Líder ideal: o segredo é oito em um

 

 

Liderar é uma tarefa de total relevância para o sucesso de uma empresa ou organização. Conheça oito tipos de liderança capazes de alavancar os negócios ou mesmo desbancá-los por completo

 

Por Andréa Spalding, na Revista AGAS (julho/agosto 2013)

 

Ser um líder e saber comandar uma equipe é tarefa mais do que essencial, porém difícil e de muita responsabilidade. Dependendo do perfil de quem estará à frente do grupo, a corporação pode ou não ter sucesso, avançar e crescer ou estacionar e até falir. E, para quem se tenha uma ideia do quão importante é a forma de exercer a liderança, nada melhor do que a palavra de especialistas no assunto. Apresentamos, a seguir, um diagnóstico das características que cada diferente tipo de líder apresenta, além do que significa ser um líder e um chefe na vida das pessoas e da sua importância no dia a dia da empresa, seja ela do ramo e do tamanho que for.

André Tadeu, consultor, palestrante, dramaturgo e autor do livro Que tipo de líder é você na empresa? Um check-up divertido de seu perfil de liderança, publicado pela Qualitymark Editora, afirma que o líder é aquele que influencia e desenvolve pessoas, enquanto o chefe é simplesmente uma pessoa que ocupa um cargo hierárquico, acima das outras. “O chefe, depois que deixou de ser chefe, não significa nada para quem trabalhou com ele. Já o grande líder, aquele que desenvolve pessoas, marca para sempre a vida de quem atuou com ele, porque mostra para os indivíduos que eles têm potenciais que nem imaginavam ter. então, esses são os líderes inesquecíveis”.

Com uma série de características diferentes, os oito perfis de liderança apresentados a seguir mostram, de acordo com Bernardo Entschev – CEO da De Bernt Entschev Human Capital com 27 anos de atuação no mercado -, que o líder é a pessoa que dá o foco, o caminho e o ritmo, mesmo havendo pessoas de alta performance na equipe. “Digo, sem medo de errar, que toda e qualquer companhia tem de ter uma liderança. Alguém precisa tangibilizar o objetivo da empresa e, para isso, tem que pegar nas mãos o MVV (missão, visão e valores) da corporação, justamente para que essa missão e consequentemente os objetivos da companhia sejam atingidos”.

Conforme Bernardo, não existe um tipo de liderança perfeita. “Todos têm prós e contras. E cada líder terá, sempre, um tipo como esqueleto principal. O segredo da liderança de sucesso é a pessoa ter um pouco de cada um dos perfis, não tendo um único estilo dominante. Mas isso é difícil, pois a maioria dos líderes tem apenas alguns traços muito marcantes, tanto nas qualidades como nos defeitos”, enfatiza.

Justamente por isso, André Tadeu destaca que trabalha bastante com o conceito de liderança situacional: capacidade que cada um tem de influenciar pessoas dentro de determinado objetivo e situação. Cada um dos oito perfis de líder pode ser eficaz, dependendo da situação. Assim, a habilidade de se adequar e de dar a mensagem certa, o estímulo certo, para a pessoa certa na hora certa é que faz de alguém um grande líder. Segundo Tadeu, o indivíduo primeiro tem que ser um líder automotivado, e depois tem que conseguir ler o outro e ler os grupos. Ou seja, ter percepção.

“Costumo dizer que a pessoa que tem grande competência interpessoal ou empatia é aquela pessoa que vai a uma festa onde só tem amigos de seu amigo, o que quer dizer que ela não conhece ninguém, e numa conversa de duas horas, ela decifrou todas as relações do grupo. Quem é amigo de quem, quem compete com quem e assim por diante. Há pessoas que conseguem ter essa leitura de um grupo muito rapidamente, sabendo usar isso. S não souber o que fazer com essa leitura do que as pessoas precisam naquele momento para chegar ao objetivo, ninguém líder”, evidencia a o escritor.

Conheça a seguir as diferenças de cada um dos oito tipos de líderes, seus pontos fortes e fracos.

Autocrático

É o ditador. “Façam o que eu quero e do jeito que eu mando”. É o tipo de liderança mais antigo. O líder com este perfil é centralizador, tem a solução para tudo, não consulta seus pares nem equipes. Só ele tem a opinião, não abrindo espaço para o diálogo. Ele diz como tem que ser feito e a equipe só executa. Geralmente, tem uma disciplina rígida, exigindo o mesmo dos times. É uma pessoa dominadora. Eventualmente, recebe elogios, porém tem bem mais críticas a seu respeito. Como benefícios, este tipo de líder tem apenas a disciplina rígida e a execução milimétrica de ordens, já que é um cobrador.

Esta performance pode ser encarada por não se ter diversidade no pensamento, ou seja, não se tem inovação. E, se este líder não sabe o que fazer, por exemplo, em alguma situação, a empresa ou aquele setor especificamente para, porque ninguém mais tem a resposta – e não pode ter mesmo, em razão de sua postura. É um perfil bastante difícil e incompleto para trabalhar, sendo um estilo de liderança geradora de dissonâncias. Faz mais mal que bem, no geral.

Paternalista

Tipo de liderança muito comum no Brasil, justamente pelo fato de se ter inúmeras empresas que são familiares em sua concepção. Algumas acabam, infelizmente, fechando, muitas vezes por causa da postura de liderança adotada. A forma de pensar é: “já que sou o fundador ou o líder, vou proteger minhas equipes”, tendo um lado por demais compreensivo e de amizade, inspirando confiança nessas pessoas. É uma postura assistencialista do líder com seus liderados. É uma relação de pai e filho, tendenciosa. Quando o líder diz que ele não tá indo tão mal, a verdade por trás desta fase é que ele não atingiu a meta, e, se não atingiu, não deveria ter os méritos ou ganhar igual aos que atingiram. O lado positivo deste tipo de liderança é normalmente a retenção de profissionais na empresa. No entanto, se o líder protege a equipe mesmo ela não indo muito bem, os resultados passam a não ser tão positivos, correndo o risco de ser parcial, gerando instabilidade.

Liberal

Tem o perfil bonzinho, que pede a opinião de todos, e, merecendo ou não, deixa suas equipes se autogerenciarem. Quer agradar a todos, ser amado e admirado. Se todo mundo faz o que quer, ninguém segue o objetivo necessário. É uma gestão muitas vezes confusa, porque, em um grupo, as opiniões são diferentes de um para outro. Esse tipo de liderança pode perder o foco do que fazer. Um líder que só agrada a todos, mas não é o exemplo, deixa as equipes sem estímulo, gerando insegurança, justamente pelo excesso de liberalidade. Basicamente, essa liderança só funciona quando se têm equipes extremamente maduras, de alta performance, ou seja, autogerenciáveis, consideradas fora do padrão.

Dirigista

Os liderados têm que concordar imediatamente com o líder. É orientado à confecção de objetivos e tarefas, havendo um controle emocional importante. Existe também uma pitada de autoritarismo: “Faça o que eu lhe digo”, sem que a equipe tenha opção de pensar. Apesar do controle emocional existente, acaba destruindo o orgulho das pessoas e a motivação dos times. Esse tipo de postura só deve ser usado em momentos críticos de enorme crise na organização. É como numa situação de guerra, que não dá tempo para o soldado pensar nem inovar. Aí o líder tem que dizer “faz assim”, “ataca aqui”, “resolve isso”, sendo a única situação em que esse tipo de liderança se encaixa bem. Caso contrário, são gestões ineficazes.

Justo

É um líder ouvidor, escuta seus colaboradores. Toma as decisões depois de ponderar ambos os lados, sempre abrindo as informações para as partes envolvidas, Geralmente é generoso no sentido de explicar em detalhes o porquê, pois quer que as pessoas entendam a tomada de decisão, tratando as pessoas com muito respeito. Porém, alguns estudos acadêmicos mostram que os mais justos nem sempre costumam subir muito na profissão. O muito tempo dedicado às pessoas tem um custo, a velocidade, fazendo com que muitas vezes o líder não consiga brilhar para o seu superior por causa desse tempo que leva com as pessoas.

Relacional

São líderes voltados às pessoas. É comum encontrar esse tipo de líder em áreas de Recursos Humanos. São pessoas extremamente comunicativas, simpáticas, acolhedoras, carismáticas, amistosas, que criam uma atmosfera de segurança. As pessoas da equipe confiam no que este líder diz, pois ele sempre está conversando com todos. Parece legal, mas geralmente é um líder que foge dos problemas. Ele conversa, mas não encara os conflitos ou desafios grandes e complicados de frente. Normalmente, é identifica como missionário, não como empreendedor. Uma pessoa com esse perfil dificilmente se torna o presidente da empresa. Isso acontece pelo fato de ser alguém que se dá bem com todos, que gera uma segurança grande, mas não consegue transmitir que ele é “o cara”, que poder ser a pessoa que levaria toda a organização para frente. Normalmente, não é o número 1.

Visionário

Faz as pessoas segui-lo por admiração. Ele inspira as pessoas, pois consegue enxergar bem o negócio, inclusive a seu próprio respeito, que os outros não conseguem. Ele normalmente não manda, mas induz a equipe a fazer. É um líder que faz com que as pessoas comprem o sonho da empresa. O problema nesse tipo de liderança é que as pessoas podem ficar dependentes, pois, se ele sai da empresa pode se ter aí um grande problema. Todos só acreditavam nele, sendo, assim, difícil de trocar um visionário. Se o próximo líder não conseguir inspirar a equipe da mesma maneira, acaba gerando insatisfação e resultados negativos, pois as pessoas podem achar que agora que aquele líder se foi, a empresa não será mais a mesma. Este tipo de líder também pode se perder, pois as pessoas, geralmente, não acompanham seu raciocínio e ele não percebe que essa equipe não está no mesmo nível que o seu, ou na mesma velocidade.

Pressionador

Ideal para várias situações. É um profissional que pressiona, mas que também lida com pressão de forma constante. Coloca padrões elevados para o desempenho da equipe, que são os seus padrões pessoais. Ele dá o exemplo e exige do seu time o mesmo nível de desempenho. É bastante focado, orientado para resultados. Tem iniciativa e é, normalmente, um líder que tem altos níveis de desempenho. É quase que obcecado por atingir os resultados e quer que as pessoas ajam da mesma forma. Consegue fazer bons diagnósticos. Agora, o lado maléfico é que, se isso for em excesso, pode gerar, hoje, complicações até trabalhistas, pois o time acaba sendo muito pressionado. Esse líder ainda pode perder a linha fina de orientação, pois chega um momento em que a pressão é tanta que ele não dá mais a orientação detalhada, começando só a cobrar resultados. Isso gera um estresse na equipe, e, normalmente, acaba havendo uma rotatividade significativa de profissionais, apesar de excelentes resultados, pois muitos não aguentam esse nível de pressão por muito tempo. O excesso não é desejável; porém, se esse excesso não existir, é um tipo de liderança interessante.

 

 

 

Publicado por Miguelito Medeiros

Editor da Rivazto, consultor de Marketing, Comunicação & Política

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