No dia do Jornalista e da Saúde, Amrigs lança prêmio de Jornalismo

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) lançou nesta quarta-feira, dia 7 de abril, Dia do Jornalista e também o Dia da Saúde, a sua edição 2021 do Prêmio Amrigs de Jornalismo. O prêmio tem abrangência nacional e será entregue no final do mês de outubro, quando a associação completa 70 anos de fundação.

O Prêmio Amrigs de Jornalismo faz parte das comemorações dos 70 anos da Amrigs e dos 50 anos da Prova AMB/Amrigs.

Também foi lançado nesta quarta-feira o Prêmio Amrigs de Boas Práticas na Medicina, que vai reconhecer as grandes iniciativas para melhorar o atendimento de quem mais precisa do acesso à saúde.

Nota do Miguelito Medeiros

É com muita alegria que participo do lançamento do Prêmio Amrigs de Jornalismo neste Dia do Jornalista. É uma homenagem a este tipo especial de ser humano que busca contar a história dia após dia.

Gosto de poder ajudar a fazer ações que aproximem os jornalistas da sociedade. Foi assim lá em 2012, quando foi lançado o Prêmio Adpergs de Jornalismo – que está em sua 7ª. edição – junto com o René Klemm e a Patrícia Kettermann.

Agora, com a parceria da Luciana Corso, do Marcelo Matusiak, da Ana Carolina Lopes, do João Pedro Neto e do Rafael Nicacio de Azeredo, sob a liderança do Dr. Gerson Junqueira Jr., estamos revivendo o Prêmio da Amrigs. Já havia tido três edições há mais de dez anos e foi descontinuado. Agora estamos retomando, com muita força e abrangência.

Fazer um prêmio de jornalismo que dure, que seja perene, não é tarefa fácil. É preciso envolver muita gente, convencer, conectar, divulgar e dar importância.

O resultado, no entanto, é maravilhoso.

Jornalistas, participem do Prêmio Amrigs de Jornalismo 2021. Pauta sobre a saúde é o que não falta.

Vitória da sensatez

A segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) prestou um grande serviço à imagem da instituição neste final de semana. Um desembargador de plantão cassou a liminar, concedida na sexta-feira, que impunha um fechamento completo de toda atividade comercial no Rio Grande do Sul. Com o argumento de que fechando tudo o vírus Corona não circula e assim diminui o fator de internações, o juiz de primeira instância resolveu acatar o pedido de diversos sindicatos de esquerda que pediam o trancamento de toda atividade econômica.

Não dá para escrever este texto sem deixar de lado o viés do cuidado com a sua própria imagem que o Tribunal de Justiça gaúcho teve ao reformar a decisão do juiz esquerdista. A corte gaúcha remonta a 1874. É anterior à Abolição da Escravatura, à Proclamação da República e outros fatos históricos importantes.

Caso o Tribunal mantivesse a decisão de fechar todo o comércio, serviço e boa parte de tudo o que as cidades gaúchas fazem, o Tribunal estaria pondo em risco sua imagem secular. Durante a noite de sexta-feira e todo o sábado, logo depois da decisão do juiz, as redes sociais foram inundadas por ameaças de desobediência civil. Centenas de perfis exibiam as postagens nas linhas do tempo das redes sociais do juiz de claro engajamento esquerdista, colocando em xeque todo o teor de sua decisão.

O Tribunal de Justiça ouviu a voz das ruas, apesar de jamais admitir isso. Juízes mais experientes e magistrados trocaram informações durante o final de semana. Era evidente que a manutenção da decisão do fecha-tudo seria o estopim para o desmoronamento rápido de sua imagem.

No domingo à tarde, um desembargador de plantão cassou a liminar do juiz de primeiro grau. Claro, a preocupação com a imagem do tribunal estava latente. Era preciso cuidar “disso daí” com todo o ambiente de crítica que o Judiciário brasileiro, em todos os seus níveis, vem enfrentando.

Na sua decisão, o desembargador colou uma frase de Hely Lopes Meirelles, um dos principais autores do direito administrativo brasileiro clássico. Meirelles nasceu em 1917. Órfão de fazendeiro criado aos trancos e barrancos até ir para a faculdade. Como juiz, já na década de 1940, foi vítima de um atentado. Um fazendeiro, contrariado com a decretação de sua prisão, deu três tiros no então magistrado. Escapou vivo. Deixou uma obra que ajuda muitos juízes e desembargadores na hora da sentença sensata. (Na imagem deste artigo, a reprodução de uma entrevista de Meirelles em 1968; ele está à direita na imagem)

O trecho de Meirelles usado pelo desembargador gaúcho para cessar o fecha-tudo: “só o administrador, em contato com a realidade, está em condições de bem apreciar os motivos ocorrentes de oportunidade e conveniência na prática de certos atos, que seria impossível ao legislador, dispondo na regra jurídica – lei – de maneira geral e abstrata, prover com justiça e acerto. Só os órgãos executivos é que estão, em muitos casos, em condições de sentir e decidir administrativamente o que convém e o que não convém ao interesse coletivo”.

O Tribunal de Justiça mostrou que cuida de sua imagem.

Quase-acidente aéreo mexe com imagem de grande varejista

Na última semana um passeio de helicóptero pelo litoral catarinense quase transformou-se em uma dupla tragédia. O helicóptero poderia ter caído na água, ferindo gravemente seus ocupantes, e uma importante rede de varejo teria sua imagem seriamente arranhada.


O helicóptero de aluguel faz parte da frota de uma empresa de serviços de voos panorâmicos e pequenos deslocamentos na região de Balneário Camboriú.


Como fica estacionado, ou hangarado, em um heliponto das Lojas Havan, o avião de aluguel ostentava em suas laterais a logomarca da empresa de Luciano Hang.


No pouso, gravado por banhistas, o helicóptero tentou por duas vezes pousar em um trapiche de concreto. O lugar era mais estreito que os esquis de aterrissagem do aparelho. Na segunda tentativa, o piloto quase perde o controle do equipamento, com o rotor de cauda rodando a centímetros da água (onde havia gente na beira da praia).
O piloto desistiu da manobra e não pousou no pequeno píer.


Ningúem se feriu. Mas a Havan teve uns quatro dias de problemas em sua imagem corporativa. Ou até mais, pois os vídeos da barbeiragem continuam nas redes sociais.

No mesmo dia, a empresa varejista – que tem três helicópteros e um jato executivo em sua frota particular – apressou-se em dizer que o helicóptero da quase-tragédia não fazia parte do seu patrimônio.


A Havan trocava os serviços de hangaragem do helicóptero de aluguel por publicidade nas laterais do aparelho.

No dia do quase-acidente (que só foi conhecido por ter sido filmado e publicado nas redes sociais), para todo mundo que viu a cena, o fato era que um “helicóptero da Havan quase causa acidente”. Um horror para a imagem da empresa, que está prestes a abrir seu capital na Bolsa B3.

O que falhou?

Houve falha na gestão da imagem da Havan. Com certeza, não foi pensado que o uso da logomarca da empresa em um helicóptero de aluguel pudesse por em risco a imagem institucional da empresa.


E foi o que aconteceu. A princípio, inclusive no vídeo, um homem diz que “perdeu a aposta”. Pode ter sido uma aposta o pouso no pequeno trapiche.

Colocar a marca em coisas que podem dar algum tipo de problema precisa ser pensado pelo marketing de relacionamento da empresa. A decisão deve ser bem pensada e vários aspectos precisam ser avaliados. Inclusive, a qualidade da manutenção da aeronave, no caso em questão.


Às vezes, no entusiasmo de aparecer, o cuidado com a imagem deixa a desejar. É preciso, sempre, avaliar todos os cenários. Até mesmo o pior deles.

O projeto da Amrigs por mais presença, protagonismo e força

A Associação Médica do Rio Grande do Sul (Amrigs) completa neste ano seu 70º. aniversário de fundação. Uma das sociedades médicas mais antigas do Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, a Amrigs está construindo um novo protagonismo e marcando presença neste 2021. A associação passa por um processo de reposicionamento junto às demais entidades médicas do Rio Grande do Sul.

A Amrigs quer ampliar o número de associados e reforçar seu papel de representante da Medicina e da Ciência Médica no Rio Grande do Sul. Além dos seus 70 anos de fundação, a Amrigs também comemora neste 2021 os 50 anos de sua Revista Científica e os 50 anos da Prova da Amrigs, avaliação fundamental para os médicos recém-formados.

À frente de um processo de transformação e reposicionamento que começou em outubro de 2020, quanto tomou posse como novo presidente da Amrigs, está o médico cirurgião Gerson Junqueira Jr. Especialista renomado em cirurgia do aparelho digestivo, Junqueira aceitou o desafio de ampliar o número de associados e recolocar a Amrigs como destaque entre as entidades que defendem a medicina. Além, é claro, de oferecer posicionamentos que sirvam de orientação para os médicos e comunidade em geral.

O novo posicionamento da Amrigs vem baseado na busca de protagonismo, de mais presença e ações voltadas para o fortalecimento da entidade. Tudo voltado para a busca de mais associados. A articulação com os poderes instituídos, com políticos, representantes de classe e imprensa faz parte do protagonismo apresentado durante a campanha para a presidência da entidade, durante o mês de agosto de 2021.

Presença e força são buscadas nas ações de aproximação com a imprensa, participação de fórum onde é discutida a medicina e, especialmente, na atração do interesse para a sede da Amrigs. Em 2021, nos dois turnos da eleição municipal de Porto Alegre, o Teatro da Amrigs cedeu seu palco para o debate entre os prefeituráveis.

Em tempo de Pandemia, sem dúvida que o conjunto maior de ações da Amrigs tenha sido o combate à Covid-19. Desde dezembro, quando as primeiras vacinas contra o coronavírus foram apresentadas ao mundo, a Amrigs tem feito campanha pela vacinação de todos. Claro, não há vacinas para toda população. Então, a entidade intensificou campanha institucional para que os profissionais da saúde tivessem a primazia na vacinação.

No dia 6 de fevereiro, um sábado de calor em Porto Alegre, a Amrigs, com seu belo prédio e seu amplo estacionamento acolheu mais de três mil profissionais da saúde para receber a vacina, fornecida pela Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre. Além de médicos, foram vacinados profissionais de enfermagem, psicólogos e fisioterapeutas. A prioridade eram os maiores de 65 anos. Foi um sucesso. Junto com Conselho Regional de Enfermagem, Unimed Porto Alegre e Exército Brasileiro, A Amrigs tornou-se um dos maiores pontos de vacinação do Brasil em um único dia.

O protagonismo, a presença e a força são os pontos que norteiam a nova direção da Amrigs. Dentro de um projeto envolvendo marketing, comunicação e política, a entidade vai comemorar seus 70 anos em grande estilo, torcendo por mais brasileiros vacinados contra o coronavírus.  

Diretoria

A Amrigs tem na sua diretoria uma eficiente e participativa equipe de médicos nas mais diversas áreas de atuação. Além do presidente Junqueira, a diretoria tem como Vice-presidente Paulo Morassutti, e os diretores Breno José Acauan Filho (Finanças), Dilma Maria Tonoli Tessari (Integração Social), Dirceu Francisco de Araújo Rodrigues (Administrativo), Guilherme Napp (Científico e Cultural), João Luiz Cavalieri Machado (Patrimônio e Eventos), João Rogério Bittencourt da Silveira (Assistência e Previdência), Marcos André dos Santos (Comunicação), Ricardo Moreira Martins (Exercício Profissional) e Rosani Carvalho de Araújo (Normas). O Conselho de Representantes, presidido por Mauro Sparta, atual Secretário Municipal de Saúde de Porto Alegre, também tem atuação decisiva para o novo momento da Amrigs.

(Por Miguelito Medeiros. Na foto, o presidente da Amrigs, Gerson Junqueira Jr.)

Taxar aplicativos de transporte não é bom

A prefeitura de Pelotas, no Rio Grande do Sul, quer taxar os aplicativos de transporte com um imposto municipal. Sim. O município quer tirar um tanto do ganho dos motoristas de Uber, 99, Garupa, Cabify e outros sistemas de compartilhamento de caronas que tanto se popularizaram no mundo nos últimos cinco anos.

A intenção da prefeitura pelotense é criar um imposto municipal que incida sobre a atividade. A ideia vai onerar as corridas, tornando mais cara a alternativa para quem antes só usava táxi, ônibus ou bicicleta. É bom lembrar que mesmo pessoas que têm carro usam os serviços de aplicativos por serem mais baratos e econômicos em determinadas circunstâncias.

Andar de aplicativo é mais barato, em algumas vezes, do que pagar uma passagem de um ônibus de linha. Ainda mais se a viagem for dividida com outras pessoas que vão para o mesmo destino.

Isso todo mundo já sabe.

O que pouca gente se dá conta é há um olho grande, uma espécie de sanha arrecadatória para cima dos aplicativos de transporte e seus motoristas.

Ora, taxa os Uber, 99 e afins é um absurdo.

Primeiro porque é a criação de mais um imposto. Brasileiro já é mordido demais por impostos.

Segundo porque o combustível, o principal custo da atividade, já é tributado em cerca de 44% (dependendo do estado do Brasil). Quase metade do preço da gasolina fica para o governo.

E o terceiro motivo é que as corridas por aplicativo democratizaram o transporte. Ficou muito mais fácil para quem em renda baixa se deslocar com segurança pela cidade.

Não dá para querer taxar os aplicativos. Ainda mais porque eles fazem parte de uma revolução no transporte público que está melhorando as cidades. São menos carros e ônibus nas ruas, menos poluição, menos engarrafamentos e menos acidentes.

Ter carro ainda é o desejo de muita gente. E vai continuar sendo. Nesta pandemia, a dificuldade imposta pelo medo do contágio e pelo distanciamento social obrigaram as pessoas a ficarem mais tempo dentro do carro, caso precisassem sair por aí para trabalhar. Muita gente fez do carro seu escritório ou sua base operacional.

No entanto, na cidade, ter carro representa uma série de custos que muitas vezes se mostram irracionais. Ou mesmo o uso do próprio carro. O negócio – e isso os aplicativos têm mostrado com maestria – é ter o carro, caso queira, e usar outros meios de transporte para os deslocamentos nas cidades. Deixando o próprio veículo para passeios, emergências, saídas eventuais.

Aplicativos de transporte não devem ser taxados. Aliás, devem ser desregulamentados cada vez mais. Que sejam abertas as portas também para os ônibus gerenciados por aplicativos e dirigidos por motoristas autônomos.

Reino Unido sai da União Europeia. Retoma seu pragmatismo político e sua independência

Depois de muita negociação, conversas, críticas, elogios, choros e sorrisos, o Reino Unido deixou neste primeiro dia de 2021 de fazer parte da União Europeia. Grã-Bretanha e Irlanda do Norte faziam parte do grande acordo aduaneiro e político desde 1973. Em 2016. Um plebiscito perguntando se os habitantes queriam continuar na União Europeia decidiu pela saída do bloco. Por 52% a 48%, os habitantes do Reino Unido preferiram “sair” da Europa, ficando livres para decidir seus caminhos políticos.

Ficar “livre” para decidir seus caminhos políticos significa à maioria dos moradores do Reino Unido deixar de submeter-se aos desígnios ditados pela burocracia comunitária instalada em Bruxelas, na Bélgica. A cidade belga é sede da Comissão Europeia, entidade supranacional toda-poderosa instituída em 1958, como o resultado da Comunidade do Aço e do Carvão, iniciada em 1951.

A história do Brexit, da saída dos britânicos da Europa neste primeiro ano de 2021 precisa retroceder 70. Em 1951. França e Alemanha, rivais europeias históricas que fizeram pelo menos três guerras em menos de 100 anos, decidiram melhorar a relação e constituir uma união para tornar comuns as produções de aço e carvão dos dois países. Juntaram-se às duas nações Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda. Este foi embrião da União Europeia como conhecemos hoje, com seus 27 países e boa parte deles usando o Euro como moeda comum.

O Reino Unido demorou quase vinte anos para entrar na Comunidade. O fez em 1973. Apesar de participar da união aduaneira, nunca adotou o Euro como moeda. Preferiu ficar usando sua tradicional Libra. Países como Alemanha, Itália, França, Espanha, Portugal e Grécia, entre outros, deixaram para a história suas lendárias moedas. Em 1999, para dar lugar à moeda europeia, deixaram de circular o Marco, a Lira, o Franco, a Peseta, o Escudo e o Dracma, respectivamente os dinheiros alemães, italianos, franceses, espanhois, portugueses e gregos.

Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales nunca se sentiram europeus, de fato. Nas duas grandes guerras do século 20, britânicos sempre olharam para a Europa como um continente separado de suas ilhas, como geograficamente são. Nos dois grandes conflitos iniciados na Europa e espalhados pelo mundo, britânicos viram o continente deixar-se tomar pelas forças de ocupação, especialmente as alemãs. Ainda viva na memória estava a tomada do continente pelas forças francesas de Napoleão, ainda no início do século 19. Nas três ocasiões, o Reino Unido viu-se compelido a agir contra a invasão e a derrubada de fronteiras dentro do continente. Precisava agir, pois a força de quem ganhava as batalhas na Europa poderia tomar, em pouco tempo, as ilhas britânicas.

Nos três episódios, tanto na expansão napoleônica, quanto nas duas guerras mundiais do século 20, a Inglaterra juntou forças e foi vitoriosa. Mesmo na Segunda Grande Guerra, quando precisou fortemente da ajuda norte-americana para derrotar as tropas do nazismo. O Reino Unido saiu melhor das guerras. Ou, pelo menos, vivo. No pós-guerra do século 20, nos anos de 1940 e 1950, o Império Britânico deixou de ser império e muitas dos seus territórios no Caribe e no Pacífico foram repassados aos Estados Unidos.

Voltando ao plebiscito de 2016. Os habitantes do Reino Unido decidiram por não ficar mais sob o jugo e o mando da Comissão Europeia. Quem há menos de um século era um império (“O Império onde o Sol nunca se põe”), queria voltar a, pelo menos, ser dono do seu nariz sem precisar dar satisfações à burocracia de Bruxelas.

Entre o plebiscito de 2016 e a saída definitiva no primeiro dia de 2021, houve muita discussão entre os ingleses em si, e entre ingleses e os “europeus” do continente, representados pela Comissão Europeia. Além da questão política, onde o Reino Unido deixa de fazer parte de uma unidade supranacional importante no cenário das nações, há todo um arcabouço econômico e financeiro que deixa de existir entre Reino Unido e Europa. Haverá a limitação de circulação de pessoas, de mercadorias e os transportes vão deixar de ser facilitados.

No entanto, apesar das dificuldades aparentes, os ingleses que optaram por sair da União Europeia veem o Brexit como oportunidade de governar a si mesmo sem a interferência de uma autoridade em Bruxelas, na Bélgica. Questões como a imigração dos norte-africanos, o combate ao terrorismo e a relação com outros países estão agora mais “na mão” dos ingleses. Agora a decisão e a responsabilidade é deles.

Na prática, agora não há mais as permissões automáticas para os imigrantes entrarem no Reino Unido, britânicos e europeus precisarão de passaportes para as viagens, além de seguros de saúde e demais documentos específicos. Tudo isso, até a última semana de dezembro de 2020 eram comuns da União Europeia.

Com a saída da União, o Reino Unido já assinou acordos comerciais com Japão, Canadá, Suíça, Singapura, México, Chile e está negociando cartas de intenções com Austrália e Nova Zelândia.

A saída da União Europeia tem muito a ver com a natureza pragmática que conduziu a política durante todo o crescimento e o auge do Império Britânico. Esse sentimento pragmático ficou um pouco adormecido entre os anos de 1990 e 2010, mas ressurgiu com força a partir de 2015. Tal sentimento já fora escrito por um primeiro-ministro inglês, William Gladstone, em carta à Rainha Vitória em 1869:

“À Inglaterra deve reter em mãos os meios de avaliar as próprias obrigações quanto aos vários estágios de fatos, à medida que ocorram; não deve limitar-se ou privar-se de suas própria liberdade de escolha em virtude de declarações feitas a outras potências, no real ou no suposto interesse destas, do qual eles queriam ser, no mínimo, intérpretes conjuntos”.

Há muito tempo, os ingleses querem ser senhores de seus destinos. E não abrem mão disso, apesar do plebiscito ter mostrado uma votação apertada em 2016.

Záchia na secretaria de Mobilidade de Porto Alegre. Um grande acerto do novo prefeito

Luiz Fernando Záchia, ex-deputado estadual, ex-secretário de estado de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais e ex-chefe da Casa Civil do Governo Estadual, foi o escolhido pelo prefeito eleito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) para ser o secretário Municipal de Mobilidade Urbana.

Záchia é sujeito certo para uma das pastas mais espinhosas da administração de Porto Alegre. Espinhosa, difícil, ardida e complexa. Ainda mais que o assunto transporte público coletivo rodoviário tem tudo para dar muito pano para a manga nos próximos anos. Começando já no ano que vem.

O sistema de transporte coletivo de Porto Alegre tem um desafio à frente: manter-se sustentável num momento em que há uma diminuição constante de passageiros ano a ano. Com a pandemia de Covid-19, a situação só piorou. O trabalho remoto em casa, a busca pelo transporte individual, de bicicleta, moto ou carro para fugir do perigo do contágio, também contribuíram para os problemas para os diretores das empresas de ônibus.

Vai ser preciso muita conversa, encontros, diálogos, composições, para que o modelo atual de concessões de linhas de ônibus – falido – seja substituído por algo mais adequado aos novos tempos. Há uma série de alternativas para o transporte coletivo. Pensar seriamente na solução para o transporte de massa em Porto Alegre e Região Metropolitana passa pelas oportunidades dos aplicativos de aluguel de ônibus. Os chamados “Uber dos ônibus” podem fazer parte da paisagem urbana e reduzir o estresse no sistema.

Záchia foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em 2006 liderou um movimento chamado Pacto Pelo Rio Grande, que reuniu diversas lideranças políticas gaúchas, de todos os matizes, para debater e pensar no futuro do Estado para os próximos anos. Foi um momento histórico da política no Pampa.

E essa capacidade de diálogo que Záchia vai trazer para o ambiente do debate do transporte público em Porto Alegre. Ele sabe das coisas. Há mais de vinte anos estuda, busca informações e se envolve com assuntos que tratam da mobilidade urbana. É um cara que conhece trens e metrôs em diversas partes do mundo. Sabe da necessidade de tirar um pouco de pneus das vias urbanas. É preciso cavar túneis para trens, metrôs e veículos leves sobre trilhos. Sem isso, insistir apenas em ônibus vai ser um erro. É empurrar o problema com a barriga.

Grande Záchia. Porto Alegre precisa da tua capacidade de diálogo e do teu conhecimento sobre o transporte público.

Sugestões para incrementar o turismo na cidade de Vacaria

O texto a seguir é uma reflexão sobre como a cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, pode vir a incrementar sua receita com um fluxo maior de turistas.

A cidade de Vacaria fica na região nordeste do Rio Grande do Sul, na parte dos Campos de Cima da Serra, onde a altitude média fica na casa dos mil metros acima do nível do mar. Vacaria está completando 170 anos de emancipação política. Até 1850 fazia parte do extenso município de Santo Antônio da Patrulha. O nome Vacaria vem das enormes quantidades de gado bovino que passavam pela localidade, um importante entreposto de animais de corte em todo século 19.

De cruzamento de dezenas de rotas por onde passavam tropeiros, Vacaria hoje é uma cidade com uma economia baseada na plantação de maçãs e soja. A cidade tem um comércio diversificado, animado e, em boa parte, voltado para atender as necessidades de quem trabalha no campo. São dez concessionárias de tratores de diferentes marcas, desde as tradicionais norte-americanas como as novíssimas LS, da Coreia do Sul, e a indiana Mahindra.

Vacaria é uma cidade fria. Uma das mais frias do Rio Grande do Sul. A figura do gaúcho, com sua indumentária típica incluindo a bombacha, as botas, o lenço e o chapéu, em Vacaria tem a presença atávica da capa de lã, do poncho, do capote.

Em 2013 a cidade registrou uma nevasca. Uma formação de neve de verdade, que durou várias horas durante uma noite de inverno.

A cidade é cortada por duas rodovias federais, a BR-116 e a BR-285, além de ter seu mapa riscado por uma linha férrea de carga regular. Para completar a boa situação logística, Vacaria dispõe de um aeroporto, ainda não operacional, capaz de receber aviões de porte de um Embraer-190, um Boeing 737 ou um Airbus A320. A empresa Azul, com sua subsidiária Azul Conecta, já deu mostras que pretende operar voos entre Vacaria e Porto Alegre nos próximos meses.

Com todas essas coisas boas para fazer a cidade acontecer como polo turístico, Vacaria ainda é tímida nesse setor da economia. Pode muito mais. Por isso esse texto aqui tem a pretensão de dar algumas sugestões para reposicionar a cidade para receber mais turistas. Com isso aumentar o volume de empregos em outras áreas, desde a hotelaria e gastronomia, passando pela manutenção de aeronaves e os serviços em terra de apoio ao voo.

A cidade tem bons hotéis, condizentes com o tamanho da população, de cerca de 80 mil habitantes.

Para começar o negócio, é importante que Vacaria seja mostrada ao mundo. Ok, não precisa ser o mundo em um primeiro momento. Mas, o Brasil precisa entender que o município dos Campos de Cima da Serra tem atrativos muito interessantes, a começar pelo frio – que faz com que todas as casas tenham um lareira ou um fogão a lenha – e pela geografia do lugar. Os Campos de Cima da Serra são uma topografia única, com paisagens de tirar o fôlego. Tudo muito tipicamente gaúcho.

É importante que haja divulgação da cidade nos mais diferentes meios, desde folhetos e cartazes em papel distribuídos em agências de viagens, passando por vídeos em mídias tradicionais e peças nas redes sociais para diferentes públicos.

Vacaria precisa tornar-se mais conhecida.

Também é importante ativar pra valer o aeroporto local, que foi concluído há dez anos e ainda não tem voos regulares. Para isso é importante que a prefeitura de Vacaria e o empresariado local comecem a criar a demanda por voos entre a cidade e a capital dos gaúchos. Quem sabe até um voo para alguma cidade de Santa Catarina?

Ao mesmo tempo em que a cidade for sendo mostrada como destino turístico, o poder público pode caprichar ainda mais na limpeza geral das suas ruas e belas praças. Vacaria tem uma praça linda no Centro da cidade, com uma catedral de pedra monumental, dedicada à Nossa Senhora da Oliveira. Igreja fantástica.

Claro, é bom pensar em alguns festivais e encontros anuais para colocar Vacaria no calendário de eventos de forma mais efetiva. A cidade já faz um rodeio ao estilo gaúcho a cada dois anos nos meses de fevereiro. Mas é preciso mais. Que tal pensar em um evento aeronáutico, do tipo encontro de aviões antigos? Espaço tem.

A cidade tem atrações muito interessantes, especialmente para quem gosta de opções do tipo hotel-fazenda. Há o Capão do Índio, a Fazenda do Socorro, entre outras. Também as iniciativas como a Vinícola Campestre, uma opção luxuosa para quem gosta de descobrir novas fronteiras na enologia, e a fabricação de queijos tipo Grana Padano, da empresa Rasip. A marca tem uma loja às margens da BR-116 com uma grande variedade de queijos, vinhos, massas e azeites, além de outras delícias nacionais e importadas. A loja também vende maçãs de altíssima qualidade.

Pertinho de Vacaria, na divisa dos municípios vizinhos de Bom Jesus e São José dos Ausentes, há uma pousada muito interessante para quem busca o turismo rural. É a Pousada das Flores. Vale a pena conhecer, incluindo o roteiro no passeio pelos Campos de Cima da Serra.

Há muitas possibilidades para incrementar o turismo em Vacaria. É preciso que a cidade queira. E há algumas lideranças empresariais querendo. Basta fazer uma conexão mais efetiva entre elas.

A cidade tem muito a ganhar com o crescimento do turismo, com mais empregos e oportunidades de renda. E o Rio Grande do Sul e o Brasil ganham mais um destino turístico com clima bastante diferenciado, cultura típica e muitas possibilidades na gastronomia e na enologia.

Sobre posicionamento de campanha: casos de três cidades gaúchas e a capital paulista

Campanha política curta, com calendário eleitoral alterado pelo Corona vírus e a doença impedindo a aglomeração de pessoas. Campanha sem aperto de mão, sem abraço, sem conversa ao pé do ouvido. Foi a campanha das redes sociais na internet e do caminhão de som nas ruas.

O posicionamento correto, mesmo com algumas derivações e calibragens no decorrer do curto período entre o primeiro e o segundo turno – duas semanas – foi o fator decisivo em quatro campanhas neste 29 de novembro.

A começar por São Paulo. Bruno Covas (PSDB) tornou-se o primeiro prefeito reeleito da capital paulista. Mesmo com um duro golpe no comércio da cidade, com fechamento de tudo em diversos períodos da pandemia, incluindo soldagem das fechaduras de lojas, Covas foi bem avaliado pela população. Ele foi o “cara que deu limites”, o “cara que cuidou da cidade” nos momentos mais duros da incerteza da doença. Ainda há quem diga que o fechamento em São Paulo passou dos limites do aceitável. Mas Bruno Covas e o seu PSDB souberam se posicionar com o cuidado e ganharam no segundo turno.

O mesmo posicionamento de cuidado foi o fator de sucesso para a prefeita Paula Mascarenhas, da cidade gaúcha de Pelotas. Paula (PSDB), quase havia ganho no primeiro turno. Faltou bem pouco para carimbar mais quatro anos no dia 15 de novembro. A exemplo de seu correligionário paulista, Paula também apertou no fechamento da cidade durante a pandemia. Em um final de semana no inverno, chegou a usar a Guarda Municipal e a Brigada Militar para fiscalizar um toque de recolher na cidade.

O mesmo posicionamento, a mesma percepção que a cidade teve de “prefeita cuidadora”, foi fator importante para a reeleição da prefeita. Claro, há a política, a militância, o engajamento e a máquina pública na mão. Mas o posicionamento foi muito, mas muito importante.

Em outra cidade gaúcha, na linha dos exemplos anteriores de São Paulo e Pelotas, Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, também teve o PSDB enfrentando a esquerda e ganhando. Em Caxias do Sul, com um fato relevante: Adiló di Domenico (PSDB), foi para o segundo turno atrás de Pepe Vargas (PT). O petista já havia governado a cidade serrana por dois mandatos no início dos anos 2000. Nesta campanha, Pepe posicionou-se trazendo a figura de Bolsonaro para seu discurso e falando em cultura e inclusão das periferias. Já Adiló posicionou-se como um sujeito identificado com um tema caro aos caxienses: o trabalho. Adiló, no segundo turno, abusou do tema, falando do acordar cedo, dormir tarde e não ter medo da lida, do trabalho. Pronto. Foi indo, foi indo e virou no segundo turno. Mais um tucano prefeito em uma cidade importante do interior gaúcho. PSDB ganhou também em Novo Hamburgo e Santa Maria, ambos municípios com reeleições de prefeitos tucanos.

O posicionamento claro foi importante nos casos de Covas, Paula e Adiló. Importante e vencedor.

Em Porto Alegre, ao contrário, dos exemplos anteriores, o prefeito tucano Nelson Marchezan Jr. não conseguiu a reeleição, apesar de ter um governo, do ponto de visto da gestão e da zeladoria da cidade, muito bom. Mas, Marchezan foi para a disputa com o carimbo na testa de um sujeito que briga com todo mundo e que teria deixado de lado a política. Em determinado momento da campanha, ainda no primeiro turno, Marchezan precisou calibrar o seu posicionamento pautado pela percepção nas ruas. “Brigo contra os conchavos e a velha política”, repetiu Marchezan. “Brigo mesmo”. Pronto, o posicionamento de brigão, mesmo contra sua vontade, tomou conta rapidamente da percepção de como o povo o via.

Não deu outra; o tucano ficou em terceiro e deixou o emedebista Sebastião Melo disputar com a comunista Manuela D´Ávila.

No segundo turno, mas uma reflexão sobre posicionamento. Melo aproveitou de sua condição de migrante, vindo do Centro-Oeste para tentar a vida em Porto Alegre no final da década de 1970, de cara que trabalhou para pagar os estudos e venceu. Além de ser o cara que trabalha pela cidade, para resolver os problemas e “tocar o serviço”. Conseguiu se firmar assim.

Já Manuela, candidata pela terceira vez ao cargo, preferiu centrar seu discurso nas mulheres, no empoderamento feminino e em oportunidades para a periferia. Ficou assim um bom tempo, até poucos dias antes da eleição no segundo turno. Faltando poucos dias para o domingo da eleição, Manuela acoplou no seu discurso a crítica ao racismo e ao presidente Jair Bolsonaro. Não colou. Seu posicionamento esboroou-se e viu o oponente Melo ganhar a eleição.

Quatro casos em que o posicionamento estratégico, a percepção que as pessoas têm das candidaturas e a forma como a imagem fora comunicada tiveram papel preponderante nesta eleição.

Em Canoas (RS), eleitor escolheu o cara cuidador que promete crescimento econômico

Canoas escolheu o prefeito que prometeu recuperação econômica e cuidado com as pessoas. A eleição municipal deu a vitória ao candidato Jairo Jorge (PSD) que já foi prefeito por dois mandatos entre 2009 e 2016. A população desalojou o PTB do atual prefeito Luiz Carlos Busato, que focou sua campanha em ataques ao oponente. Mesmo com números positivos na segurança e na educação, Busato não soube comunicar as melhorias apresentadas por seu governo.

A perda da prefeitura pelo PTB, além da diminuição das cadeiras do partido na Câmara Municipal, de cinco para três vereadores, mostra um desgaste sistêmico do partido do qual Busato é presidente estadual. Conhecido por ser um político que nunca perdeu nada desde que se elegeu vereador em 2004, Busato foi perdedor. Seu candidato em Porto Alegre, teve a candidatura cassada por um erro material na inscrição do candidato a vice. Erro infantil.

O desgaste sistêmico do PTB foi uma fadiga de narrativa. Causada, talvez na sua origem, quando Busato nomeia para ser seu Secretário de Comunicação o próprio filho. Cantor do estilo sertanejo universitário, Rodrigo Busato (que até então usava o nome artístico de Rodrigo Ferrari), iniciou o mandato como um dos principais secretários do município. Além de ser nepotismo, mesmo com acrobacias jurídicas que o garantiram na vaga, sua nomeação atrapalhou o fluxo de poder dentro da estrutura de governo. Era muito difícil um secretário de outra área criticar a comunicação. Soaria como uma crítica ao próprio prefeito.

A atuação de Busato como prefeito e como zelador da cidade foi relativamente boa. No entanto, acoplou iniciativas de gosto duvidoso, como a cobertura de uma cancha de laço, uma escultura esquisita na lateral de uma obra ao largo da linha do trem no centro da cidade, entre outras.

Busato não soube se comunicar com seus eleitores. Não tinha política de comunicação e não estabeleceu porta-vozes para retumbar seus feitos como prefeito. Nos últimos dias da campanha, ainda no primeiro turno, a bagunça da comunicação se tornou evidente. Seu secretário municipal de governo e presidente do PTB em Canoas foi para as redes sociais falar mal de Jairo Jorge. No segundo turno, até um bloquinho de carnaval improvisado, com dezenas de funcionários em cargos de comissão vestindo camisetas pretas, foi “pensado” pelo presidente do PTB canoense.

Um desastre.

Do outro lado, Jairo Jorge, o vencedor, sempre apostou na narrativa de retomada do crescimento, e no cuidado dos canoenses que mais precisam de ajuda. Jairo Jorge, jornalista, tarimbado na oratória e um ás na estratégia, nadou de braçada. Soube articular uma aliança grande, que ficou ainda maior no segundo turno. Conseguiu a proeza de trazer para seu lado o vereador reeleito com a maior votação desta eleição. Márcio Freitas (PDT), fez campanha para Busato no primeiro turno e cambou de lado para Jairo no segundo turno. Além de vereadores do MDB e outras lideranças importantes. Deixou Busato e seu presidente do PTB sem estratégia, sem rumo, mas com uma imponente máquina de campanha.

Potência não é nada sem controle, como já dizia o slogan da Pirelli.

A população apostou na figura do prefeito presente, cuidador e dono de um projeto de crescimento. Tal narrativa foi o suficiente para ganhar a eleição.

Além disso, Jairo Jorge conseguiu consolidar seu aggiornamentto, sua atualização política. De petista raiz, o prefeito eleito de Canoas havia passado pelo PDT e, por último, acertou com o partido de Gilberto Kassab, o PSD.

Jairo Jorge ganhou porque soube aproveitar sua imagem de prefeito cuidador de sua gente. Busato perdeu porque não soube se comunicar.