ESG. Você ainda vai se preocupar com essa sigla

ESG. Sigla para Environmental, Social and Governance. As três letras significam que as empresas precisam ter responsabilidades ambientais, sociais e de governança. Na área ambiental, é fundamental que haja equilíbrio e sustentabilidade com o ambiente natural onde ela esteja instalada. Na parte social, a esperança é que a companhia trabalhe com respeito às pessoas, com diversidade em todos os níveis e com bom relacionamento junto às comunidades. Na parte da governança, o cuidado com as boas práticas de gestão e respeito às leis são fundamentais para um bom relacionamento com os interessados na empresa. Desde acionistas até consumidores finais. Com boa governança, fazer relacionamento com os governos municipais, estaduais e nacional fica mais fácil e transparente.

O termo ESG surgiu pela primeira vez no segundo semestre de 2004, quando a Organização das Nações Unidas propôs a agenda da iniciativa Who Cares Win – Connecting Financial Markets to a Changing World. A iniciativa, traduzida mais ou menos como Quem se Importa Vence – Conectando mercados financeiros para a mudança no mundo, surgiu como uma atualização dos termos que trabalhavam as responsabilidades ambientais e sociais. Foram reunidas instituições financeiras de nove países. O Brasil foi representado pelo Banco do Brasil.

Nos últimos 17 anos, o termo foi sendo cada vez mais absorvido pelo ambiente corporativo em todos os principais mercados globais. As grandes empresas estão buscando se enquadrar nos conceitos, especialmente porque os mercados consumidores estão cada vez mais exigentes. E, cada vez mais, buscando comprar de quem cuida do social, do ambiental e da boa governança.

Para se manter no mercado, para vender mais e participar das cadeias globais de valor, dos mercados internacionais, as companhias vão precisar – de maneira crescente e contínua – se enquadrar no conceito ESG. Quem não fizer isso, vai ter muita dificuldade nos negócios. (Miguelito Medeiros)

Pandemia provoca revisão do conceito de “sede própria” para as empresas

Tem coisas que a pandemia trouxe e que vão ficar. Não são apenas tendência e já viraram realidade no mundo dos negócios e do empreendedorismo. Há uns cinco anos, era consenso de que ter o imóvel próprio para a empresa era sinal de prosperidade e até uma certa ostentação. Plaquinhas de “Sede Própria” ainda são vistas em muitas sedes. Quando maior e mais robusta a construção, melhor era a empresa.

E veio a pandemia do Covid-19 e com ela o trabalho remoto, o trabalho em casa, o home-office. O #ficaemcasa desocupou um universo incrível de imóveis comerciais e de serviços ao redor do mundo. Aqui no Brasil, todas as grandes cidades apresentam inúmeros imóveis destinados ao comércio e aos serviços completamente vazios. Muitos com variadas e desbotadas placas de vende-se ou aluga-se.

O vírus trouxe a realidade do trabalho remoto e a diminuição da necessidade de grandes estruturas físicas. Uma grande sede não é mais algo tão importante para boa parte das atividades econômicas.

Grandes escritórios já vinham se tornando coisa do passado, mas ainda resistiam bastante. Mas o contexto da pandemia foi a pá de cal para essa “necessidade”.

Agora, ainda que a Covid esteja ativa em todo mundo, muito empreendedor, dono de negócio, empresário, tem se dado conta de que o trabalho em casa pode ser bom para todos. E tem um fator importante depois que tudo estiver decantado no ambiente do #ficaemcasa: o custo com a manutenção de prédios. Sim. Grandes prédios geram custos que podem ser usados para o marketing e até para implementar a produção.

Algo que há até pouco tempo era tão importante, como ter um grande prédio como sede própria, agora pode um outro destino. O dinheiro investido no imobilizado e depois a despesa em mantê-lo bonito e funcional, agora sendo destinados para o core business. O foco do negócio. E tem muita gente que se ajustou a essa nova realidade e está se saindo muito bem.

No dia do Jornalista e da Saúde, Amrigs lança prêmio de Jornalismo

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) lançou nesta quarta-feira, dia 7 de abril, Dia do Jornalista e também o Dia da Saúde, a sua edição 2021 do Prêmio Amrigs de Jornalismo. O prêmio tem abrangência nacional e será entregue no final do mês de outubro, quando a associação completa 70 anos de fundação.

O Prêmio Amrigs de Jornalismo faz parte das comemorações dos 70 anos da Amrigs e dos 50 anos da Prova AMB/Amrigs.

Também foi lançado nesta quarta-feira o Prêmio Amrigs de Boas Práticas na Medicina, que vai reconhecer as grandes iniciativas para melhorar o atendimento de quem mais precisa do acesso à saúde.

Nota do Miguelito Medeiros

É com muita alegria que participo do lançamento do Prêmio Amrigs de Jornalismo neste Dia do Jornalista. É uma homenagem a este tipo especial de ser humano que busca contar a história dia após dia.

Gosto de poder ajudar a fazer ações que aproximem os jornalistas da sociedade. Foi assim lá em 2012, quando foi lançado o Prêmio Adpergs de Jornalismo – que está em sua 7ª. edição – junto com o René Klemm e a Patrícia Kettermann.

Agora, com a parceria da Luciana Corso, do Marcelo Matusiak, da Ana Carolina Lopes, do João Pedro Neto e do Rafael Nicacio de Azeredo, sob a liderança do Dr. Gerson Junqueira Jr., estamos revivendo o Prêmio da Amrigs. Já havia tido três edições há mais de dez anos e foi descontinuado. Agora estamos retomando, com muita força e abrangência.

Fazer um prêmio de jornalismo que dure, que seja perene, não é tarefa fácil. É preciso envolver muita gente, convencer, conectar, divulgar e dar importância.

O resultado, no entanto, é maravilhoso.

Jornalistas, participem do Prêmio Amrigs de Jornalismo 2021. Pauta sobre a saúde é o que não falta.

Vitória da sensatez

A segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) prestou um grande serviço à imagem da instituição neste final de semana. Um desembargador de plantão cassou a liminar, concedida na sexta-feira, que impunha um fechamento completo de toda atividade comercial no Rio Grande do Sul. Com o argumento de que fechando tudo o vírus Corona não circula e assim diminui o fator de internações, o juiz de primeira instância resolveu acatar o pedido de diversos sindicatos de esquerda que pediam o trancamento de toda atividade econômica.

Não dá para escrever este texto sem deixar de lado o viés do cuidado com a sua própria imagem que o Tribunal de Justiça gaúcho teve ao reformar a decisão do juiz esquerdista. A corte gaúcha remonta a 1874. É anterior à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República e outros fatos históricos importantes.

Caso o Tribunal mantivesse a decisão de fechar todo o comércio, serviço e boa parte de tudo o que as cidades gaúchas fazem, o Tribunal estaria pondo em risco sua imagem secular. Durante a noite de sexta-feira e todo o sábado, logo depois da decisão do juiz, as redes sociais foram inundadas por ameaças de desobediência civil. Centenas de perfis exibiam as postagens nas linhas do tempo das redes sociais do juiz de claro engajamento esquerdista, colocando em xeque todo o teor de sua decisão.

O Tribunal de Justiça ouviu a voz das ruas, apesar de jamais admitir isso. Juízes mais experientes e magistrados trocaram informações durante o final de semana. Era evidente que a manutenção da decisão do fecha-tudo seria o estopim para o desmoronamento rápido de sua imagem.

No domingo à tarde, um desembargador de plantão cassou a liminar do juiz de primeiro grau. Claro, a preocupação com a imagem do tribunal estava latente. Era preciso cuidar “disso daí” com todo o ambiente de crítica que o Judiciário brasileiro, em todos os seus níveis, vem enfrentando.

Na sua decisão, o desembargador colou uma frase de Hely Lopes Meirelles, um dos principais autores do direito administrativo brasileiro clássico. Meirelles nasceu em 1917. Órfão de fazendeiro criado aos trancos e barrancos até ir para a faculdade. Como juiz, já na década de 1940, foi vítima de um atentado. Um fazendeiro, contrariado com a decretação de sua prisão, deu três tiros no então magistrado. Escapou vivo. Deixou uma obra que ajuda muitos juízes e desembargadores na hora da sentença sensata. (Na imagem deste artigo, a reprodução de uma entrevista de Meirelles em 1968; ele está à direita na imagem)

O trecho de Meirelles usado pelo desembargador gaúcho para cessar o fecha-tudo: “só o administrador, em contato com a realidade, está em condições de bem apreciar os motivos ocorrentes de oportunidade e conveniência na prática de certos atos, que seria impossível ao legislador, dispondo na regra jurídica – lei – de maneira geral e abstrata, prover com justiça e acerto. Só os órgãos executivos é que estão, em muitos casos, em condições de sentir e decidir administrativamente o que convém e o que não convém ao interesse coletivo”.

O Tribunal de Justiça mostrou que cuida de sua imagem.

Quase-acidente aéreo mexe com imagem de grande varejista

Na última semana um passeio de helicóptero pelo litoral catarinense quase transformou-se em uma dupla tragédia. O helicóptero poderia ter caído na água, ferindo gravemente seus ocupantes, e uma importante rede de varejo teria sua imagem seriamente arranhada.


O helicóptero de aluguel faz parte da frota de uma empresa de serviços de voos panorâmicos e pequenos deslocamentos na região de Balneário Camboriú.


Como fica estacionado, ou hangarado, em um heliponto das Lojas Havan, o avião de aluguel ostentava em suas laterais a logomarca da empresa de Luciano Hang.


No pouso, gravado por banhistas, o helicóptero tentou por duas vezes pousar em um trapiche de concreto. O lugar era mais estreito que os esquis de aterrissagem do aparelho. Na segunda tentativa, o piloto quase perde o controle do equipamento, com o rotor de cauda rodando a centímetros da água (onde havia gente na beira da praia).
O piloto desistiu da manobra e não pousou no pequeno píer.


Ningúem se feriu. Mas a Havan teve uns quatro dias de problemas em sua imagem corporativa. Ou até mais, pois os vídeos da barbeiragem continuam nas redes sociais.

No mesmo dia, a empresa varejista – que tem três helicópteros e um jato executivo em sua frota particular – apressou-se em dizer que o helicóptero da quase-tragédia não fazia parte do seu patrimônio.


A Havan trocava os serviços de hangaragem do helicóptero de aluguel por publicidade nas laterais do aparelho.

No dia do quase-acidente (que só foi conhecido por ter sido filmado e publicado nas redes sociais), para todo mundo que viu a cena, o fato era que um “helicóptero da Havan quase causa acidente”. Um horror para a imagem da empresa, que está prestes a abrir seu capital na Bolsa B3.

O que falhou?

Houve falha na gestão da imagem da Havan. Com certeza, não foi pensado que o uso da logomarca da empresa em um helicóptero de aluguel pudesse por em risco a imagem institucional da empresa.


E foi o que aconteceu. A princípio, inclusive no vídeo, um homem diz que “perdeu a aposta”. Pode ter sido uma aposta o pouso no pequeno trapiche.

Colocar a marca em coisas que podem dar algum tipo de problema precisa ser pensado pelo marketing de relacionamento da empresa. A decisão deve ser bem pensada e vários aspectos precisam ser avaliados. Inclusive, a qualidade da manutenção da aeronave, no caso em questão.


Às vezes, no entusiasmo de aparecer, o cuidado com a imagem deixa a desejar. É preciso, sempre, avaliar todos os cenários. Até mesmo o pior deles.

O projeto da Amrigs por mais presença, protagonismo e força

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) completa neste ano seu 70º. aniversário de fundação. Uma das sociedades médicas mais antigas do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, a Amrigs está construindo um novo protagonismo e marcando presença neste 2021. A associação passa por um processo de reposicionamento junto às demais entidades médicas do Rio Grande do Sul.

A Amrigs quer ampliar o número de associados e reforçar seu papel de representante da Medicina e da Ciência Médica no Rio Grande do Sul. Além dos seus 70 anos de fundação, a Amrigs também comemora neste 2021 os 50 anos de sua Revista Científica e os 50 anos da Prova da Amrigs, avaliação fundamental para os médicos recém-formados.

À frente de um processo de transformação e reposicionamento que começou em outubro de 2020, quanto tomou posse como novo presidente da Amrigs, está o médico cirurgião Gerson Junqueira Jr. Especialista renomado em cirurgia do aparelho digestivo, Junqueira aceitou o desafio de ampliar o número de associados e recolocar a Amrigs como destaque entre as entidades que defendem a medicina. Além, é claro, de oferecer posicionamentos que sirvam de orientação para os médicos e comunidade em geral.

O novo posicionamento da Amrigs vem baseado na busca de protagonismo, de mais presença e ações voltadas para o fortalecimento da entidade. Tudo voltado para a busca de mais associados. A articulação com os poderes instituídos, com políticos, representantes de classe e imprensa faz parte do protagonismo apresentado durante a campanha para a presidência da entidade, durante o mês de agosto de 2021.

Presença e força são buscadas nas ações de aproximação com a imprensa, participação de fórum onde é discutida a medicina e, especialmente, na atração do interesse para a sede da Amrigs. Em 2021, nos dois turnos da eleição municipal de Porto Alegre, o Teatro da Amrigs cedeu seu palco para o debate entre os prefeituráveis.

Em tempo de Pandemia, sem dúvida que o conjunto maior de ações da Amrigs tenha sido o combate à Covid-19. Desde dezembro, quando as primeiras vacinas contra o coronavírus foram apresentadas ao mundo, a Amrigs tem feito campanha pela vacinação de todos. Claro, não há vacinas para toda população. Então, a entidade intensificou campanha institucional para que os profissionais da saúde tivessem a primazia na vacinação.

No dia 6 de fevereiro, um sábado de calor em Porto Alegre, a Amrigs, com seu belo prédio e seu amplo estacionamento acolheu mais de três mil profissionais da saúde para receber a vacina, fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Além de médicos, foram vacinados profissionais de enfermagem, psicólogos e fisioterapeutas. A prioridade eram os maiores de 65 anos. Foi um sucesso. Junto com Conselho Regional de Enfermagem, Unimed Porto Alegre e Exército Brasileiro, A Amrigs tornou-se um dos maiores pontos de vacinação do Brasil em um único dia.

O protagonismo, a presença e a força são os pontos que norteiam a nova direção da Amrigs. Dentro de um projeto envolvendo marketing, comunicação e política, a entidade vai comemorar seus 70 anos em grande estilo, torcendo por mais brasileiros vacinados contra o coronavírus.  

Diretoria

A Amrigs tem na sua diretoria uma eficiente e participativa equipe de médicos nas mais diversas áreas de atuação. Além do presidente Junqueira, a diretoria tem como Vice-presidente Paulo Morassutti, e os diretores Breno José Acauan Filho (Finanças), Dilma Maria Tonoli Tessari (Integração Social), Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues (Administrativo), Guilherme Napp (Científico e Cultural), João Luiz Cavalieri Machado (Patrimônio e Eventos), João Rogério Bittencourt da Silveira (Assistência e Previdência), Marcos André dos Santos (Comunicação), Ricardo Moreira Martins (Exercício Profissional) e Rosani Carvalho de Araújo (Normas). O Conselho de Representantes, presidido por Mauro Sparta, atual Secretário Municipal de Saúde de Porto Alegre, também tem atuação decisiva para o novo momento da Amrigs.

(Por Miguelito Medeiros. Na foto, o presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Jr.)

Taxar aplicativos de transporte não é bom

A prefeitura de Pelotas, no Rio Grande do Sul, quer taxar os aplicativos de transporte com um imposto municipal. Sim. O município quer tirar um tanto do ganho dos motoristas de Uber, 99, Garupa, Cabify e outros sistemas de compartilhamento de caronas que tanto se popularizaram no mundo nos últimos cinco anos.

A intenção da prefeitura pelotense é criar um imposto municipal que incida sobre a atividade. A ideia vai onerar as corridas, tornando mais cara a alternativa para quem antes só usava táxi, ônibus ou bicicleta. É bom lembrar que mesmo pessoas que têm carro usam os serviços de aplicativos por serem mais baratos e econômicos em determinadas circunstâncias.

Andar de aplicativo é mais barato, em algumas vezes, do que pagar uma passagem de um ônibus de linha. Ainda mais se a viagem for dividida com outras pessoas que vão para o mesmo destino.

Isso todo mundo já sabe.

O que pouca gente se dá conta é há um olho grande, uma espécie de sanha arrecadatória para cima dos aplicativos de transporte e seus motoristas.

Ora, taxa os Uber, 99 e afins é um absurdo.

Primeiro porque é a criação de mais um imposto. Brasileiro já é mordido demais por impostos.

Segundo porque o combustível, o principal custo da atividade, já é tributado em cerca de 44% (dependendo do estado do Brasil). Quase metade do preço da gasolina fica para o governo.

E o terceiro motivo é que as corridas por aplicativo democratizaram o transporte. Ficou muito mais fácil para quem em renda baixa se deslocar com segurança pela cidade.

Não dá para querer taxar os aplicativos. Ainda mais porque eles fazem parte de uma revolução no transporte público que está melhorando as cidades. São menos carros e ônibus nas ruas, menos poluição, menos engarrafamentos e menos acidentes.

Ter carro ainda é o desejo de muita gente. E vai continuar sendo. Nesta pandemia, a dificuldade imposta pelo medo do contágio e pelo distanciamento social obrigaram as pessoas a ficarem mais tempo dentro do carro, caso precisassem sair por aí para trabalhar. Muita gente fez do carro seu escritório ou sua base operacional.

No entanto, na cidade, ter carro representa uma série de custos que muitas vezes se mostram irracionais. Ou mesmo o uso do próprio carro. O negócio – e isso os aplicativos têm mostrado com maestria – é ter o carro, caso queira, e usar outros meios de transporte para os deslocamentos nas cidades. Deixando o próprio veículo para passeios, emergências, saídas eventuais.

Aplicativos de transporte não devem ser taxados. Aliás, devem ser desregulamentados cada vez mais. Que sejam abertas as portas também para os ônibus gerenciados por aplicativos e dirigidos por motoristas autônomos.

Reino Unido sai da União Europeia. Retoma seu pragmatismo político e sua independência

Depois de muita negociação, conversas, críticas, elogios, choros e sorrisos, o Reino Unido deixou neste primeiro dia de 2021 de fazer parte da União Europeia. Grã-Bretanha e Irlanda do Norte faziam parte do grande acordo aduaneiro e político desde 1973. Em 2016. Um plebiscito perguntando se os habitantes queriam continuar na União Europeia decidiu pela saída do bloco. Por 52% a 48%, os habitantes do Reino Unido preferiram “sair” da Europa, ficando livres para decidir seus caminhos políticos.

Ficar “livre” para decidir seus caminhos políticos significa à maioria dos moradores do Reino Unido deixar de submeter-se aos desígnios ditados pela burocracia comunitária instalada em Bruxelas, na Bélgica. A cidade belga é sede da Comissão Europeia, entidade supranacional toda-poderosa instituída em 1958, como o resultado da Comunidade do Aço e do Carvão, iniciada em 1951.

A história do Brexit, da saída dos britânicos da Europa neste primeiro ano de 2021 precisa retroceder 70. Em 1951. França e Alemanha, rivais europeias históricas que fizeram pelo menos três guerras em menos de 100 anos, decidiram melhorar a relação e constituir uma união para tornar comuns as produções de aço e carvão dos dois países. Juntaram-se às duas nações Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. Este foi embrião da União Europeia como conhecemos hoje, com seus 27 países e boa parte deles usando o Euro como moeda comum.

O Reino Unido demorou quase vinte anos para entrar na Comunidade. O fez em 1973. Apesar de participar da união aduaneira, nunca adotou o Euro como moeda. Preferiu ficar usando sua tradicional Libra. Países como Alemanha, Itália, França, Espanha, Portugal e Grécia, entre outros, deixaram para a história suas lendárias moedas. Em 1999, para dar lugar à moeda europeia, deixaram de circular o Marco, a Lira, o Franco, a Peseta, o Escudo e o Dracma, respectivamente os dinheiros alemães, italianos, franceses, espanhois, portugueses e gregos.

Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales nunca se sentiram europeus, de fato. Nas duas grandes guerras do século 20, britânicos sempre olharam para a Europa como um continente separado de suas ilhas, como geograficamente são. Nos dois grandes conflitos iniciados na Europa e espalhados pelo mundo, britânicos viram o continente deixar-se tomar pelas forças de ocupação, especialmente as alemãs. Ainda viva na memória estava a tomada do continente pelas forças francesas de Napoleão, ainda no início do século 19. Nas três ocasiões, o Reino Unido viu-se compelido a agir contra a invasão e a derrubada de fronteiras dentro do continente. Precisava agir, pois a força de quem ganhava as batalhas na Europa poderia tomar, em pouco tempo, as ilhas britânicas.

Nos três episódios, tanto na expansão napoleônica, quanto nas duas guerras mundiais do século 20, a Inglaterra juntou forças e foi vitoriosa. Mesmo na Segunda Grande Guerra, quando precisou fortemente da ajuda norte-americana para derrotar as tropas do nazismo. O Reino Unido saiu melhor das guerras. Ou, pelo menos, vivo. No pós-guerra do século 20, nos anos de 1940 e 1950, o Império Britânico deixou de ser império e muitas dos seus territórios no Caribe e no Pacífico foram repassados aos Estados Unidos.

Voltando ao plebiscito de 2016. Os habitantes do Reino Unido decidiram por não ficar mais sob o jugo e o mando da Comissão Europeia. Quem há menos de um século era um império (“O Império onde o Sol nunca se põe”), queria voltar a, pelo menos, ser dono do seu nariz sem precisar dar satisfações à burocracia de Bruxelas.

Entre o plebiscito de 2016 e a saída definitiva no primeiro dia de 2021, houve muita discussão entre os ingleses em si, e entre ingleses e os “europeus” do continente, representados pela Comissão Europeia. Além da questão política, onde o Reino Unido deixa de fazer parte de uma unidade supranacional importante no cenário das nações, há todo um arcabouço econômico e financeiro que deixa de existir entre Reino Unido e Europa. Haverá a limitação de circulação de pessoas, de mercadorias e os transportes vão deixar de ser facilitados.

No entanto, apesar das dificuldades aparentes, os ingleses que optaram por sair da União Europeia veem o Brexit como oportunidade de governar a si mesmo sem a interferência de uma autoridade em Bruxelas, na Bélgica. Questões como a imigração dos norte-africanos, o combate ao terrorismo e a relação com outros países estão agora mais “na mão” dos ingleses. Agora a decisão e a responsabilidade é deles.

Na prática, agora não há mais as permissões automáticas para os imigrantes entrarem no Reino Unido, britânicos e europeus precisarão de passaportes para as viagens, além de seguros de saúde e demais documentos específicos. Tudo isso, até a última semana de dezembro de 2020 eram comuns da União Europeia.

Com a saída da União, o Reino Unido já assinou acordos comerciais com Japão, Canadá, Suíça, Singapura, México, Chile e está negociando cartas de intenções com Austrália e Nova Zelândia.

A saída da União Europeia tem muito a ver com a natureza pragmática que conduziu a política durante todo o crescimento e o auge do Império Britânico. Esse sentimento pragmático ficou um pouco adormecido entre os anos de 1990 e 2010, mas ressurgiu com força a partir de 2015. Tal sentimento já fora escrito por um primeiro-ministro inglês, William Gladstone, em carta à Rainha Vitória em 1869:

“À Inglaterra deve reter em mãos os meios de avaliar as próprias obrigações quanto aos vários estágios de fatos, à medida que ocorram; não deve limitar-se ou privar-se de suas própria liberdade de escolha em virtude de declarações feitas a outras potências, no real ou no suposto interesse destas, do qual eles queriam ser, no mínimo, intérpretes conjuntos”.

Há muito tempo, os ingleses querem ser senhores de seus destinos. E não abrem mão disso, apesar do plebiscito ter mostrado uma votação apertada em 2016.

Záchia na secretaria de Mobilidade de Porto Alegre. Um grande acerto do novo prefeito

Luiz Fernando Záchia, ex-deputado estadual, ex-secretário de estado de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais e ex-chefe da Casa Civil do Governo Estadual, foi o escolhido pelo prefeito eleito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) para ser o secretário Municipal de Mobilidade Urbana.

Záchia é sujeito certo para uma das pastas mais espinhosas da administração de Porto Alegre. Espinhosa, difícil, ardida e complexa. Ainda mais que o assunto transporte público coletivo rodoviário tem tudo para dar muito pano para a manga nos próximos anos. Começando já no ano que vem.

O sistema de transporte coletivo de Porto Alegre tem um desafio à frente: manter-se sustentável num momento em que há uma diminuição constante de passageiros ano a ano. Com a pandemia de Covid-19, a situação só piorou. O trabalho remoto em casa, a busca pelo transporte individual, de bicicleta, moto ou carro para fugir do perigo do contágio, também contribuíram para os problemas para os diretores das empresas de ônibus.

Vai ser preciso muita conversa, encontros, diálogos, composições, para que o modelo atual de concessões de linhas de ônibus – falido – seja substituído por algo mais adequado aos novos tempos. Há uma série de alternativas para o transporte coletivo. Pensar seriamente na solução para o transporte de massa em Porto Alegre e Região Metropolitana passa pelas oportunidades dos aplicativos de aluguel de ônibus. Os chamados “Uber dos ônibus” podem fazer parte da paisagem urbana e reduzir o estresse no sistema.

Záchia foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em 2006 liderou um movimento chamado Pacto Pelo Rio Grande, que reuniu diversas lideranças políticas gaúchas, de todos os matizes, para debater e pensar no futuro do Estado para os próximos anos. Foi um momento histórico da política no Pampa.

E essa capacidade de diálogo que Záchia vai trazer para o ambiente do debate do transporte público em Porto Alegre. Ele sabe das coisas. Há mais de vinte anos estuda, busca informações e se envolve com assuntos que tratam da mobilidade urbana. É um cara que conhece trens e metrôs em diversas partes do mundo. Sabe da necessidade de tirar um pouco de pneus das vias urbanas. É preciso cavar túneis para trens, metrôs e veículos leves sobre trilhos. Sem isso, insistir apenas em ônibus vai ser um erro. É empurrar o problema com a barriga.

Grande Záchia. Porto Alegre precisa da tua capacidade de diálogo e do teu conhecimento sobre o transporte público.

Sugestões para incrementar o turismo na cidade de Vacaria

O texto a seguir é uma reflexão sobre como a cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, pode vir a incrementar sua receita com um fluxo maior de turistas.

A cidade de Vacaria fica na região nordeste do Rio Grande do Sul, na parte dos Campos de Cima da Serra, onde a altitude média fica na casa dos mil metros acima do nível do mar. Vacaria está completando 170 anos de emancipação política. Até 1850 fazia parte do extenso município de Santo Antônio da Patrulha. O nome Vacaria vem das enormes quantidades de gado bovino que passavam pela localidade, um importante entreposto de animais de corte em todo século 19.

De cruzamento de dezenas de rotas por onde passavam tropeiros, Vacaria hoje é uma cidade com uma economia baseada na plantação de maçãs e soja. A cidade tem um comércio diversificado, animado e, em boa parte, voltado para atender as necessidades de quem trabalha no campo. São dez concessionárias de tratores de diferentes marcas, desde as tradicionais norte-americanas como as novíssimas LS, da Coreia do Sul, e a indiana Mahindra.

Vacaria é uma cidade fria. Uma das mais frias do Rio Grande do Sul. A figura do gaúcho, com sua indumentária típica incluindo a bombacha, as botas, o lenço e o chapéu, em Vacaria tem a presença atávica da capa de lã, do poncho, do capote.

Em 2013 a cidade registrou uma nevasca. Uma formação de neve de verdade, que durou várias horas durante uma noite de inverno.

A cidade é cortada por duas rodovias federais, a BR-116 e a BR-285, além de ter seu mapa riscado por uma linha férrea de carga regular. Para completar a boa situação logística, Vacaria dispõe de um aeroporto, ainda não operacional, capaz de receber aviões de porte de um Embraer-190, um Boeing 737 ou um Airbus A320. A empresa Azul, com sua subsidiária Azul Conecta, já deu mostras que pretende operar voos entre Vacaria e Porto Alegre nos próximos meses.

Com todas essas coisas boas para fazer a cidade acontecer como polo turístico, Vacaria ainda é tímida nesse setor da economia. Pode muito mais. Por isso esse texto aqui tem a pretensão de dar algumas sugestões para reposicionar a cidade para receber mais turistas. Com isso aumentar o volume de empregos em outras áreas, desde a hotelaria e gastronomia, passando pela manutenção de aeronaves e os serviços em terra de apoio ao voo.

A cidade tem bons hotéis, condizentes com o tamanho da população, de cerca de 80 mil habitantes.

Para começar o negócio, é importante que Vacaria seja mostrada ao mundo. Ok, não precisa ser o mundo em um primeiro momento. Mas, o Brasil precisa entender que o município dos Campos de Cima da Serra tem atrativos muito interessantes, a começar pelo frio – que faz com que todas as casas tenham um lareira ou um fogão a lenha – e pela geografia do lugar. Os Campos de Cima da Serra são uma topografia única, com paisagens de tirar o fôlego. Tudo muito tipicamente gaúcho.

É importante que haja divulgação da cidade nos mais diferentes meios, desde folhetos e cartazes em papel distribuídos em agências de viagens, passando por vídeos em mídias tradicionais e peças nas redes sociais para diferentes públicos.

Vacaria precisa tornar-se mais conhecida.

Também é importante ativar pra valer o aeroporto local, que foi concluído há dez anos e ainda não tem voos regulares. Para isso é importante que a prefeitura de Vacaria e o empresariado local comecem a criar a demanda por voos entre a cidade e a capital dos gaúchos. Quem sabe até um voo para alguma cidade de Santa Catarina?

Ao mesmo tempo em que a cidade for sendo mostrada como destino turístico, o poder público pode caprichar ainda mais na limpeza geral das suas ruas e belas praças. Vacaria tem uma praça linda no Centro da cidade, com uma catedral de pedra monumental, dedicada à Nossa Senhora da Oliveira. Igreja fantástica.

Claro, é bom pensar em alguns festivais e encontros anuais para colocar Vacaria no calendário de eventos de forma mais efetiva. A cidade já faz um rodeio ao estilo gaúcho a cada dois anos nos meses de fevereiro. Mas é preciso mais. Que tal pensar em um evento aeronáutico, do tipo encontro de aviões antigos? Espaço tem.

A cidade tem atrações muito interessantes, especialmente para quem gosta de opções do tipo hotel-fazenda. Há o Capão do Índio, a Fazenda do Socorro, entre outras. Também as iniciativas como a Vinícola Campestre, uma opção luxuosa para quem gosta de descobrir novas fronteiras na enologia, e a fabricação de queijos tipo Grana Padano, da empresa Rasip. A marca tem uma loja às margens da BR-116 com uma grande variedade de queijos, vinhos, massas e azeites, além de outras delícias nacionais e importadas. A loja também vende maçãs de altíssima qualidade.

Pertinho de Vacaria, na divisa dos municípios vizinhos de Bom Jesus e São José dos Ausentes, há uma pousada muito interessante para quem busca o turismo rural. É a Pousada das Flores. Vale a pena conhecer, incluindo o roteiro no passeio pelos Campos de Cima da Serra.

Há muitas possibilidades para incrementar o turismo em Vacaria. É preciso que a cidade queira. E há algumas lideranças empresariais querendo. Basta fazer uma conexão mais efetiva entre elas.

A cidade tem muito a ganhar com o crescimento do turismo, com mais empregos e oportunidades de renda. E o Rio Grande do Sul e o Brasil ganham mais um destino turístico com clima bastante diferenciado, cultura típica e muitas possibilidades na gastronomia e na enologia.