Longa vida aos materiais impressos

Apesar de tudo o que se fala sobre o poder da informação digital, aquela que está disponível na palma da mão pelas redes sociais, a impressão das ideias em papel ainda tem muita vida pela frente.

“O impresso vai deixar de existir”, dizem alguns especialistas em comunicação. Frase ouvida especialmente quando relacionada a algum anúncio de fechamento de jornal ou revista.

Ao mesmo tempo, com a chamada “infodemia”, a overdose de informações que chegam pela internet, os editoriais impressos ganham importância. Não, eles não serão mais baratos ou até mesmo começam a ter novas formas de serem financiados.

O certo é que os materiais impressos, como jornais, revistas, periódicos, ou mesmo os catálogos, fôlderes e publicações de empresas ou de entidades vão continuar existindo. E, alguns, voltando após uma parada “estratégica” – geralmente resultado de alguma ação de redirecionamento das verbas de marketing – de uma forma mais modernizada.

Materiais impressos são perfeitos para quem quer se diferenciar o mar de informação digital. A comunicação em papel passa a ter um novo formato e uma nova importância para comunicar as ideias.

Ela vai direto em quem decide.

E esta situação, onde aumenta o interesse de empresas de todos os tamanhos de fixarem sua marca em papel impresso, tem animado a indústria gráfica brasileira. A Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) é bastante otimista em seus relatórios, pesquisas e matérias produzidos nos últimos doze meses.

Mesmo com o contexto da pandemia do Covid19, o setor gráfico brasileiro espera uma retomada grande do seu faturamento em 2021.

O líder da Abigraf justifica o clima de otimismo com as reformas políticas que o Congresso Nacional deve promover neste 2021. Levi Ceregato acredita que a indústria gráfica conseguiu se modernizar e se reposicionar para atender aos clientes, mesmo no contexto da feroz concorrência com a internet.

“Estamos preparados para crescer e temos criatividade e poder de inovação para isso”, diz o líder da indústria gráfica brasileira. Ceregato ainda chama a atenção para o fato de que 68% das empresas do setor tinham, na virada de 20 para 21, algum tipo de ociosidade em suas áreas de produção.

Na circulação de jornais impressos diários, também há um cenário interessante. Há três anos vem se registrando uma estabilização na queda das tiragens médias de vários periódicos brasileiros.

Sim. Houve um movimento de fechamento de dezenas de revistas e jornais importantes. Alguns foram para a internet. Outros deixaram de existir mesmo. Simples assim.

Os jornais que ficaram ainda mantêm tiragens importantes e se mantêm como fontes de informação para os formadores de opinião. Empresários, políticos, funcionários públicos graduados e professores ainda gostam de ler e manusear jornais e revistas. Os números variam muito, com muitas empresas misturando os números das assinaturas eletrônicas com as assinaturas impressas. Por isso é preferível não colocar aqui os volumes das médias diárias.

Interessante resposta do presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), Marcelo Rech, a uma pergunta da jornalista Bárbara Sacchitielo, de Meio & Mensagem (confira aqui).

As versões impressas seguirão existindo enquanto houver leitores dispostos a pagar pela conveniência e sensações proporcionadas pelas assinaturas e exemplares em papel. Embora cada jornal defina sua própria estratégia, de acordo com o ecossistema social, cultural e econômico a que se dirige, a tendência é o uso conjugado de diferentes plataformas e linguagens para se alcançar e engajar o maior número de leitores. A complementaridade é a palavra de ordem que veio para ficar, e se define pela combinação de conteúdos e diferentes formas de distribuição sob uma mesma marca. Até porque lidam com a disrupção desde os primórdios da revolução digital, jornais estão na vanguarda do domínio e aplicação dos conceitos de conteúdos e linguagens complementares. Estimular a migração digital pode ser positivo para um jornal, mas não para outro. A fórmula tem de ser definida de acordo com cada timing e características de mercado.

O importante é saber que, depois de uma queda brutal a partir de 2014, as médias diárias dos principais jornais brasileiros – em suas versões impressas – têm se mantido estáveis desde 2019. Aliás, 2019 foi um ano onde a média de queda da impressão dos dez maiores jornais brasileiros chegou a 29%. Depois veio a estabilidade.

Ideias colocadas no papel são bem recebidas pelo público. Ainda mais no momento em que há uma enxurrada de informações pela internet. Entrando pelos computadores e pelos telefones celulares.

O material impresso é portátil e tangível. Fica à disposição por mais tempo e não precisa de nenhum aparelho para ser lido e apreciados. E ainda pode estar pronto para ser lido depois de meses sobre um móvel nas residências e nos escritórios. (Miguelito Medeiros, consultor de marketing)

Publicado por Miguelito Medeiros

Editor da Rivazto, consultor de Marketing, Comunicação & Política

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