Záchia na secretaria de Mobilidade de Porto Alegre. Um grande acerto do novo prefeito

Luiz Fernando Záchia, ex-deputado estadual, ex-secretário de estado de Desenvolvimento e Assuntos Internacionais e ex-chefe da Casa Civil do Governo Estadual, foi o escolhido pelo prefeito eleito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB) para ser o secretário Municipal de Mobilidade Urbana.

Záchia é sujeito certo para uma das pastas mais espinhosas da administração de Porto Alegre. Espinhosa, difícil, ardida e complexa. Ainda mais que o assunto transporte público coletivo rodoviário tem tudo para dar muito pano para a manga nos próximos anos. Começando já no ano que vem.

O sistema de transporte coletivo de Porto Alegre tem um desafio à frente: manter-se sustentável num momento em que há uma diminuição constante de passageiros ano a ano. Com a pandemia de Covid-19, a situação só piorou. O trabalho remoto em casa, a busca pelo transporte individual, de bicicleta, moto ou carro para fugir do perigo do contágio, também contribuíram para os problemas para os diretores das empresas de ônibus.

Vai ser preciso muita conversa, encontros, diálogos, composições, para que o modelo atual de concessões de linhas de ônibus – falido – seja substituído por algo mais adequado aos novos tempos. Há uma série de alternativas para o transporte coletivo. Pensar seriamente na solução para o transporte de massa em Porto Alegre e Região Metropolitana passa pelas oportunidades dos aplicativos de aluguel de ônibus. Os chamados “Uber dos ônibus” podem fazer parte da paisagem urbana e reduzir o estresse no sistema.

Záchia foi presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul. Em 2006 liderou um movimento chamado Pacto Pelo Rio Grande, que reuniu diversas lideranças políticas gaúchas, de todos os matizes, para debater e pensar no futuro do Estado para os próximos anos. Foi um momento histórico da política no Pampa.

E essa capacidade de diálogo que Záchia vai trazer para o ambiente do debate do transporte público em Porto Alegre. Ele sabe das coisas. Há mais de vinte anos estuda, busca informações e se envolve com assuntos que tratam da mobilidade urbana. É um cara que conhece trens e metrôs em diversas partes do mundo. Sabe da necessidade de tirar um pouco de pneus das vias urbanas. É preciso cavar túneis para trens, metrôs e veículos leves sobre trilhos. Sem isso, insistir apenas em ônibus vai ser um erro. É empurrar o problema com a barriga.

Grande Záchia. Porto Alegre precisa da tua capacidade de diálogo e do teu conhecimento sobre o transporte público.

Sugestões para incrementar o turismo na cidade de Vacaria

O texto a seguir é uma reflexão sobre como a cidade de Vacaria, no Rio Grande do Sul, pode vir a incrementar sua receita com um fluxo maior de turistas.

A cidade de Vacaria fica na região nordeste do Rio Grande do Sul, na parte dos Campos de Cima da Serra, onde a altitude média fica na casa dos mil metros acima do nível do mar. Vacaria está completando 170 anos de emancipação política. Até 1850 fazia parte do extenso município de Santo Antônio da Patrulha. O nome Vacaria vem das enormes quantidades de gado bovino que passavam pela localidade, um importante entreposto de animais de corte em todo século 19.

De cruzamento de dezenas de rotas por onde passavam tropeiros, Vacaria hoje é uma cidade com uma economia baseada na plantação de maçãs e soja. A cidade tem um comércio diversificado, animado e, em boa parte, voltado para atender as necessidades de quem trabalha no campo. São dez concessionárias de tratores de diferentes marcas, desde as tradicionais norte-americanas como as novíssimas LS, da Coreia do Sul, e a indiana Mahindra.

Vacaria é uma cidade fria. Uma das mais frias do Rio Grande do Sul. A figura do gaúcho, com sua indumentária típica incluindo a bombacha, as botas, o lenço e o chapéu, em Vacaria tem a presença atávica da capa de lã, do poncho, do capote.

Em 2013 a cidade registrou uma nevasca. Uma formação de neve de verdade, que durou várias horas durante uma noite de inverno.

A cidade é cortada por duas rodovias federais, a BR-116 e a BR-285, além de ter seu mapa riscado por uma linha férrea de carga regular. Para completar a boa situação logística, Vacaria dispõe de um aeroporto, ainda não operacional, capaz de receber aviões de porte de um Embraer-190, um Boeing 737 ou um Airbus A320. A empresa Azul, com sua subsidiária Azul Conecta, já deu mostras que pretende operar voos entre Vacaria e Porto Alegre nos próximos meses.

Com todas essas coisas boas para fazer a cidade acontecer como polo turístico, Vacaria ainda é tímida nesse setor da economia. Pode muito mais. Por isso esse texto aqui tem a pretensão de dar algumas sugestões para reposicionar a cidade para receber mais turistas. Com isso aumentar o volume de empregos em outras áreas, desde a hotelaria e gastronomia, passando pela manutenção de aeronaves e os serviços em terra de apoio ao voo.

A cidade tem bons hotéis, condizentes com o tamanho da população, de cerca de 80 mil habitantes.

Para começar o negócio, é importante que Vacaria seja mostrada ao mundo. Ok, não precisa ser o mundo em um primeiro momento. Mas, o Brasil precisa entender que o município dos Campos de Cima da Serra tem atrativos muito interessantes, a começar pelo frio – que faz com que todas as casas tenham um lareira ou um fogão a lenha – e pela geografia do lugar. Os Campos de Cima da Serra são uma topografia única, com paisagens de tirar o fôlego. Tudo muito tipicamente gaúcho.

É importante que haja divulgação da cidade nos mais diferentes meios, desde folhetos e cartazes em papel distribuídos em agências de viagens, passando por vídeos em mídias tradicionais e peças nas redes sociais para diferentes públicos.

Vacaria precisa tornar-se mais conhecida.

Também é importante ativar pra valer o aeroporto local, que foi concluído há dez anos e ainda não tem voos regulares. Para isso é importante que a prefeitura de Vacaria e o empresariado local comecem a criar a demanda por voos entre a cidade e a capital dos gaúchos. Quem sabe até um voo para alguma cidade de Santa Catarina?

Ao mesmo tempo em que a cidade for sendo mostrada como destino turístico, o poder público pode caprichar ainda mais na limpeza geral das suas ruas e belas praças. Vacaria tem uma praça linda no Centro da cidade, com uma catedral de pedra monumental, dedicada à Nossa Senhora da Oliveira. Igreja fantástica.

Claro, é bom pensar em alguns festivais e encontros anuais para colocar Vacaria no calendário de eventos de forma mais efetiva. A cidade já faz um rodeio ao estilo gaúcho a cada dois anos nos meses de fevereiro. Mas é preciso mais. Que tal pensar em um evento aeronáutico, do tipo encontro de aviões antigos? Espaço tem.

A cidade tem atrações muito interessantes, especialmente para quem gosta de opções do tipo hotel-fazenda. Há o Capão do Índio, a Fazenda do Socorro, entre outras. Também as iniciativas como a Vinícola Campestre, uma opção luxuosa para quem gosta de descobrir novas fronteiras na enologia, e a fabricação de queijos tipo Grana Padano, da empresa Rasip. A marca tem uma loja às margens da BR-116 com uma grande variedade de queijos, vinhos, massas e azeites, além de outras delícias nacionais e importadas. A loja também vende maçãs de altíssima qualidade.

Pertinho de Vacaria, na divisa dos municípios vizinhos de Bom Jesus e São José dos Ausentes, há uma pousada muito interessante para quem busca o turismo rural. É a Pousada das Flores. Vale a pena conhecer, incluindo o roteiro no passeio pelos Campos de Cima da Serra.

Há muitas possibilidades para incrementar o turismo em Vacaria. É preciso que a cidade queira. E há algumas lideranças empresariais querendo. Basta fazer uma conexão mais efetiva entre elas.

A cidade tem muito a ganhar com o crescimento do turismo, com mais empregos e oportunidades de renda. E o Rio Grande do Sul e o Brasil ganham mais um destino turístico com clima bastante diferenciado, cultura típica e muitas possibilidades na gastronomia e na enologia.

Sobre posicionamento de campanha: casos de três cidades gaúchas e a capital paulista

Campanha política curta, com calendário eleitoral alterado pelo Corona vírus e a doença impedindo a aglomeração de pessoas. Campanha sem aperto de mão, sem abraço, sem conversa ao pé do ouvido. Foi a campanha das redes sociais na internet e do caminhão de som nas ruas.

O posicionamento correto, mesmo com algumas derivações e calibragens no decorrer do curto período entre o primeiro e o segundo turno – duas semanas – foi o fator decisivo em quatro campanhas neste 29 de novembro.

A começar por São Paulo. Bruno Covas (PSDB) tornou-se o primeiro prefeito reeleito da capital paulista. Mesmo com um duro golpe no comércio da cidade, com fechamento de tudo em diversos períodos da pandemia, incluindo soldagem das fechaduras de lojas, Covas foi bem avaliado pela população. Ele foi o “cara que deu limites”, o “cara que cuidou da cidade” nos momentos mais duros da incerteza da doença. Ainda há quem diga que o fechamento em São Paulo passou dos limites do aceitável. Mas Bruno Covas e o seu PSDB souberam se posicionar com o cuidado e ganharam no segundo turno.

O mesmo posicionamento de cuidado foi o fator de sucesso para a prefeita Paula Mascarenhas, da cidade gaúcha de Pelotas. Paula (PSDB), quase havia ganho no primeiro turno. Faltou bem pouco para carimbar mais quatro anos no dia 15 de novembro. A exemplo de seu correligionário paulista, Paula também apertou no fechamento da cidade durante a pandemia. Em um final de semana no inverno, chegou a usar a Guarda Municipal e a Brigada Militar para fiscalizar um toque de recolher na cidade.

O mesmo posicionamento, a mesma percepção que a cidade teve de “prefeita cuidadora”, foi fator importante para a reeleição da prefeita. Claro, há a política, a militância, o engajamento e a máquina pública na mão. Mas o posicionamento foi muito, mas muito importante.

Em outra cidade gaúcha, na linha dos exemplos anteriores de São Paulo e Pelotas, Caxias do Sul, na Serra do Rio Grande do Sul, também teve o PSDB enfrentando a esquerda e ganhando. Em Caxias do Sul, com um fato relevante: Adiló di Domenico (PSDB), foi para o segundo turno atrás de Pepe Vargas (PT). O petista já havia governado a cidade serrana por dois mandatos no início dos anos 2000. Nesta campanha, Pepe posicionou-se trazendo a figura de Bolsonaro para seu discurso e falando em cultura e inclusão das periferias. Já Adiló posicionou-se como um sujeito identificado com um tema caro aos caxienses: o trabalho. Adiló, no segundo turno, abusou do tema, falando do acordar cedo, dormir tarde e não ter medo da lida, do trabalho. Pronto. Foi indo, foi indo e virou no segundo turno. Mais um tucano prefeito em uma cidade importante do interior gaúcho. PSDB ganhou também em Novo Hamburgo e Santa Maria, ambos municípios com reeleições de prefeitos tucanos.

O posicionamento claro foi importante nos casos de Covas, Paula e Adiló. Importante e vencedor.

Em Porto Alegre, ao contrário, dos exemplos anteriores, o prefeito tucano Nelson Marchezan Jr. não conseguiu a reeleição, apesar de ter um governo, do ponto de visto da gestão e da zeladoria da cidade, muito bom. Mas, Marchezan foi para a disputa com o carimbo na testa de um sujeito que briga com todo mundo e que teria deixado de lado a política. Em determinado momento da campanha, ainda no primeiro turno, Marchezan precisou calibrar o seu posicionamento pautado pela percepção nas ruas. “Brigo contra os conchavos e a velha política”, repetiu Marchezan. “Brigo mesmo”. Pronto, o posicionamento de brigão, mesmo contra sua vontade, tomou conta rapidamente da percepção de como o povo o via.

Não deu outra; o tucano ficou em terceiro e deixou o emedebista Sebastião Melo disputar com a comunista Manuela D´Ávila.

No segundo turno, mas uma reflexão sobre posicionamento. Melo aproveitou de sua condição de migrante, vindo do Centro-Oeste para tentar a vida em Porto Alegre no final da década de 1970, de cara que trabalhou para pagar os estudos e venceu. Além de ser o cara que trabalha pela cidade, para resolver os problemas e “tocar o serviço”. Conseguiu se firmar assim.

Já Manuela, candidata pela terceira vez ao cargo, preferiu centrar seu discurso nas mulheres, no empoderamento feminino e em oportunidades para a periferia. Ficou assim um bom tempo, até poucos dias antes da eleição no segundo turno. Faltando poucos dias para o domingo da eleição, Manuela acoplou no seu discurso a crítica ao racismo e ao presidente Jair Bolsonaro. Não colou. Seu posicionamento esboroou-se e viu o oponente Melo ganhar a eleição.

Quatro casos em que o posicionamento estratégico, a percepção que as pessoas têm das candidaturas e a forma como a imagem fora comunicada tiveram papel preponderante nesta eleição.

Em Canoas (RS), eleitor escolheu o cara cuidador que promete crescimento econômico

Canoas escolheu o prefeito que prometeu recuperação econômica e cuidado com as pessoas. A eleição municipal deu a vitória ao candidato Jairo Jorge (PSD) que já foi prefeito por dois mandatos entre 2009 e 2016. A população desalojou o PTB do atual prefeito Luiz Carlos Busato, que focou sua campanha em ataques ao oponente. Mesmo com números positivos na segurança e na educação, Busato não soube comunicar as melhorias apresentadas por seu governo.

A perda da prefeitura pelo PTB, além da diminuição das cadeiras do partido na Câmara Municipal, de cinco para três vereadores, mostra um desgaste sistêmico do partido do qual Busato é presidente estadual. Conhecido por ser um político que nunca perdeu nada desde que se elegeu vereador em 2004, Busato foi perdedor. Seu candidato em Porto Alegre, teve a candidatura cassada por um erro material na inscrição do candidato a vice. Erro infantil.

O desgaste sistêmico do PTB foi uma fadiga de narrativa. Causada, talvez na sua origem, quando Busato nomeia para ser seu Secretário de Comunicação o próprio filho. Cantor do estilo sertanejo universitário, Rodrigo Busato (que até então usava o nome artístico de Rodrigo Ferrari), iniciou o mandato como um dos principais secretários do município. Além de ser nepotismo, mesmo com acrobacias jurídicas que o garantiram na vaga, sua nomeação atrapalhou o fluxo de poder dentro da estrutura de governo. Era muito difícil um secretário de outra área criticar a comunicação. Soaria como uma crítica ao próprio prefeito.

A atuação de Busato como prefeito e como zelador da cidade foi relativamente boa. No entanto, acoplou iniciativas de gosto duvidoso, como a cobertura de uma cancha de laço, uma escultura esquisita na lateral de uma obra ao largo da linha do trem no centro da cidade, entre outras.

Busato não soube se comunicar com seus eleitores. Não tinha política de comunicação e não estabeleceu porta-vozes para retumbar seus feitos como prefeito. Nos últimos dias da campanha, ainda no primeiro turno, a bagunça da comunicação se tornou evidente. Seu secretário municipal de governo e presidente do PTB em Canoas foi para as redes sociais falar mal de Jairo Jorge. No segundo turno, até um bloquinho de carnaval improvisado, com dezenas de funcionários em cargos de comissão vestindo camisetas pretas, foi “pensado” pelo presidente do PTB canoense.

Um desastre.

Do outro lado, Jairo Jorge, o vencedor, sempre apostou na narrativa de retomada do crescimento, e no cuidado dos canoenses que mais precisam de ajuda. Jairo Jorge, jornalista, tarimbado na oratória e um ás na estratégia, nadou de braçada. Soube articular uma aliança grande, que ficou ainda maior no segundo turno. Conseguiu a proeza de trazer para seu lado o vereador reeleito com a maior votação desta eleição. Márcio Freitas (PDT), fez campanha para Busato no primeiro turno e cambou de lado para Jairo no segundo turno. Além de vereadores do MDB e outras lideranças importantes. Deixou Busato e seu presidente do PTB sem estratégia, sem rumo, mas com uma imponente máquina de campanha.

Potência não é nada sem controle, como já dizia o slogan da Pirelli.

A população apostou na figura do prefeito presente, cuidador e dono de um projeto de crescimento. Tal narrativa foi o suficiente para ganhar a eleição.

Além disso, Jairo Jorge conseguiu consolidar seu aggiornamentto, sua atualização política. De petista raiz, o prefeito eleito de Canoas havia passado pelo PDT e, por último, acertou com o partido de Gilberto Kassab, o PSD.

Jairo Jorge ganhou porque soube aproveitar sua imagem de prefeito cuidador de sua gente. Busato perdeu porque não soube se comunicar.

Parcerias comerciais com a China

Na onda do Corona Vírus, a Covid-19 e as rusgas diplomáticas entre o Deputado Federal Eduardo Bolsonaro e a Embaixada da China, o certo é que o gigante asiático aumenta sua presença na economia brasileira. Ano após ano, o capital chinês vai sendo investido em diversos setores da produção e dos serviços no Brasil. Em alguns casos, de forma acelerada. Na energia elétrica, por exemplo, a gigante State Grid é a principal acionista da CPFL Energia. A empresa, no Brasil, tem sob sua responsabilidade a presença em 15 estados, com mais de USD 15 bilhões investidos no país.

E isso pode ser o início de grandes oportunidades de negócios para os brasileiros.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, a CPFL detém o controle da RGE Sul, a empresa privada que distribui energia na maior parte do estado. Cidades com produção industrial importante, como Caxias do Sul, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo estão sob o guarda-chuva da mão chinesa na distribuição da energia elétrica. E isso tem sido bom. Não há, nos últimos anos, grandes problemas como instabilidade na oferta de serviço, dificuldades no restabelecimento de quedas eventuais, entre outros problemas ligados ao setor. 

Os chineses estão presentes em diversos setores da economia brasileira. E isso é fundamental para quem quer aumentar suas oportunidades de negócios no Brasil.

No setor bancário, os chineses hoje já estão presentes no Brasil com, pelo menos, cinco grandes bancos do país asiático. Banco Industrial e Comercial da China (ICBC), Bank of China, Haitong, China Construction Bank (CCB) e Bank of Communications (BoCom) já têm operações consolidadas no Brasil. A maior parte destas operações são financiamentos de exportação e importação e fomento a obras de infraestrutura. Sua presença no bolo total de ativos bancários no Brasil ainda é pequena, não chegando a 1%.

O apetite por investimentos da parte dos chineses não fica restrito aos países emergentes, como Brasil, Argentina, Grécia, Geórgia e México, entre outros. Os Estados Unidos, berço do capitalismo moderno e ainda hoje a maior economia do mundo, registra várias compras de participações em empresas nacionais feitas com o capital chinês.

São vários exemplos, alguns emblemáticos, de empresas norte-americanas que tiveram seu controle, ou participação minoritária relevante, transferidos para firmas chinesas. General Eletric, AMC Cinemas, Waldorf Astoria Hotel, GM, Tesla, Spotify, Microsoft, WeWork, Uber, Warner Music, entre tantas outras, são exemplos de marcas americanas que têm investidores chineses.

Os americanos, sem levar a política aos negócios, estão tendo ótima relações comerciais com os chineses e vice-versa.

Os brasileiros também podem. E podem muito mais do que uma relação onde haja simplesmente exportação de commodities agrícolas e minerais e importação de manufaturados. Há um campo enorme de possibilidades entre as economias dos dois países.

Ler para uma criança ajuda a mudar o mundo

dante livros

O projeto do Itaú que distribui livros de graça para as pessoas lerem para as crianças é a ação de responsabilidade social mais interessante que já vi nos últimos tempos. Livros de graça para as crianças e adolescentes. De graça. Basta entrar na página do banco na internet e pedir os livros. Além de enviar os livros para o endereço da pessoa, o marketing do Itaú incentiva as pessoas a lerem as estorinhas para as crianças. Dizendo que a atitude ajuda a “mudar o mundo”, o banco resgata um gesto que vai ficando esquecido nesse mundo tão corrido de hoje, quando os pais chegam em casa com os filhos já dormindo.

Na foto, estão a minha mãe Odila, minha irmã Hevelisa Medeiros e meu filho Dante, curtindo um dos livrinhos enviados pelo banco Itaú.

Pouso no cometa só aumenta minha crença do projeto humano

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Na pampa de luz azul
Amor, amar, aurora
Lugar de que nunca parti
que brilha, brilha, brilha!
Perdido cometa, perdido cometa
Na trilha luminosa desse planeta!
Perdido cometa, perdido cometa
Na trilha luminosa desse planeta!

(trecho de Pampa de Luz, de Pery Souza e Luiz de Miranda)

 

Foi com muita felicidade que acompanhei o pouso do módulo Philae da sonda Rosetta no cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, na tarde desta quarta-feira. Felicidade que me fez aumentar a minha crença no projeto humano e na capacidade do homem de fazer coisas que pareciam impossíveis. Já imaginaram? Mandar, há dez anos, uma sonda para acompanhar o cometa; o aparato acompanhar o corpo celeste por uns dois anos e, nesta quarta-feira, conseguiu fazer descer a capsula no pequeno cometa. Pequeno, tem menos de quatro quilômetros de comprimento e se move a estonteantes 135 mil quilômetros por hora.

O projeto é da ESA, a agência espacial europeia, criada em 1964.

A ilusão das eleições no Brasil

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Por Michael Shifter, do Foreign Policy, tradução Nicholle Murmel, em http://www.defesanet.com.br

As eleições presidenciais em andamento no Brasil vêm sendo descritas como eletrizantes e imprevisíveis, comparáveis a uma novela. Com certeza não houve falta de drama: a morte trágica de um grande candidato, Eduardo Campos do Partido Socialista Brasileiro (PSB), a espetacular ascenção e queda de sua vice, Marina Silva, que assumiu a chapa, e a recente força de um candidato que, até pouco tempo atrás, não teria muito crédito na disputa. Dada a volatilidade dessa eleição, poucos se atrevem a prever com convicção o que vai acontecer na disputa do próximo dia 26 entre a atual presidente, Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), e o ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, do Partido da Social-Democracia Brasileira (PSDB).

Com ainda mais drama, o segundo turno vem sendo conduzido pelos candidatos e seus respectivos aliados como uma batalha ideológica entre esquerda (Dilma) e direita (Aécio). Segundo o discurso do ex-governador mineiro, Dilma continuaria com as políticas estatizantes e intervencionistas do primeiro mandato, e que levaram à inflação e desaceleraão da economia, enquanto Aécio teria uma abordagem mais amigável ao mercado e abriria o Brasil para o mundo, incluídos os Estados Unidos. Já a atual presidente acusa Aécio de propor um programa econômico que serve a banqueiros e empresários, e pretender cortar programas de bem-estar social que tornaram o Brasil menos desigual e ampliaram a classe-média.

Tanto Dilma quanto Aécio passaram a maior parte dos três debates na televisão trocando acusaões de corrupção e nepotismo – ainda que o último ítem tenha sido colocado de forma menos explícita. Apesar da amargura geral nessa campanha de segund turno, as plataformas dos dois candidatos são notavelmente parecidas.

Mas do que choque ideológico agudo, as divisões entre as chapas se assemelham ao que acontecia entre o antigo e o novo Labour Party no Reino Unido. Ambos os candidatos querem e prometem mais crescimento e estabilidade, redução da pobreza, melhores serviços públicos e mais infraestrutura. Ambos querem melhores relações com Washington também.

A campanha negativa dos dois lados parece ter impacto considerável nos eleitores brasileiros. Manchetes em todos os jornais do país neste mês ecoam a acusação feita por Dilma de que o candidato do PSDB estaria explorando o escândalo mais recente de corrupção – envolvendo a Petrobras – para fomentar um golpe contra o governo. Já Aécio diz que a candidata do PT é culpada de “entregar a maior empresa do país a uma gangue de ladrões”. No primeiro debate televisionado entre os dois, Dilma acusou Aécio de usar verbas públicas para ganho prórpio quando foi apontado para trabalhar na Caixa Econômica nos anos 1980. A presidente também alega que quando o candidato do PSDB governou Minas Gerais, a saúde pública no estado deteriorou, enquanto Aécio diz que o governo petista perdeu a capacidade de atrair investimentos.

Os eleitores mais pobres e da classe-média vulnerável temem que a vitória do PSDB ponha em risco seus ganhos sociais reais, enquanto os mais abastados se preocupam com a reeleição do PT, que pode corroer a economia. Sobre os brasileiros pobres – a maioria esmagadora recebe benefícios em dinheiro e se concentra no norte e nordeste. São quase que totalmente favoráveis a Dilma. Já os ricos das regiões sul e sudeste, especialmente em torno de São Paulo, preferem Aécio. Ambos os candidatos disputam os eleitores no espectro entre esses dois extremos, que estão menos firmes em seus posicionamentos e mais sucetíveis aos apelos das campanhas.

Por um tempo, Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, que após uma ascenção vertigiona falhou em chegar ao segundo turno por conta da campanha pública contra ela e seus erros, ficou em cima do muro. Marina e seu PSB adotivo agora prestam apoio ao PSDB, apesar de esse apoio não ser garantia de impedir a reeleição do PT.

A eleição pode ser volátil, mas não significa que os brasileiros estejam indecisos. Os eleitores mostram um desejo razoável de ter o melhor dos dois mundos: continuidade dos programas sociais associados aos 11 anos de governo petista, junto com o fim da política como é feita atualmente, com suas práticas corruptas que não beneficiam em nada uma sociedade democrática moderna.
Não é surpresa que nos últimos dias antes da ida às urnas, tanto Dilma quanto Aécio, que nunca foram tão distantes como está sendo retratado durante a capanha, estejam se deslocando em direção a propostas mais centristas, quase que convergindo em suas promessas de mais programas para os pobres, combate à corrupção, preservação ambiental e aquecimento da economia. Os dois candidatos buscam reduzir a inflação para cerca de 4,5% ao ano e fortalecer o Bolsa Família, um programa de transferência de renda pequeno, porem importantíssimo para as famílias que o recebem.

A eleição aponta duas narrativas conflitantes que dominam atualmente tanto a mídia brasileira quanto internacional. A primeira aponta a expansão impressionante da classe média brasileira – cerca de 40 milhões de pessoas nos últimos 11 anos, segundo estatísticas do governo –  e a consequente redução da pobreza e da desigualdade. Graças a um ambiente econômico relativamente bom, com investimentos substanciais em mercados emergentes e demandas externas, especialmente da China, pelas commodities brasiliras, associados a um programa vigoroso como o Bolsa Família, brasileiros antes pobres tiveram mais acesso a bens de consumo e empregos. A renda per capita e os índices de geração de empregos formais subiram.

Do ponto de vista politico, boa parte do crédito por esses progressos sociais é do antigo presidente reeleito pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, que deixou o poder em 2011 com 80% de aprovação, e permanece extremamente popular, sendo uma ferramenta importante para Dilma na reta final do segundo turno – em 2010, último ano de Lula no poder, o crescimento econômico chegou a 7,5%.
Para rebater a acusação de ser indiferente aos pobres, Aécio aponta para o fato de o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, não ter apenas estabilizado a economia durante seus dois mandatos (de 1995 a 2003), mas também ter sucedido em fazer decolar os primeiros programas de transferência de renda.

A segunda narrativa na batalha eleitoral e retórica gira em torno da corrupção gritante no Brasil, uma das maiores vulnerabilidades na campanha de reeleição de Dilma. É verdade que a corrupção é endêmcia no Brasil, mas dois escândalos de grande porte durante governos do PT causaram danos políticos severos ao partido, no poder desde 2003. Uma vez que a atual presidente atuou como ministra de Minas e Energia no governo de Lula, as recentes e cada vez maiores acusações de subornos e propinas na Petrobras, maior estatal brasileira, podem machucar a imagem da candidata de forma bem particular. Como ministra, ela foi membro formal do comitê de direção da empresa enquanto os atos de corrupção aconteciam.

A burocracia já solidificada no páis, e agora cheia de cargos comissionados pelo PT após 11 anos de governo, é um alvo fácil para os ataques de Aécio, que procura se mostrar alinhado com as reformas às quais os brasileiros são desesperadamente a favor. A candata do PT, logicamente, adota a mesma postura, insistindo que também está comprometda com um governo limpo e honesto. Desde que assumiu a Presidência, Dilma demitiu oito ministros acusados de corrupção. Ainda assim, se o tema se acirrar até o dia 26 de outubro, não será nada bom para a candidata à reeleição.

É importante considerer que a corrupção tem impacto político ainda maior quando a economia não anda bem. No caso do Brasil, apesar de o desemprego permanecer baixo, a inflação e a taxa de juros estão subindo, e a economia estagnou – resultado não apenas de um ambiente externo mais problemático, mas de algumas decisões políticas questionáveis.

Tanto Dilma quanto Aécio prometem fazer a economia “pegar no tranco”. Os apoiadores do candidato do PSDB estão convencidos de que Dilma está irremediavelmente presa a uma economia fechada, enquanto os que apoiam a atual presidente  acreditam que, sob o governo tucano, o crescimento econômico beneficiará apenas a população abastada. Na prática, porém, os candidatos não diferem tanto assim em termos de política econômica. Caso reeleita, Dilma, por exemplo, declarou que faria mudanças massivas em seu gabinete. A candidata sabe que manter as políticas atuais condenará seu segundo mandato. Já Aécio teria que lutar com parte de seu eleitorado que não é necessariamente anti-PT, mas  também não é a favor de um mercado completamente desimpedido.

Além disso, em termos de política externa haverá ainda mais coincidência entre Dilma e Aécio do que se pode pensar. Houve uma tendência de salientar as diferenças, especialmente por parte dos apoiadores do PSDB dentro e fora do Brasil, que buscam mais abertura econômica e políticas comerciais mais robustas, junto com relações mais amigáveis entre Brasília e Washington. Os laços bilaterais se comprometeram recentemente, desde a revelação de que a Agência Nacional de Seguança (NSA) americana estava espionando a preseidente e a Petrobras. A controvérsia levou, no ano passado, ao cancelamento de uma visita de Dilma a Washington e a uma amizade fria com os Estados Undios desde então.

Não se questiona que Washington, frustrada com a candidata do PT, seria mais favorável e enérgica em buscar novas iniciativas com Brasília em um governo de Aécio. Mas sob qualquer mandato, a melhora rápida das relações entre Brasil e EUA é pouco provável. Há desavenças demais em questões bilaterais, regionais e globais. Disputas comerciais persistentes, pontos de vista contrastantes acerca de como responder aos desdobramentos antidemocráticos na América Latina, e diferenças agudas nas abordagens da crise econômica global são fatores que tornarão difícil virar a página.

Por enquanto, nenhum dos países parece especialmente preparado para investir de forma significativa em relações melhores. É importante lembrar que a estatura global que o Brasil alcançou – incusão nos BRICS, papel importante em negociações daOrganização Mundial de Comércio e conferências ambientais, e uma reivindicação credível a um assento permamente no Conselho de Segurança da ONU – é atribuída, em parte, à independência e distância em relação aos Estados Unidos. A possibilidade de uma “parceria estratégica” entre EUA e Brasil é improvável, ao menos no curto prazo.

Na verdade, poucos brasileiros atualmente pensam em política externa, muito menos nas relações com Washington. Os eleitores estão concentrados, e com razão, nas prioridades domésticas e em desafios mais urgentes como garantir melhor educação, saúde, segurança e justiça para a maioria dos cidadãos. A falta de progresso nessas frentes é desanimadora, a corrupção, o desperdício e a baixa qualidade dos serviçoes públicos solidificaram os protestos massivos que varreram as cidades brasileiras ano passado. Hoje, as ruas estão calmas, mas os problemas permanecem não resolvidos. Após o drama da campanha presidencial, um novo governo se lançará à tarefa difícil de administrar um país complexo, com várias forças e pressões políticas e societárias.

Uma eleição dominada por campahas negativas não deve encobrir o consenso amplo entre os brasileiros sobre o caminho que o país deve tomar. Os objetivos são claros e amplamente partilhados entre o povo. O desafio é encontrar o líder e a equipe melhor equipada para operar no labirinto político e burcocrático do Brasil.

Lasier no Senado

lasier

Foto da http://www.federasul.com.br

O jornalista Lasier Martins é um grande cara. Trabalhador como poucos, caprichoso, bom pai e um cidadão preocupado com os destinos do Rio Grande do Sul. Sempre trabalhou cobrando posições para que o nosso Estado estivesse na trilha do desenvolvimento e na sintonia com o que há de mais moderno no mundo. Por falar em sintonia e modernidade, Lasier andou muito por esse mundão de Deus. Conhece o que a tecnologia e a liberdade de expressão trouxeram para a melhoria da humanidade.  Ele entende isso.

E conhece, muito bem, o interior do Rio Grande do Sul. Conhece como pensa o gaúcho.

Por essas e outras, que acredito que o Rio Grande vai estar bem representado com o Lasier no Senado.

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Lá por 97, 98, eu fui estagiário na Rádio Gaúcha. Já admirava o Lasier antes desse período, de ouvi-lo na rádio. Quando estava lá na emissora, com o cara ali, ao vivo, na frente da gente, era demais. Perguntei certa feita como ele lidava com o sucesso. Deve ter dado uma resposta curta. Mas, lembro que ele falou alguma coisa do tipo… o sucesso vem à custa de muita concessão. Nessa época, ele já trabalhava em três lugares diferentes.

Marina é o sonho. Aécio e Dilma são os chefes da repartição

marina silva carica

Marina, por J. Bosco, em O Liberal 

 

A um mês das eleições gerais, Marina desponta como presença certa no segundo turno. Depois de vinte anos de Plano Real e de eleições que realmente deram certo depois da redemocratização – a de 1989 foi um experimento, tanto que o eleito não foi até o final do mandato – o eleitorado brasileiro se vê frente a um conflito de posturas. Ele precisa escolher entre dois gerentões e um sonho. Os gerentões são Aécio e Dilma. O primeiro é o clássico gerentão tucano: faz gestão fiscal, realiza obras, cobra metas, alcança e ultrapassa metas, faz o povo ficar com dinheiro no bolso. A segunda é fruto de um arremedo na política depois do escândalo do Mensalão. Não era ela a preparada para suceder Lula. Era outro. José Dirceu teve seus planos atrapalhados pelas denúncias. Então, fabricou-se uma figura de gerentona. A Dilma. Sabe números de cabeça, faz contas, estabelece a razão em qualquer diálogo que ameace a sair do plano do chão. 

O sonho é Marina.

Ela representa a mulher que veio de baixo, pobre, negra, acreana, seringueira, vítima de acidente ambiental e por aí vai. E a mulher que subiu na vida. Lavou chão de banheiro para pagar os estudos, estudou e se fez na vida.

É o que as pessoas querem, nesse momento. FHC e Lula elegeram-se pela mesma onda que, ao que parece, vai levar Marina ao Planalto. É a onda, a vibração que quer colocar no topo da política, o nosso representante, alguém com um quê a a mais. FHC era o brasileiro que estudou, deu aula e foi líder na academia. Na Europa. Cara culto, poliglota e letrado.

Lula tinha também intrínseca essa imagem do brasileiro que deu certo. Honoris Causa em várias universidades pelo mundo a fora. Presença em discussões globais e uma figura que todos os grandes líderes globais gostavam de estar por perto. (Foi o cara, segundo Barak Obama). 

Dilma e Aécio não têm nada disso. São gerentões. E só. 

Marina é o sonho.