dos 70 anos da Amrigs e dos 50 anos da Prova AMB/Amrigs.

Também foi lançado nesta quarta-feira o Prêmio Amrigs de Boas Práticas na Medicina, que vai reconhecer as grandes iniciativas para melhorar o atendimento de quem mais precisa do acesso à saúde.

Nota do Miguelito Medeiros

É com muita alegria que participo do lançamento do Prêmio Amrigs de Jornalismo neste Dia do Jornalista. É uma homenagem a este tipo especial de ser humano que busca contar a história dia após dia.

Gosto de poder ajudar a fazer ações que aproximem os jornalistas da sociedade. Foi assim lá em 2012, quando foi lançado o Prêmio Adpergs de Jornalismo – que está em sua 7ª. edição – junto com o René Klemm e a Patrícia Kettermann.

Agora, com a parceria da Luciana Corso, do Marcelo Matusiak, da Ana Carolina Lopes, do João Pedro Neto e do Rafael Nicacio de Azeredo, sob a liderança do Dr. Gerson Junqueira Jr., estamos revivendo o Prêmio da Amrigs. Já havia tido três edições há mais de dez anos e foi descontinuado. Agora estamos retomando, com muita força e abrangência.

Fazer um prêmio de jornalismo que dure, que seja perene, não é tarefa fácil. É preciso envolver muita gente, convencer, conectar, divulgar e dar importância.

O resultado, no entanto, é maravilhoso.

Jornalistas, participem do Prêmio Amrigs de Jornalismo 2021. Pauta sobre a saúde é o que não falta.

Vitória da sensatez

A segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) prestou um grande serviço à imagem da instituição neste final de semana. Um desembargador de plantão cassou a liminar, concedida na sexta-feira, que impunha um fechamento completo de toda atividade comercial no Rio Grande do Sul. Com o argumento de que fechando tudo o vírus Corona não circula e assim diminui o fator de internações, o juiz de primeira instância resolveu acatar o pedido de diversos sindicatos de esquerda que pediam o trancamento de toda atividade econômica.

Não dá para escrever este texto sem deixar de lado o viés do cuidado com a sua própria imagem que o Tribunal de Justiça gaúcho teve ao reformar a decisão do juiz esquerdista. A corte gaúcha remonta a 1874. É anterior à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República e outros fatos históricos importantes.

Caso o Tribunal mantivesse a decisão de fechar todo o comércio, serviço e boa parte de tudo o que as cidades gaúchas fazem, o Tribunal estaria pondo em risco sua imagem secular. Durante a noite de sexta-feira e todo o sábado, logo depois da decisão do juiz, as redes sociais foram inundadas por ameaças de desobediência civil. Centenas de perfis exibiam as postagens nas linhas do tempo das redes sociais do juiz de claro engajamento esquerdista, colocando em xeque todo o teor de sua decisão.

O Tribunal de Justiça ouviu a voz das ruas, apesar de jamais admitir isso. Juízes mais experientes e magistrados trocaram informações durante o final de semana. Era evidente que a manutenção da decisão do fecha-tudo seria o estopim para o desmoronamento rápido de sua imagem.

No domingo à tarde, um desembargador de plantão cassou a liminar do juiz de primeiro grau. Claro, a preocupação com a imagem do tribunal estava latente. Era preciso cuidar “disso daí” com todo o ambiente de crítica que o Judiciário brasileiro, em todos os seus níveis, vem enfrentando.

Na sua decisão, o desembargador colou uma frase de Hely Lopes Meirelles, um dos principais autores do direito administrativo brasileiro clássico. Meirelles nasceu em 1917. Órfão de fazendeiro criado aos trancos e barrancos até ir para a faculdade. Como juiz, já na década de 1940, foi vítima de um atentado. Um fazendeiro, contrariado com a decretação de sua prisão, deu três tiros no então magistrado. Escapou vivo. Deixou uma obra que ajuda muitos juízes e desembargadores na hora da sentença sensata. (Na imagem deste artigo, a reprodução de uma entrevista de Meirelles em 1968; ele está à direita na imagem)

O trecho de Meirelles usado pelo desembargador gaúcho para cessar o fecha-tudo: “só o administrador, em contato com a realidade, está em condições de bem apreciar os motivos ocorrentes de oportunidade e conveniência na prática de certos atos, que seria impossível ao legislador, dispondo na regra jurídica – lei – de maneira geral e abstrata, prover com justiça e acerto. Só os órgãos executivos é que estão, em muitos casos, em condições de sentir e decidir administrativamente o que convém e o que não convém ao interesse coletivo”.

O Tribunal de Justiça mostrou que cuida de sua imagem.

Quase-acidente aéreo mexe com imagem de grande varejista

Na última semana um passeio de helicóptero pelo litoral catarinense quase transformou-se em uma dupla tragédia. O helicóptero poderia ter caído na água, ferindo gravemente seus ocupantes, e uma importante rede de varejo teria sua imagem seriamente arranhada.


O helicóptero de aluguel faz parte da frota de uma empresa de serviços de voos panorâmicos e pequenos deslocamentos na região de Balneário Camboriú.


Como fica estacionado, ou hangarado, em um heliponto das Lojas Havan, o avião de aluguel ostentava em suas laterais a logomarca da empresa de Luciano Hang.


No pouso, gravado por banhistas, o helicóptero tentou por duas vezes pousar em um trapiche de concreto. O lugar era mais estreito que os esquis de aterrissagem do aparelho. Na segunda tentativa, o piloto quase perde o controle do equipamento, com o rotor de cauda rodando a centímetros da água (onde havia gente na beira da praia).
O piloto desistiu da manobra e não pousou no pequeno píer.


Ningúem se feriu. Mas a Havan teve uns quatro dias de problemas em sua imagem corporativa. Ou até mais, pois os vídeos da barbeiragem continuam nas redes sociais.

No mesmo dia, a empresa varejista – que tem três helicópteros e um jato executivo em sua frota particular – apressou-se em dizer que o helicóptero da quase-tragédia não fazia parte do seu patrimônio.


A Havan trocava os serviços de hangaragem do helicóptero de aluguel por publicidade nas laterais do aparelho.

No dia do quase-acidente (que só foi conhecido por ter sido filmado e publicado nas redes sociais), para todo mundo que viu a cena, o fato era que um “helicóptero da Havan quase causa acidente”. Um horror para a imagem da empresa, que está prestes a abrir seu capital na Bolsa B3.

O que falhou?

Houve falha na gestão da imagem da Havan. Com certeza, não foi pensado que o uso da logomarca da empresa em um helicóptero de aluguel pudesse por em risco a imagem institucional da empresa.


E foi o que aconteceu. A princípio, inclusive no vídeo, um homem diz que “perdeu a aposta”. Pode ter sido uma aposta o pouso no pequeno trapiche.

Colocar a marca em coisas que podem dar algum tipo de problema precisa ser pensado pelo marketing de relacionamento da empresa. A decisão deve ser bem pensada e vários aspectos precisam ser avaliados. Inclusive, a qualidade da manutenção da aeronave, no caso em questão.


Às vezes, no entusiasmo de aparecer, o cuidado com a imagem deixa a desejar. É preciso, sempre, avaliar todos os cenários. Até mesmo o pior deles.

O projeto da Amrigs por mais presença, protagonismo e força

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) completa neste ano seu 70º. aniversário de fundação. Uma das sociedades médicas mais antigas do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, a Amrigs está construindo um novo protagonismo e marcando presença neste 2021. A associação passa por um processo de reposicionamento junto às demais entidades médicas do Rio Grande do Sul.

A Amrigs quer ampliar o número de associados e reforçar seu papel de representante da Medicina e da Ciência Médica no Rio Grande do Sul. Além dos seus 70 anos de fundação, a Amrigs também comemora neste 2021 os 50 anos de sua Revista Científica e os 50 anos da Prova da Amrigs, avaliação fundamental para os médicos recém-formados.

À frente de um processo de transformação e reposicionamento que começou em outubro de 2020, quanto tomou posse como novo presidente da Amrigs, está o médico cirurgião Gerson Junqueira Jr. Especialista renomado em cirurgia do aparelho digestivo, Junqueira aceitou o desafio de ampliar o número de associados e recolocar a Amrigs como destaque entre as entidades que defendem a medicina. Além, é claro, de oferecer posicionamentos que sirvam de orientação para os médicos e comunidade em geral.

O novo posicionamento da Amrigs vem baseado na busca de protagonismo, de mais presença e ações voltadas para o fortalecimento da entidade. Tudo voltado para a busca de mais associados. A articulação com os poderes instituídos, com políticos, representantes de classe e imprensa faz parte do protagonismo apresentado durante a campanha para a presidência da entidade, durante o mês de agosto de 2021.

Presença e força são buscadas nas ações de aproximação com a imprensa, participação de fórum onde é discutida a medicina e, especialmente, na atração do interesse para a sede da Amrigs. Em 2021, nos dois turnos da eleição municipal de Porto Alegre, o Teatro da Amrigs cedeu seu palco para o debate entre os prefeituráveis.

Em tempo de Pandemia, sem dúvida que o conjunto maior de ações da Amrigs tenha sido o combate à Covid-19. Desde dezembro, quando as primeiras vacinas contra o coronavírus foram apresentadas ao mundo, a Amrigs tem feito campanha pela vacinação de todos. Claro, não há vacinas para toda população. Então, a entidade intensificou campanha institucional para que os profissionais da saúde tivessem a primazia na vacinação.

No dia 6 de fevereiro, um sábado de calor em Porto Alegre, a Amrigs, com seu belo prédio e seu amplo estacionamento acolheu mais de três mil profissionais da saúde para receber a vacina, fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Além de médicos, foram vacinados profissionais de enfermagem, psicólogos e fisioterapeutas. A prioridade eram os maiores de 65 anos. Foi um sucesso. Junto com Conselho Regional de Enfermagem, Unimed Porto Alegre e Exército Brasileiro, A Amrigs tornou-se um dos maiores pontos de vacinação do Brasil em um único dia.

O protagonismo, a presença e a força são os pontos que norteiam a nova direção da Amrigs. Dentro de um projeto envolvendo marketing, comunicação e política, a entidade vai comemorar seus 70 anos em grande estilo, torcendo por mais brasileiros vacinados contra o coronavírus.  

Diretoria

A Amrigs tem na sua diretoria uma eficiente e participativa equipe de médicos nas mais diversas áreas de atuação. Além do presidente Junqueira, a diretoria tem como Vice-presidente Paulo Morassutti, e os diretores Breno José Acauan Filho (Finanças), Dilma Maria Tonoli Tessari (Integração Social), Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues (Administrativo), Guilherme Napp (Científico e Cultural), João Luiz Cavalieri Machado (Patrimônio e Eventos), João Rogério Bittencourt da Silveira (Assistência e Previdência), Marcos André dos Santos (Comunicação), Ricardo Moreira Martins (Exercício Profissional) e Rosani Carvalho de Araújo (Normas). O Conselho de Representantes, presidido por Mauro Sparta, atual Secretário Municipal de Saúde de Porto Alegre, também tem atuação decisiva para o novo momento da Amrigs.

(Por Miguelito Medeiros. Na foto, o presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Jr.)

Taxar aplicativos de transporte não é bom

A prefeitura de Pelotas, no Rio Grande do Sul, quer taxar os aplicativos de transporte com um imposto municipal. Sim. O município quer tirar um tanto do ganho dos motoristas de Uber, 99, Garupa, Cabify e outros sistemas de compartilhamento de caronas que tanto se popularizaram no mundo nos últimos cinco anos.

A intenção da prefeitura pelotense é criar um imposto municipal que incida sobre a atividade. A ideia vai onerar as corridas, tornando mais cara a alternativa para quem antes só usava táxi, ônibus ou bicicleta. É bom lembrar que mesmo pessoas que têm carro usam os serviços de aplicativos por serem mais baratos e econômicos em determinadas circunstâncias.

Andar de aplicativo é mais barato, em algumas vezes, do que pagar uma passagem de um ônibus de linha. Ainda mais se a viagem for dividida com outras pessoas que vão para o mesmo destino.

Isso todo mundo já sabe.

O que pouca gente se dá conta é há um olho grande, uma espécie de sanha arrecadatória para cima dos aplicativos de transporte e seus motoristas.

Ora, taxa os Uber, 99 e afins é um absurdo.

Primeiro porque é a criação de mais um imposto. Brasileiro já é mordido demais por impostos.

Segundo porque o combustível, o principal custo da atividade, já é tributado em cerca de 44% (dependendo do estado do Brasil). Quase metade do preço da gasolina fica para o governo.

E o terceiro motivo é que as corridas por aplicativo democratizaram o transporte. Ficou muito mais fácil para quem em renda baixa se deslocar com segurança pela cidade.

Não dá para querer taxar os aplicativos. Ainda mais porque eles fazem parte de uma revolução no transporte público que está melhorando as cidades. São menos carros e ônibus nas ruas, menos poluição, menos engarrafamentos e menos acidentes.

Ter carro ainda é o desejo de muita gente. E vai continuar sendo. Nesta pandemia, a dificuldade imposta pelo medo do contágio e pelo distanciamento social obrigaram as pessoas a ficarem mais tempo dentro do carro, caso precisassem sair por aí para trabalhar. Muita gente fez do carro seu escritório ou sua base operacional.

No entanto, na cidade, ter carro representa uma série de custos que muitas vezes se mostram irracionais. Ou mesmo o uso do próprio carro. O negócio – e isso os aplicativos têm mostrado com maestria – é ter o carro, caso queira, e usar outros meios de transporte para os deslocamentos nas cidades. Deixando o próprio veículo para passeios, emergências, saídas eventuais.

Aplicativos de transporte não devem ser taxados. Aliás, devem ser desregulamentados cada vez mais. Que sejam abertas as portas também para os ônibus gerenciados por aplicativos e dirigidos por motoristas autônomos.

Reino Unido sai da União Europeia. Retoma seu pragmatismo político e sua independência

Depois de muita negociação, conversas, críticas, elogios, choros e sorrisos, o Reino Unido deixou neste primeiro dia de 2021 de fazer parte da União Europeia. Grã-Bretanha e Irlanda do Norte faziam parte do grande acordo aduaneiro e político desde 1973. Em 2016. Um plebiscito perguntando se os habitantes queriam continuar na União Europeia decidiu pela saída do bloco. Por 52% a 48%, os habitantes do Reino Unido preferiram “sair” da Europa, ficando livres para decidir seus caminhos políticos.

Ficar “livre” para decidir seus caminhos políticos significa à maioria dos moradores do Reino Unido deixar de submeter-se aos desígnios ditados pela burocracia comunitária instalada em Bruxelas, na Bélgica. A cidade belga é sede da Comissão Europeia, entidade supranacional toda-poderosa instituída em 1958, como o resultado da Comunidade do Aço e do Carvão, iniciada em 1951.

A história do Brexit, da saída dos britânicos da Europa neste primeiro ano de 2021 precisa retroceder 70. Em 1951. França e Alemanha, rivais europeias históricas que fizeram pelo menos três guerras em menos de 100 anos, decidiram melhorar a relação e constituir uma união para tornar comuns as produções de aço e carvão dos dois países. Juntaram-se às duas nações Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. Este foi embrião da União Europeia como conhecemos hoje, com seus 27 países e boa parte deles usando o Euro como moeda comum.

O Reino Unido demorou quase vinte anos para entrar na Comunidade. O fez em 1973. Apesar de participar da união aduaneira, nunca adotou o Euro como moeda. Preferiu ficar usando sua tradicional Libra. Países como Alemanha, Itália, França, Espanha, Portugal e Grécia, entre outros, deixaram para a história suas lendárias moedas. Em 1999, para dar lugar à moeda europeia, deixaram de circular o Marco, a Lira, o Franco, a Peseta, o Escudo e o Dracma, respectivamente os dinheiros alemães, italianos, franceses, espanhois, portugueses e gregos.

Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales nunca se sentiram europeus, de fato. Nas duas grandes guerras do século 20, britânicos sempre olharam para a Europa como um continente separado de suas ilhas, como geograficamente são. Nos dois grandes conflitos iniciados na Europa e espalhados pelo mundo, britânicos viram o continente deixar-se tomar pelas forças de ocupação, especialmente as alemãs. Ainda viva na memória estava a tomada do continente pelas forças francesas de Napoleão, ainda no início do século 19. Nas três ocasiões, o Reino Unido viu-se compelido a agir contra a invasão e a derrubada de fronteiras dentro do continente. Precisava agir, pois a força de quem ganhava as batalhas na Europa poderia tomar, em pouco tempo, as ilhas britânicas.

Nos três episódios, tanto na expansão napoleônica, quanto nas duas guerras mundiais do século 20, a Inglaterra juntou forças e foi vitoriosa. Mesmo na Segunda Grande Guerra, quando precisou fortemente da ajuda norte-americana para derrotar as tropas do nazismo. O Reino Unido saiu melhor das guerras. Ou, pelo menos, vivo. No pós-guerra do século 20, nos anos de 1940 e 1950, o Império Britânico deixou de ser império e muitas dos seus territórios no Caribe e no Pacífico foram repassados aos Estados Unidos.

Voltando ao plebiscito de 2016. Os habitantes do Reino Unido decidiram por não ficar mais sob o jugo e o mando da Comissão Europeia. Quem há menos de um século era um império (“O Império onde o Sol nunca se põe”), queria voltar a, pelo menos, ser dono do seu nariz sem precisar dar satisfações à burocracia de Bruxelas.

Entre o plebiscito de 2016 e a saída definitiva no primeiro dia de 2021, houve muita discussão entre os ingleses em si, e entre ingleses e os “europeus” do continente, representados pela Comissão Europeia. Além da questão política, onde o Reino Unido deixa de fazer parte de uma unidade supranacional importante no cenário das nações, há todo um arcabouço econômico e financeiro que deixa de existir entre Reino Unido e Europa. Haverá a limitação de circulação de pessoas, de mercadorias e os transportes vão deixar de ser facilitados.

No entanto, apesar das dificuldades aparentes, os ingleses que optaram por sair da União Europeia veem o Brexit como oportunidade de governar a si mesmo sem a interferência de uma autoridade em Bruxelas, na Bélgica. Questões como a imigração dos norte-africanos, o combate ao terrorismo e a relação com outros países estão agora mais “na mão” dos ingleses. Agora a decisão e a responsabilidade é deles.

Na prática, agora não há mais as permissões automáticas para os imigrantes entrarem no Reino Unido, britânicos e europeus precisarão de passaportes para as viagens, além de seguros de saúde e demais documentos específicos. Tudo isso, até a última semana de dezembro de 2020 eram comuns da União Europeia.

Com a saída da União, o Reino Unido já assinou acordos comerciais com Japão, Canadá, Suíça, Singapura, México, Chile e está negociando cartas de intenções com Austrália e Nova Zelândia.

A saída da União Europeia tem muito a ver com a natureza pragmática que conduziu a política durante todo o crescimento e o auge do Império Britânico. Esse sentimento pragmático ficou um pouco adormecido entre os anos de 1990 e 2010, mas ressurgiu com força a partir de 2015. Tal sentimento já fora escrito por um primeiro-ministro inglês, William Gladstone, em carta à Rainha Vitória em 1869:

“À Inglaterra deve reter em mãos os meios de avaliar as próprias obrigações quanto aos vários estágios de fatos, à medida que ocorram; não deve limitar-se ou privar-se de suas própria liberdade de escolha em virtude de declarações feitas a outras potências, no real ou no suposto interesse destas, do qual eles queriam ser, no mínimo, intérpretes conjuntos”.

Há muito tempo, os ingleses querem ser senhores de seus destinos. E não abrem mão disso, apesar do plebiscito ter mostrado uma votação apertada em 2016.