Taxar aplicativos de transporte não é bom

A prefeitura de Pelotas, no Rio Grande do Sul, quer taxar os aplicativos de transporte com um imposto municipal. Sim. O município quer tirar um tanto do ganho dos motoristas de Uber, 99, Garupa, Cabify e outros sistemas de compartilhamento de caronas que tanto se popularizaram no mundo nos últimos cinco anos.

A intenção da prefeitura pelotense é criar um imposto municipal que incida sobre a atividade. A ideia vai onerar as corridas, tornando mais cara a alternativa para quem antes só usava táxi, ônibus ou bicicleta. É bom lembrar que mesmo pessoas que têm carro usam os serviços de aplicativos por serem mais baratos e econômicos em determinadas circunstâncias.

Andar de aplicativo é mais barato, em algumas vezes, do que pagar uma passagem de um ônibus de linha. Ainda mais se a viagem for dividida com outras pessoas que vão para o mesmo destino.

Isso todo mundo já sabe.

O que pouca gente se dá conta é há um olho grande, uma espécie de sanha arrecadatória para cima dos aplicativos de transporte e seus motoristas.

Ora, taxa os Uber, 99 e afins é um absurdo.

Primeiro porque é a criação de mais um imposto. Brasileiro já é mordido demais por impostos.

Segundo porque o combustível, o principal custo da atividade, já é tributado em cerca de 44% (dependendo do estado do Brasil). Quase metade do preço da gasolina fica para o governo.

E o terceiro motivo é que as corridas por aplicativo democratizaram o transporte. Ficou muito mais fácil para quem em renda baixa se deslocar com segurança pela cidade.

Não dá para querer taxar os aplicativos. Ainda mais porque eles fazem parte de uma revolução no transporte público que está melhorando as cidades. São menos carros e ônibus nas ruas, menos poluição, menos engarrafamentos e menos acidentes.

Ter carro ainda é o desejo de muita gente. E vai continuar sendo. Nesta pandemia, a dificuldade imposta pelo medo do contágio e pelo distanciamento social obrigaram as pessoas a ficarem mais tempo dentro do carro, caso precisassem sair por aí para trabalhar. Muita gente fez do carro seu escritório ou sua base operacional.

No entanto, na cidade, ter carro representa uma série de custos que muitas vezes se mostram irracionais. Ou mesmo o uso do próprio carro. O negócio – e isso os aplicativos têm mostrado com maestria – é ter o carro, caso queira, e usar outros meios de transporte para os deslocamentos nas cidades. Deixando o próprio veículo para passeios, emergências, saídas eventuais.

Aplicativos de transporte não devem ser taxados. Aliás, devem ser desregulamentados cada vez mais. Que sejam abertas as portas também para os ônibus gerenciados por aplicativos e dirigidos por motoristas autônomos.

Publicado por Miguelito Medeiros

Editor da Rivazto, consultor de Marketing, Comunicação & Política

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