Marina é o sonho. Aécio e Dilma são os chefes da repartição

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Marina, por J. Bosco, em O Liberal 

 

A um mês das eleições gerais, Marina desponta como presença certa no segundo turno. Depois de vinte anos de Plano Real e de eleições que realmente deram certo depois da redemocratização – a de 1989 foi um experimento, tanto que o eleito não foi até o final do mandato – o eleitorado brasileiro se vê frente a um conflito de posturas. Ele precisa escolher entre dois gerentões e um sonho. Os gerentões são Aécio e Dilma. O primeiro é o clássico gerentão tucano: faz gestão fiscal, realiza obras, cobra metas, alcança e ultrapassa metas, faz o povo ficar com dinheiro no bolso. A segunda é fruto de um arremedo na política depois do escândalo do Mensalão. Não era ela a preparada para suceder Lula. Era outro. José Dirceu teve seus planos atrapalhados pelas denúncias. Então, fabricou-se uma figura de gerentona. A Dilma. Sabe números de cabeça, faz contas, estabelece a razão em qualquer diálogo que ameace a sair do plano do chão. 

O sonho é Marina.

Ela representa a mulher que veio de baixo, pobre, negra, acreana, seringueira, vítima de acidente ambiental e por aí vai. E a mulher que subiu na vida. Lavou chão de banheiro para pagar os estudos, estudou e se fez na vida.

É o que as pessoas querem, nesse momento. FHC e Lula elegeram-se pela mesma onda que, ao que parece, vai levar Marina ao Planalto. É a onda, a vibração que quer colocar no topo da política, o nosso representante, alguém com um quê a a mais. FHC era o brasileiro que estudou, deu aula e foi líder na academia. Na Europa. Cara culto, poliglota e letrado.

Lula tinha também intrínseca essa imagem do brasileiro que deu certo. Honoris Causa em várias universidades pelo mundo a fora. Presença em discussões globais e uma figura que todos os grandes líderes globais gostavam de estar por perto. (Foi o cara, segundo Barak Obama). 

Dilma e Aécio não têm nada disso. São gerentões. E só. 

Marina é o sonho. 

 

 

Mais dicas para conquistar independência financeira

 

12 hábitos dos milionários que podemn mudar sua vida 

 

Kellvyn Atary

O caminho para o sucesso é tortuoso e cheio de pontos de falha em que nos perguntamos se realmente, algum dia, realizaremos nossos sonhos. A maioria das pessoas que atingiu o sucesso almejado pode dizer-lhe que a estrada para mudar de vida realmente não é fácil.

Se um dia você acordar e perceber que a sua vida não está tomando o rumo que gostaria, não se culpe por isso. Apenas pare, pense e aceite a responsabilidade de mudar qual rumo sua vida deve tomar a partir de agora.

Fique ciente que nenhuma mudança nos resultados vem sem mudanças nas ações. Pensar o contrário seria insanidade. Mudar os hábitos, as ações, o plano pode ser crucial para alcançar os objetivos desejados.

Por isso, reuni os 12 hábitos que, se aplicados disciplinadamente, vão mudar a sua vida em um período de 12 meses ou menos. Os resultados virão, acreditando ou não. Mas você tem que aplicá-los.

Aqui estão 12 coisas que você pode começar a fazer imediatamente para mudar sua vida e entrar no caminho para alcançar o sucesso:

Hábito #1 – Leia diariamente

 

“Daqui a cinco anos você estará bem próximo de ser a mesma pessoa que é hoje, exceto por duas coisas: os livros que ler e as pessoas de quem se aproximar.” ~ Charles Jones

Se quiser ter uma vida melhor tem que começar a tomar melhores decisões. Para isso você tem que ter melhor informações, mais insights e ideias que nunca teve antes.

Eu desafio você a investir tempo para ler pelo menos 10 páginas de bons livros diariamente. Se você ler pelo menos um livro por semana, isso será cerca de 50 livros por ano. Dedicando tempo para ler os livros certos sobre as áreas que quer melhorar em sua vida, você pode mudar o seu destino.

Você pode me perguntar: sobre o que devo ler? E eu vou te dizer, leia sobre tudo. Leia sobre finanças pessoais (reserve um tempo para ler esse site também, ok?  ), sobre sua área de atuação, sobre investimentos, negócios, contabilidade, marketing, saúde, administração, motivação e tudo mais que for te ajudar a desenvolver as habilidades necessárias para prosperar, ou apenas que ajudem a pensar de maneira mais clara.

As ideias e informações desses livros, certamente, vão te ajudar a ter mais sucesso. Leia também de maneira recreativa, como dedicar alguns minutos para ler um livro de ficção ou romance por alguns minutos antes de dormir.

Quanto mais você se educar, melhor suas decisões serão. Invista o seu dinheiro em você mesmo, na sua educação, em bons livros, no seu crescimento.

Hábito #2 – Coloque suas metas por escrito

“Se quer viver uma vida feliz, amarre-se a uma meta, não às pessoas nem às coisas.” ~ Albert Einstein

As pessoas de sucesso atribuem boa parte do seu êxito ao fato de escreverem quais são as suas metas para o ano. Metas bem escritas e detalhadas em um plano farão com que você tenha um sentido de direção e pensamento voltado para a ação incrível.

É isso que é de fato o sucesso: ter os resultados esperados através das ações tomadas com base em metas escritas.

Anote suas metas em um caderno ou documento do word no computador e detalhe as atividades que precisa realizar para atingir esse objetivo.

Coloque também uma lista dos recursos necessários e como fará para consegui-los. Dê prazos e datas para as metas para que isso te faça se preocupar em atingi-los.

Tem uma explicação detalha sobre metas no artigo Como conquistar seus objetivos, assumir o comando do seu futuro e ter uma vida épica em apenas 6 meses.

Hábito #3 – Dissolva relacionamentos com pessoas que te atrasam

“Eu aprendi que para crescer como pessoa é preciso me cercar de gente mais inteligente do que eu.” ~ William Shakespeare

Nem todo mundo tem hábitos e atividades que são favoráveis para o sucesso. Por que perder tempo com aquelas pessoas que dizem que você não vai conseguir perder peso nunca? Que desista de fazer dietas, que pare de perder tempo lendo tantos livros ou que você deveria sair mais para se divertir? Prefira se educar ao invés de se divertir.

Cortar as pessoas da sua vida de uma vez também pode deixá-las ressentidas. Procure fazer isso aos poucos, mostrando que vocês não tem assim tanto em comum, já que não estão indo para o mesmo lugar.

Use o tempo que gastava com essas pessoas para construir novos relacionamentos com pessoas que tem os mesmos objetivos que você.

Conheça pessoas nas suas atividades físicas, em seminários da sua área de atuação e etc. Use também esse tempo com aqueles amigos que te apoiam e incentivam o seu sucesso.

 

Hábito #4 – Mantenha-se hidratado e exercite-se regularmente

 

Reserve algum tempo do seu dia para praticar alguma atividade física ao ar livre. O corpo é uma máquina feita para ser usada em conjunto com a natureza e ser exercitado para ser fortalecido.

No prazo de 12 meses é possível perder uma quantidade enorme de quilos, preparar-se para qualquer tipo de competição esportiva, modelar o corpo como deseja ou melhorar a sua qualidade no trabalho ou na vida no geral.

Não só ao final desse prazo, mas ao longo desse período todas as áreas da sua vida serão influenciadas por uma saúde mais blindada. Inclusive a área financeira.

Lembrar sempre de se manter hidratado antes, durante e depois das atividades físicas é fundamental, mas não é o bastante. Deve-se ingerir mais de 2 litros de água por dia para manter o organismo hidratado e circulando nutrientes.

Hidratação constante estimula também o cérebro a pensar mais claramente em soluções para os problemas, além de dar mais criatividade para encontrar novas formas de ganhar dinheiro.

Hábito #5 – Inicie um plano de investimentos

Certo, esse é o primeiro tópico sobre dinheiro desse artigo e você pode estranhar o fato de ele ser o único. No período de 12 meses você encontrará muitas formas de fazer dinheiro e lidar com sua carreira, mas esses hábitos irão sustentar seu desenvolvimento e evolução financeira.

Iniciar um plano de investimentos é fundamental para que nesse período de mudança de hábitos você possa estar assegurando sua estabilidade enquanto aprende a lidar com o dinheiro de forma saudável.

Comece a poupar uma parte do seu dinheiro em uma conta de investimento segura que garantirá um ganho fixo de rentabilidade no período de um ano.

É incrível como tudo fica mais fácil quando você está lendo diariamente, tem suas metas bem definidas, está rodeado de quem te ajuda a seguir suas metas e está saudável e bem hidratado. Poupar fica mais fácil quando não tem nenhum fator te influenciando negativamente para gastar todo o dinheiro.

Comece a poupar e continue seguindo os hábitos nesse período de tempo, religiosamente. Eu falo mais sobre finanças e sobre o que você deve evitar fazer aqui nesse artigo.

Hábito #6 – Transforme seu carro em uma sala de aula

 

Ler diariamente é uma forma de aprendizado muito eficiente quando estamos no nosso lar e temos esse tempo para aprender uma coisa nova, mas a tecnologia mudou tanto a forma de ensino, que hoje nós podemos aproveitar o tempo de trajeto até o trabalho para escutar palestras, audiolivros e podcasts.

Seja no carro ou no transporte coletivo, sempre desperdiçamos cerca de 30 minutos a até 2 ou 3 horas no trajeto para o trabalho, escola, faculdade. Tempo esse que pode ser utilizado para o aprendizado.

Isso vai fazer uma grande diferença em um ano, já que podemos perder uma média de 1 hora por dia, em um ano serão quase 270 horas desperdiçadas. Isso se você gastar apenas 1 hora no trajeto. Para quem gasta 3 horas isso sobe para quase 800 horas. Muita coisa!

Outra coisa é que você pode estar mais relaxado escutando alguma aula enquanto poderia estar se estressando com o trânsito. Tudo favorável a praticar esse hábito. Os grandes milionários fazem isso, indicam e repassam para seus filhos. Faça também!

Hábito #7 – Pare de ver TV

Eu sei que você pode estar pensando que eu estou louco em te aconselhar a parar de ver televisão. Isso se deve mais ao fato do brasileiro estar acostumado a gastar em média 4 horas por dia vendo televisão.

Façamos mais uma conta para o período de 12 meses: 4 horas por dia x 365 = 1460 horas por ano. Agora 1460 horas / 24 horas = 60 dias. Já percebeu que você pode estar gastando cerca de 60 dias, ou 2 meses ou 1/6 do ano, assistindo televisão?

Tem um artigo aqui no Mude.nu que fala exatamente nisso chamado: Por que você não deve assistir à nova novela hoje à noite. Vale muito a pena ler também.

Enfim, falo isso porque os milionários não assistem mais do que 1 ou 2 horas por dia e não assistem de maneira alguma reality show. Isso é perda de tempo, é mais vantajoso cuidar da própria vida.

Gaste seu tempo com os amigos, vendo documentários, trabalhando nos seus projetos, se educando, lendo livros e fazendo cursos. Isso é o que vai mudar a sua vida em 12 meses, 2, 5, 10 anos.

Hábito #8 – Pratique falar em público

Um fator em comum dos milionários é que eles sabem expressar suas ideias. Para conseguir apoio, financiamento, investimentos, melhores amizades, para atingir suas metas, para repassar seus conhecimentos, todos buscam se aperfeiçoar na comunicação.

Isso vai mudar a forma como você consegue influenciar as pessoas para confiarem em você e no seu progresso. No prazo de 12 meses você pode se tornar uma pessoa muito mais comunicativa e apreciada. Comece a praticar apresentações, a conversar com estranhos, a vender suas ideias.

Tudo vai mudar quando você puder expressar para o maior número de pessoas possíveis que você tem um valor único e digno de ser acompanhado.

Hábito #9 – Pare de reclamar

Dentre tudo que você possa estar fazendo nesse momento sobre sua vida, a coisa menos produtiva é reclamar.

Reclamar que só tem contas, que os ricos são desonestos, que o preço da gasolina não para de subir e isso, e aquilo.Apenas pare!

Esse também é o hábito mais fácil de mudar com o maior impacto na sua vida. Você para de reclamar e imediatamente começa a pensar em formas de mudar suas ações para resolver seus problemas.

Os livros que você está lendo podem dar bons insights sobre as ações necessárias para sair de onde estar. Com sua saúde impecável sua mentalidade também muda, esse é o poder do esporte e das atividades físicas.

Você vai ver como tudo para de parecer um problema quando você para de assistir televisão, para de se preocupar com os problemas dos outros e passa a buscar soluções para os seus em livros, com os novos amigos e coloca tudo no seu plano de metas.

Hábito #10 – Aprenda uma nova habilidade

 

Eu falei de praticar falar em público, mas essa não é a única que você deve focar para se desenvolver no período de 12 meses. Pratique um esporte novo, aprenda a tocar um instrumento, aprenda a fazer negociações, a fazer artesanato, a ser mais produtivo.

O site Mude.nu mesmo está cheio de novos desafios e habilidades que você pode aprender e praticar com que já está fazendo.

Tente praticar uma nova por mês para ir pegando o gosto de aprender coisas novas, ou apenas uma durante o ano todo para se tornar um especialista nisso.

Os milionários estão sempre aprendendo a melhorar e eles pagam caro por uma nova habilidade que vai trazer-lhes economia de tempo, lazer ou aumento nos lucros.

Hábito #11 – Começar um negócio

Poucas coisas vão te fazer tão bem e vão mudar tanto a pessoa que você é no período de 12 meses do que começar um negócio próprio.

Esse negócio pode ser o seu propósito de vida e você não sabia até começar. Criar um negócio a partir de alguma paixão, a partir de um hobbie, de uma das suas habilidades novas é uma das coisas mais apaixonantes que você pode fazer.

É até engraçado como você passa a seguir os passos anteriores como se fosse parte do seu negócio. Você aprende sobre o ramo em que quer começar o negócio, você busca pessoas com interesses em comum e dispostas a sucederem, você se educa, cria metas, para de ver televisão, usa o tempo do trajeto do trabalho para aprender mais, para de reclamar e começa a comunicar suas ideias para todo mundo.

Parece até um caminho natural e de fato é. Começar um negócio não era o interesse de um jovem que fazia computadores por diversão, mas passou a ser após ele tratar isso como negócio. Hoje, Bill Gates é o homem mais rico do mundo com bilhões de dólares na conta.

Todo aspecto em você vai mudar quando você começar seu negócio. Enquanto você se dedica a ele, nunca vai perceber que está trabalhando porque você faria isso até de graça se fosse possível.

Hábito #12 – Procure oportunidades para ajudar os outros

“Se existe um único segredo do sucesso, ele está na capacidade de ver as coisas do ponto de vista da outra pessoa.” ~ Henry Ford

Na vida em geral e nos negócios, procure sempre ajudar os outros. Isso vai mudar a sua percepção de como as outras pessoas pensam. Quando você para de se preocupar apenas com você e passa a se importar com as outras pessoas, sua vida muda.

Pense em sempre fazer o bem e encontrar maneiras de gerar riqueza para sua vida não se esquecendo de recompensar o mundo com sua dedicação, doação, caridade, voluntarismo e sempre dando mais do que recebe.

Outro ponto é que em algum momento você transforma o problema das pessoas em um negócio lucrativo. Você vai aumentar suas chances de criar um negócio de sucesso quando você está ajudando outras pessoas.

De repente, você percebe uma oportunidade de ajudar muitas pessoas e receber uma recompensa proporcional em relação ao valor que você propiciou para a vida delas.

As pessoas vão dar-lhe espontaneamente o dinheiro delas para quem gerou muito mais valor do que aquela quantia que elas estão pagando. Pense em ajudar as pessoas primeiro, se elas vão te pagar por isso é uma coisa delas.

Não estou falando para você trabalhar de graça, mas que apenas procure ajudar as pessoas se isso for importante para você e assim vai ter a chance de encontrar oportunidades de fazer um negócio a partir disso.

Conclusões finais

Eu acredito que qualquer um pode ter o sucesso que espera na vida. Acredito também que tempo não é um fator que vá influenciar tanto no sucesso de alguém. 12 meses é um período muito razoável para conquistar um enorme ganho financeiro, mas 6 meses já são mais do que suficientes como fala o André Valongueiro, criador desse site, no curso Academia de Pilotos.

Para que você venha um dia a ser um milionário que começou do zero, você deve preparar o terreno para que sua vida financeira vá bem. Por isso esses 12 hábitos mostram o que você pode fazer para mudar sua vida sem nenhum grande truque que te faça ganhar muito dinheiro de uma hora para outra.

Eu garanto que seguir esses 12 hábitos dos milionários durante o período de 1 ano vá mudar mais a sua vida do que ganhar milhões na Mega-Sena.

Por isso, estudando os milionários e pessoas bem sucedidas de diversas áreas, lendo livros e mais livros, fazendo cursos e mais cursos, elaborei o meu próprio plano.

Compilei tudo em um e-book chamado Como Ficar Rico: Os 7 Passos Para Enriquecer de Verdade Começando do Zero. Sem receitas mágicas, sem balelas, com bastante dedicação. Acesse esse link e faça o seu download grátis aqui.

Estou compartilhando também os meus estudos no meu site chamado Hábitos Milionários.

A mudança para os hábitos corretos refletem diretamente no seu grau de sucesso. Quanto mais deles você cultivar, mais propenso ao sucesso você estará. Não se esqueça:

Sucesso é previsível!

Putin irá sobreviver?

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Líder russo governa há 14 anos usando táticas e nomenclatura dos tempos soviéticos

George Friedman
Stratfor
Tradução e edição: Nicholle Murmel

Há uma visão geral de que Vladimir Putin governa a Rússia como um ditador, de que ele derrotou e intimidou seus oponentes e se posta como uma ameaça às nações vizinhas. É uma visão razoável, mas que talvez precise ser revista sob a luz dos últimos acontecimentos.

Ucrânia – a aposta para reverter o declínio russo

Logicamente, devemos começar pela Ucrânia. O país é vital para a Rússia como um pára-choque contra o Ocidente e como rota para fornecer gás à Europa – a base da economia russa. Em 1º de janeiro deste ano, o presidente ucraniano era Viktor Yanukovich, com inclinação abertamente favorável à Moscou. Dada a complexidade da política e da sociedade ucraniana, seria pouco razoável afirmar que durante sua administração o país era apenas uma marionete. Mas é coerente dizer que os interesses russos estavam seguros.

Isso era extremamente importante para Vladimir Putin. Parte da razão pela qual ele substituiu Boris Yeltsin, em 2000, foi a performance do então presidente durante a guerra em Kosovo. A Rússia tomou partido dos Sérvios e foi contra uma ofensiva da OTAN à Sérvia – a posição de Moscou foi ignorada, simplesmente não importava para o Ocidente. Ainda assim, quando a campanha aérea falhou em conseguir a rendição de Belgrado, a Rússia negociou um acordo que permitiu aos Estados Unidos e outras nações da OTAN entrar na região e administrar Kosovo. Como parte do acordo, foi prometido que as tropas russas teriam um papel significativo na pacificação, mas no fim das contas a participação lhes foi negada, e Yeltsin se mostrou incapaz de reagir a essa ofensa.

Putin também tomou o lugar de Yeltsin por conta do estado desastroso em que se encontrava a economia russa. Apesar de o país sempre ter sido pobre, mantinha-se a aura de imponência e respeito em termos de assuntos internacionais. Durante a administração de Yeltsin, porém, a Rússia empobreceu ainda mais, e passou a ser alvo de desdém no cenário global. Putin teve que lidar com esses dois problemas. Levou muito tempo até agir e recriar o poder russo, apesar de dizer desde o começo que a queda da União Soviética havia sido o maior desastre geopolítico do século 20. Isso não significava que ele queria ressuscitar o bloco em sua forma fracassada, mas sim que a potência russa fosse levada a sério novamente, além de projetar e reforçar os interesses nacionais.

A gota d’água veio da Ucrânia durante a Revolução Laranja em 2004. Viktor Yanukovich foi eleito presidente naquele ano em circunstâncias dúbias, mas o candidato foi forçado a se submeter a novas eleições – e perdeu, dando lugar a um governo pró-Ocidente. Na época, Putin acusou a CIA e outras agências de inteligência de orquestrar a demanda por novas eleições. Com relativa visibilidade, foi aí que o presidente se convenceu de que o Ocidente pretendia destruir a Federação Russa, mandando-a pelo mesmo caminho da antiga URSS. Para ele, a importância da Ucrânia era auto-explicativa. O presidente então passou a acreditar que a CIA havia interferido no processo eleitoral de Kiev para deixar a Rússia em uma posição delicada, e o único motivo para tanto seria a vontade de debilitar ou destruir Moscou. Após o conflito em Kosovo, Putin passou publicamente da desconfiança para a hostilidade em relação ao Ocidente.

O governo russo trabalhou entre 2004 e 2010 para reverter a Revolução Laranja. Trataram de restabelecer as Forças Armadas, concentrar o aparato de inteligência e usar o que restava da influência econômica para remodelar as reações com a Ucrânia – se não pudessem controlar o páis, não queriam deixá-lo para os Estados Unidos e a Europa. Esse não era o único objetivo internacional de Moscou, é claro, mas era o mais essencial.

A invasão russa à Georgia teve mais a ver com a Ucrânia do que com o Cáucaso. Na época, os EUA ainda estavam atolados no Afeganistão e no Iraque. Ainda que Washington não tivesse nenhuma obrigação formal para com a Georgia, havia laços estreitos e garantias implícitas entre os dois países. A invasão foi projetada por Moscou com duas finalidades. A primeira era mostrar às nações da região que as Forças Armadas russas, em estado deplorável no início dos anos 2000, estavam novamente capazes e operacionais em 2008. A segunda era demonstrar aos governos, especialmente o de Kiev, que as garantias dadas pelos EUA, explícitas ou veladas, não tinham valor. Em 2010 Yanukovich foi eleito presidente na Ucrânia, revertendo a Revolução Laranja e limitando a influência ocidental no país.

Reconhecendo a fratura na relação com Moscou e percebendo a tendência geral contra os Estados Unidos no Leste Europeu, o governo Obama tentou recriar antigos modelos de relacionamento quando Hillary Clinton presenteou Vladimir Putin com um botão de “reiniciar” em 2009. Mas Wahsington queria restaurar os laços nos termos do que Putin definiu como os “antigos dias ruins”. Naturalmente o presidente russo não se interessava por um recomeço assim. Em vez disso, ele via os EUA como assumindo uma postura defensiva, e pretendia tirar vantagem disso..

Um lugar onde Putin explorou as novas circunstâncias foi a Europa, usando a dependência energética da União Europeia em relação ao gás russo para se aproximar do Continente, especialmente da Alemanha. Mas o ponto alto dessa estratégia veio durante a questão da Síria, quando o governo Obama ameaçou o país com ataques aéreos, após Damasco ter usado armas químicas, mas em seguida voltou atrás. O governo russo se opôs fortemente à postura de Obama propondo que se negociasse com o governo de Bashar al-Assad. Moscou emergiu dessa crise parecendo um agente decisivo e capaz, enquanto os EUA aparentavam fraqueza e incompetência. A potência russa parecia em alta e, apesar da economia enfraquecida, o sucesso diplomático reforçou a imagem presidencial.

A maré vira contra o presidente

Por contraste, os acontecimentos na Ucrânia este ano se mostraram devastadores para Vladimir Putin. Em janeiro, a Rúsia dominava Kiev, em fevereiro, Yanukovich fugiu do país e um governo pró-Ocidente assumiu o poder. O levante generalizado contra o governo central, que Putin esperava que viesse do leste ucraniano após a deposição de Yanukovich, não aconteceu. Enquanto isso, o novo governo, com ajuda de conselheiros ocidentais, se implantou mais firmemente. Em julho, o governo russo mantinha influência apenas sobre pequenas partes da Ucrânia, incluindo a Crimeia, onde Moscou sempre manteve contingentes militares massivos por conta de tratados, além de um triângulo de territórios entre Donetsk, Luhansk e Severodonetsk onde um pequeno número de insurgentes, aparentemente apoiados pelas Forças Especiais russas, controlava uma dúzia de cidades.

Se absolutamente nenhum levante acontecesse na Ucrânia, a estratégia de Putin seria deixar o governo em Kiev se desintegrar sozinho, e afastar os Estados Unidos da Europa ao explorar a forte dependência energética do Continente. E é aí que o abate do avião de passageiros da Malasya Airlines se torna crucial. Se for comprovado – como tudo indica – que a Rússia forneceu sistemas antiaéreos aos separatistas e enviou equipes para operá-los (uma vez que operar os sistemas requer um longo treinamento), o país pode ser responsabilizado por derrubar o avião. Isso significa que a habilidade de Moscou para separar os governos europeus dos EUA declinaria dramaticamente. Putin então passaria de um governante eficiente e sofisticado, que usa seu poder de forma implacável, a um incompetente perigoso apoiando uma insurgência desesperada com armamentos completamente inapropriados.

Nesse meio-tempo, o presidente russo precisa considerar o destino de seus antecessores. Nikita Khrushchev voltou de férias em outubro de 1964 e se viu substituído por seu protegido, Leonid Brezhnev, enquanto enfrentava acusações de, entre outras falhas, “maquinações inconsequentes”. Khrushchev já havia sido humilhado com a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962 – esse episódio, e sua incapacidade de impulsionar a economia depois de uma década no poder, fez com que seus colegas o “aposentassem”. A lição aqui é que não seria inédito que um gigantesco retrocesso diplomático e falhas na economia derrubassem do Kremlin um líder aparentemente incontestável.

A atual situação econômica da Rússia não é nem de longe catastrófica como nos governos de Khrushchev e Yeltsin, mas deteriorou significativamente nos últimos anos e, mais importante, não correspondeu às expectativas. Depois de se recuperar da crise de 2008, Moscou passou por sucessivas quedas no crescimento do PIB, e o Banco Central do país prevê crescimento zero este ano. Dadas as pressões atuais, pode-se concluir que a economia russa entrará em recessão ainda m 2014. As dívidas dos governos regionais dobraram nos últimos quatro anos, e diversas repúblicas da Federação estão próximas da falência. Também estão quebrando algumas empresas do setor de mineração e produção de metais. A crise ucraniana só piorou a situação. Capitais em torno de 76 bilhões de saíram da Rússia nos últimos seis meses, comparado com 63 bilhões ao longo de todo o ano de 2013. Investimentos estrangeiros diretos caíram 50% na primeira metade de 2014 em comparação ao mesmo período do ano passado. E esses números aconteceram mesmo com o petróleo ainda custando mais de 100 dólares o barril.

A popularidade interna de Vladimir Putin subiu vertiginosamente após o sucesso dos Jogos de Inverno em Sochi e depois de a mídia ocidental tê-lo feito parecer o agressor na questão da Crimeia – afinal, a imagem do presidente foi construída como a de um homem severo e agressivo. Mas real situação na Ucrânia está se tornando cada vez mais óbvia, a grande vitória do governo russo será vista como encobrir uma retirada em um momento de sérios problemas econômicos. Para muitos líderes, os acontecimentos em Kiev não seriam um desafio tão imenso, mas Putin construiu sua imagem em cima de uma política externa dura, e a economia demonstra que seus índices de popularidade não eram tão altos antes da questão ucraniana.
Imagine a Rússia depois de Putin
No tipo de regime que Putin ajudou a arquitetar, o processo democrático pode não ser a chave para entender o que acontecerá em seguida. O atual presidente restaurou elementos da era soviética em sua estrutura de governo, usando até mesmo o termo Politburo para se referir ao próprio Gabinete. São todos homens escolhidos pessoalmente, claro, então pode-se pensar que eles sejam leais. Mas no Politburo estilo URSS, os colegas mais próximos eram frequentemente os mais temidos. Esse modelo de administração é projetado para um líder construir coalizões entre facções. Putin vem sendo muito bom em fazer isso, como vem sendo muito bom em tudo até agora. Mas a capacidade de manter as partes unidas se corrói à medida em que a habilidade pessoal do presidente diminui, e várias facções no país começam a agir movidas pela preocupação com as consequências de permanecerem ligadas a um líder decadente. Assim como Khrushchev, que falhou na economia e na política externa, Putin pode ser removido pelos próprios colegas.

É difícil saber como se daria uma crise de liderança, dado que o processo constitucional de sucessão presidencial coexiste com o governo informal criado por Putin. Sob o ponto de vista democrático, o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o prefeito de Moscou, Sergei Sobayanin, são tão populares quanto Putin, e podem se tornar mais populares com o tempo. Já em uma disputa à moda soviética, o chefe da Casa Civil, Sergei Ivanov, e o chefe do Conselho de Segurança, Nicolai Patryushev, seriam candidatos possíveis. Mas há outros. Afinal, quem poderia ter previsto a ascensão de Mikhail Gorbachev?

Em última análise, políticos que calculam mal e administram mal tendem a não sobreviver. Putin calculou mal a crise na Ucrânia – falhou em antecipar a queda de um aliado, em responder eficazmente, e então tropeçou ao tentar reaver a área de influência perdida. A administração da economia também não vem sendo exemplar, isso em termos suaves. O presidente tem colegas que acreditam serem capazes de fazer melhor, e atualmente há pessoas importantes na Europa que ficariam contentes em ver Putin fora do Kremlin. Ele precisa reverter esse quadro, e rápido, ou pode ser substituído.

A trajetória do atual presidente está longe do fim. Mas ele governa há 14 anos, incluindo o período em que Dimitri Medvedev era o governante oficial – é muito tempo. Ele pode recuperar o passo, mas como as coisas estão no momento, é de se esperar que pensamentos revolvam nas cabeças de seus colegas do Politburo. O próprio presidente deve estar reavaliando as opções todos os dias. Retroceder diante do Ocidente e aceitar o “status quo” na Ucrênia seria difícil, considerando que a questão de Kosovo o ajudou a chegar ao poder no passado e tudo o que ele declarou sobre Kiev ao longo dos anos. Mas o quadro atual é insustentável. O fator coringa nessa situação é que caso Putin se veja em sérios problemas políticos, ele pode se tornar ainda mais agressivo. Não se pode afirmar que essa seja a realidade presidencial no momento, mas muita coisa deu errado ultimamente. E como em qualquer crise, quanto mais a situação se agrava, mais extremas são as opções consideradas.

Mas aqueles que pensam que Putin é o líder russo mais opressor e agressivo que se pode imaginar precisam ter em mente que não é bem assim. Lenin, por exemplo, era terrível. Mas Stalin era muito pior. Da mesma forma, pode chegar um tempo em que o mundo olhará para a “era Putin” como uma época de liberdade. Pois se a luta entre Vladimir Putin e seus opositores se intensificar, a disposição de todos para a brutalidade pode muito bem aumentar.

O original, em inglês
http://www.stratfor.com/weekly/can-putin-survive#axzz38OfQxlKk

5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso

Achei muito interessante este texto do Kellvyn Atary, que juntou na mesma publicação cinco coisas que vão “justificando” a pobreza que há dentro de cada um de nós. Vale a pena.

5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso que eu Aprendi com os Milionários que Começaram do Zero

Kellvyn Atary do http://www.habitosmilionarios.com.br/ republicado no http://www.hcinvestimentos.com.br, do Henrique Carvalho