Putin irá sobreviver?

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Líder russo governa há 14 anos usando táticas e nomenclatura dos tempos soviéticos

George Friedman
Stratfor
Tradução e edição: Nicholle Murmel

Há uma visão geral de que Vladimir Putin governa a Rússia como um ditador, de que ele derrotou e intimidou seus oponentes e se posta como uma ameaça às nações vizinhas. É uma visão razoável, mas que talvez precise ser revista sob a luz dos últimos acontecimentos.

Ucrânia – a aposta para reverter o declínio russo

Logicamente, devemos começar pela Ucrânia. O país é vital para a Rússia como um pára-choque contra o Ocidente e como rota para fornecer gás à Europa – a base da economia russa. Em 1º de janeiro deste ano, o presidente ucraniano era Viktor Yanukovich, com inclinação abertamente favorável à Moscou. Dada a complexidade da política e da sociedade ucraniana, seria pouco razoável afirmar que durante sua administração o país era apenas uma marionete. Mas é coerente dizer que os interesses russos estavam seguros.

Isso era extremamente importante para Vladimir Putin. Parte da razão pela qual ele substituiu Boris Yeltsin, em 2000, foi a performance do então presidente durante a guerra em Kosovo. A Rússia tomou partido dos Sérvios e foi contra uma ofensiva da OTAN à Sérvia – a posição de Moscou foi ignorada, simplesmente não importava para o Ocidente. Ainda assim, quando a campanha aérea falhou em conseguir a rendição de Belgrado, a Rússia negociou um acordo que permitiu aos Estados Unidos e outras nações da OTAN entrar na região e administrar Kosovo. Como parte do acordo, foi prometido que as tropas russas teriam um papel significativo na pacificação, mas no fim das contas a participação lhes foi negada, e Yeltsin se mostrou incapaz de reagir a essa ofensa.

Putin também tomou o lugar de Yeltsin por conta do estado desastroso em que se encontrava a economia russa. Apesar de o país sempre ter sido pobre, mantinha-se a aura de imponência e respeito em termos de assuntos internacionais. Durante a administração de Yeltsin, porém, a Rússia empobreceu ainda mais, e passou a ser alvo de desdém no cenário global. Putin teve que lidar com esses dois problemas. Levou muito tempo até agir e recriar o poder russo, apesar de dizer desde o começo que a queda da União Soviética havia sido o maior desastre geopolítico do século 20. Isso não significava que ele queria ressuscitar o bloco em sua forma fracassada, mas sim que a potência russa fosse levada a sério novamente, além de projetar e reforçar os interesses nacionais.

A gota d’água veio da Ucrânia durante a Revolução Laranja em 2004. Viktor Yanukovich foi eleito presidente naquele ano em circunstâncias dúbias, mas o candidato foi forçado a se submeter a novas eleições – e perdeu, dando lugar a um governo pró-Ocidente. Na época, Putin acusou a CIA e outras agências de inteligência de orquestrar a demanda por novas eleições. Com relativa visibilidade, foi aí que o presidente se convenceu de que o Ocidente pretendia destruir a Federação Russa, mandando-a pelo mesmo caminho da antiga URSS. Para ele, a importância da Ucrânia era auto-explicativa. O presidente então passou a acreditar que a CIA havia interferido no processo eleitoral de Kiev para deixar a Rússia em uma posição delicada, e o único motivo para tanto seria a vontade de debilitar ou destruir Moscou. Após o conflito em Kosovo, Putin passou publicamente da desconfiança para a hostilidade em relação ao Ocidente.

O governo russo trabalhou entre 2004 e 2010 para reverter a Revolução Laranja. Trataram de restabelecer as Forças Armadas, concentrar o aparato de inteligência e usar o que restava da influência econômica para remodelar as reações com a Ucrânia – se não pudessem controlar o páis, não queriam deixá-lo para os Estados Unidos e a Europa. Esse não era o único objetivo internacional de Moscou, é claro, mas era o mais essencial.

A invasão russa à Georgia teve mais a ver com a Ucrânia do que com o Cáucaso. Na época, os EUA ainda estavam atolados no Afeganistão e no Iraque. Ainda que Washington não tivesse nenhuma obrigação formal para com a Georgia, havia laços estreitos e garantias implícitas entre os dois países. A invasão foi projetada por Moscou com duas finalidades. A primeira era mostrar às nações da região que as Forças Armadas russas, em estado deplorável no início dos anos 2000, estavam novamente capazes e operacionais em 2008. A segunda era demonstrar aos governos, especialmente o de Kiev, que as garantias dadas pelos EUA, explícitas ou veladas, não tinham valor. Em 2010 Yanukovich foi eleito presidente na Ucrânia, revertendo a Revolução Laranja e limitando a influência ocidental no país.

Reconhecendo a fratura na relação com Moscou e percebendo a tendência geral contra os Estados Unidos no Leste Europeu, o governo Obama tentou recriar antigos modelos de relacionamento quando Hillary Clinton presenteou Vladimir Putin com um botão de “reiniciar” em 2009. Mas Wahsington queria restaurar os laços nos termos do que Putin definiu como os “antigos dias ruins”. Naturalmente o presidente russo não se interessava por um recomeço assim. Em vez disso, ele via os EUA como assumindo uma postura defensiva, e pretendia tirar vantagem disso..

Um lugar onde Putin explorou as novas circunstâncias foi a Europa, usando a dependência energética da União Europeia em relação ao gás russo para se aproximar do Continente, especialmente da Alemanha. Mas o ponto alto dessa estratégia veio durante a questão da Síria, quando o governo Obama ameaçou o país com ataques aéreos, após Damasco ter usado armas químicas, mas em seguida voltou atrás. O governo russo se opôs fortemente à postura de Obama propondo que se negociasse com o governo de Bashar al-Assad. Moscou emergiu dessa crise parecendo um agente decisivo e capaz, enquanto os EUA aparentavam fraqueza e incompetência. A potência russa parecia em alta e, apesar da economia enfraquecida, o sucesso diplomático reforçou a imagem presidencial.

A maré vira contra o presidente

Por contraste, os acontecimentos na Ucrânia este ano se mostraram devastadores para Vladimir Putin. Em janeiro, a Rúsia dominava Kiev, em fevereiro, Yanukovich fugiu do país e um governo pró-Ocidente assumiu o poder. O levante generalizado contra o governo central, que Putin esperava que viesse do leste ucraniano após a deposição de Yanukovich, não aconteceu. Enquanto isso, o novo governo, com ajuda de conselheiros ocidentais, se implantou mais firmemente. Em julho, o governo russo mantinha influência apenas sobre pequenas partes da Ucrânia, incluindo a Crimeia, onde Moscou sempre manteve contingentes militares massivos por conta de tratados, além de um triângulo de territórios entre Donetsk, Luhansk e Severodonetsk onde um pequeno número de insurgentes, aparentemente apoiados pelas Forças Especiais russas, controlava uma dúzia de cidades.

Se absolutamente nenhum levante acontecesse na Ucrânia, a estratégia de Putin seria deixar o governo em Kiev se desintegrar sozinho, e afastar os Estados Unidos da Europa ao explorar a forte dependência energética do Continente. E é aí que o abate do avião de passageiros da Malasya Airlines se torna crucial. Se for comprovado – como tudo indica – que a Rússia forneceu sistemas antiaéreos aos separatistas e enviou equipes para operá-los (uma vez que operar os sistemas requer um longo treinamento), o país pode ser responsabilizado por derrubar o avião. Isso significa que a habilidade de Moscou para separar os governos europeus dos EUA declinaria dramaticamente. Putin então passaria de um governante eficiente e sofisticado, que usa seu poder de forma implacável, a um incompetente perigoso apoiando uma insurgência desesperada com armamentos completamente inapropriados.

Nesse meio-tempo, o presidente russo precisa considerar o destino de seus antecessores. Nikita Khrushchev voltou de férias em outubro de 1964 e se viu substituído por seu protegido, Leonid Brezhnev, enquanto enfrentava acusações de, entre outras falhas, “maquinações inconsequentes”. Khrushchev já havia sido humilhado com a Crise dos Mísseis de Cuba em 1962 – esse episódio, e sua incapacidade de impulsionar a economia depois de uma década no poder, fez com que seus colegas o “aposentassem”. A lição aqui é que não seria inédito que um gigantesco retrocesso diplomático e falhas na economia derrubassem do Kremlin um líder aparentemente incontestável.

A atual situação econômica da Rússia não é nem de longe catastrófica como nos governos de Khrushchev e Yeltsin, mas deteriorou significativamente nos últimos anos e, mais importante, não correspondeu às expectativas. Depois de se recuperar da crise de 2008, Moscou passou por sucessivas quedas no crescimento do PIB, e o Banco Central do país prevê crescimento zero este ano. Dadas as pressões atuais, pode-se concluir que a economia russa entrará em recessão ainda m 2014. As dívidas dos governos regionais dobraram nos últimos quatro anos, e diversas repúblicas da Federação estão próximas da falência. Também estão quebrando algumas empresas do setor de mineração e produção de metais. A crise ucraniana só piorou a situação. Capitais em torno de 76 bilhões de saíram da Rússia nos últimos seis meses, comparado com 63 bilhões ao longo de todo o ano de 2013. Investimentos estrangeiros diretos caíram 50% na primeira metade de 2014 em comparação ao mesmo período do ano passado. E esses números aconteceram mesmo com o petróleo ainda custando mais de 100 dólares o barril.

A popularidade interna de Vladimir Putin subiu vertiginosamente após o sucesso dos Jogos de Inverno em Sochi e depois de a mídia ocidental tê-lo feito parecer o agressor na questão da Crimeia – afinal, a imagem do presidente foi construída como a de um homem severo e agressivo. Mas real situação na Ucrânia está se tornando cada vez mais óbvia, a grande vitória do governo russo será vista como encobrir uma retirada em um momento de sérios problemas econômicos. Para muitos líderes, os acontecimentos em Kiev não seriam um desafio tão imenso, mas Putin construiu sua imagem em cima de uma política externa dura, e a economia demonstra que seus índices de popularidade não eram tão altos antes da questão ucraniana.
Imagine a Rússia depois de Putin
No tipo de regime que Putin ajudou a arquitetar, o processo democrático pode não ser a chave para entender o que acontecerá em seguida. O atual presidente restaurou elementos da era soviética em sua estrutura de governo, usando até mesmo o termo Politburo para se referir ao próprio Gabinete. São todos homens escolhidos pessoalmente, claro, então pode-se pensar que eles sejam leais. Mas no Politburo estilo URSS, os colegas mais próximos eram frequentemente os mais temidos. Esse modelo de administração é projetado para um líder construir coalizões entre facções. Putin vem sendo muito bom em fazer isso, como vem sendo muito bom em tudo até agora. Mas a capacidade de manter as partes unidas se corrói à medida em que a habilidade pessoal do presidente diminui, e várias facções no país começam a agir movidas pela preocupação com as consequências de permanecerem ligadas a um líder decadente. Assim como Khrushchev, que falhou na economia e na política externa, Putin pode ser removido pelos próprios colegas.

É difícil saber como se daria uma crise de liderança, dado que o processo constitucional de sucessão presidencial coexiste com o governo informal criado por Putin. Sob o ponto de vista democrático, o ministro da Defesa, Sergei Shoigu, e o prefeito de Moscou, Sergei Sobayanin, são tão populares quanto Putin, e podem se tornar mais populares com o tempo. Já em uma disputa à moda soviética, o chefe da Casa Civil, Sergei Ivanov, e o chefe do Conselho de Segurança, Nicolai Patryushev, seriam candidatos possíveis. Mas há outros. Afinal, quem poderia ter previsto a ascensão de Mikhail Gorbachev?

Em última análise, políticos que calculam mal e administram mal tendem a não sobreviver. Putin calculou mal a crise na Ucrânia – falhou em antecipar a queda de um aliado, em responder eficazmente, e então tropeçou ao tentar reaver a área de influência perdida. A administração da economia também não vem sendo exemplar, isso em termos suaves. O presidente tem colegas que acreditam serem capazes de fazer melhor, e atualmente há pessoas importantes na Europa que ficariam contentes em ver Putin fora do Kremlin. Ele precisa reverter esse quadro, e rápido, ou pode ser substituído.

A trajetória do atual presidente está longe do fim. Mas ele governa há 14 anos, incluindo o período em que Dimitri Medvedev era o governante oficial – é muito tempo. Ele pode recuperar o passo, mas como as coisas estão no momento, é de se esperar que pensamentos revolvam nas cabeças de seus colegas do Politburo. O próprio presidente deve estar reavaliando as opções todos os dias. Retroceder diante do Ocidente e aceitar o “status quo” na Ucrênia seria difícil, considerando que a questão de Kosovo o ajudou a chegar ao poder no passado e tudo o que ele declarou sobre Kiev ao longo dos anos. Mas o quadro atual é insustentável. O fator coringa nessa situação é que caso Putin se veja em sérios problemas políticos, ele pode se tornar ainda mais agressivo. Não se pode afirmar que essa seja a realidade presidencial no momento, mas muita coisa deu errado ultimamente. E como em qualquer crise, quanto mais a situação se agrava, mais extremas são as opções consideradas.

Mas aqueles que pensam que Putin é o líder russo mais opressor e agressivo que se pode imaginar precisam ter em mente que não é bem assim. Lenin, por exemplo, era terrível. Mas Stalin era muito pior. Da mesma forma, pode chegar um tempo em que o mundo olhará para a “era Putin” como uma época de liberdade. Pois se a luta entre Vladimir Putin e seus opositores se intensificar, a disposição de todos para a brutalidade pode muito bem aumentar.

O original, em inglês
http://www.stratfor.com/weekly/can-putin-survive#axzz38OfQxlKk

5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso

Achei muito interessante este texto do Kellvyn Atary, que juntou na mesma publicação cinco coisas que vão “justificando” a pobreza que há dentro de cada um de nós. Vale a pena.

5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso que eu Aprendi com os Milionários que Começaram do Zero

Kellvyn Atary do http://www.habitosmilionarios.com.br/ republicado no http://www.hcinvestimentos.com.br, do Henrique Carvalho

Dez coisas que fazem as pessoas se afastarem de você

Publicado em 15 de abril de 2014 por Frederico Mattos 

No consultório algumas pessoas me perguntam sem o saber qual seria o motivo para suas vidas não fluírem como deveriam. Às vezes se queixam de relacionamentos que nunca seguem em frente ou da solidão que sentem e não desconfiam dos motivos das pessoas se afastarem delas. Tenho certeza que essa é uma pergunta feita por várias pessoas, segue uma lista de motivos possíveis:

1- Instabilidade emocional

Uma das coisas mais difíceis é se relacionar com uma montanha-russa, por dez minutos ou em uma festa pode até ser tolerável, mas para seguir numa amizade, como colega de profissão ou parceiro amoroso é impossível. O mínimo de estabilidade e previsibilidade é importante quando se trata de estabelecer vínculos de confiança.

2- Ser dominador

Naqueles dias que você não sabe nem o que quer jantar é muito bem-vindo alguém que tenha pulso firme para tomar a liderança. Outra coisa é conviver com um ditador que quer ter a razão em qualquer assunto e determinar como, quando, onde e pra quê sua vida deve existir. Sempre haverá alguém sem vida própria para revezar ao lado de uma pessoa mandona, mas no longo prazo é só reparar, nunca são as mesmas pessoas, ninguém aguenta.

3- Egoísmo galopante

Autoconfiança, opinião própria e boa autoestima são apreciadas numa pessoa, mas dividir espaço com um rei momo psicológico que coloque todas essas características na décima potência é asfixiante. Parte dos motivos que nos fazem ficar ao lado de uma pessoa é saber que ela valoriza quem nós somos por nós mesmos e não como espectadores de sua vida.

4- Ser o centro das atenções

Não importa o motivo, o lugar ou o artifício o que importa é estar no meio do palco. Tem quem coloque uma melancia no pescoço, mas tem quem se faça de coitadinho ou sexy, o modus operandi muda mas o essencial é que aquela pessoa receba atenção constante. Bastou outra pessoa começar uma história ou a outra ficar feliz com sua conquista e surgirá a parasita de energia dos outros para cortar o assunto e sequestrar as atenções. Por um dia até vai, mas a vida inteira é insuportável.

5- Viajar na maionese

Ser distraído é uma característica de quem está fechado no seu próprio mundo, e quando isso vem acompanhado de uma ingenuidade e falta de senso do ridículo o pacote fica completo para produzir alguém que não fala coisa com coisa. É até engraçado conviver com alguém que age na vida como se fosse café-com-leite, mas para aquelas coisas sérias, que dependem de firmeza esse tipo de pessoa não entra na lista de prioridades.

6- Nunca levar nada a sério

As amizades, os relacionamentos amorosos e profissionais precisam de refresco nessa rotina acelerada que vivemos, mas ser bobo alegre e descomprometido ao extremo não é uma boa receita para gerar credibilidade. É como alho e vampiro, não combinam.

7- Agir com raiva diante das frustrações

A vida será sempre cercada de coisas lindas e descompassos e parte da maturidade de alguém se deve a habilidade em administrar com ginga, bom humor e eficiência os seus problemas. Tem gente que vira um furacão com o mínimo de contrariedade e desconta em quem está por perto. As pessoas podem parecer que respeitam você, mas na verdade elas tem medo e bastará uma distração sua para que elas saiam correndo e nunca mais voltem.

8- Confundir falta de educação com honestidade

Há quem ache bonito sair falando as verdades não-solicitadas na cara dos outros. Costumam aproveitar da fama de “honesto” para dar patada e descarregar suas frustrações em cima dos outros. Mas não se deixe enganar, quem gosta de falar as verdades na cara dos outros está mais para amargurado do que sincero. Cometer sincerocídio, portanto, não ajuda em nada se vier desacompanhado de carinho e intimidade.

9- Fazer jogos

Por causa do medo de sofrer algum tipo de humilhação algumas pessoas se antecipam em toda e qualquer suposta artimanha dos outros. Essa defensividade exagerada associada com paranóia e orgulho cria uma bomba explosiva que cria um jogador compulsivo seja na paquera, no trabalho, com os amigos ou amores. Por medo de sofrer a pessoa fica o tempo todo manipulando as vontades e interesses das pessoas na direção daquilo que quer. No final do jogo, no entanto, quem levou o xeque-mate foi ela.

10- Ser frio e insensível

Quem acha que os outros tem telepatia para adivinhar o tamanho do seu amor está enganado. Amor de verdade se mostra agindo e fazendo coisas concretas para mostrar que a companhia vale a pena e as coisas estão agradáveis. Conviver com uma pedra de gelo que não reage a nada pode endurecer quem está por perto. O medo da pessoa fria é parecer vulnerável e no final da história ela irá encarar seu maior fantasma ao afastar todas as pessoas importantes de sua vida por causa de sua insensibilidade.

Sobre Frederico Mattos 
Sonhador nato, psicólogo provocador, autor do livro “Como se libertar do ex”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, cultiva um jardim, lava pratos, ama Juliana e escreve no blog Sobre a vida [www.sobreavida.com.br]. No twitter é @fredmattos.

Treze meses sem cigarro

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Neste 24 de março completam-se um ano e um mês desde que dei a última baforada em um cigarro. Depois de 20 anos de fumante profissional, resolvi deixar de lado essa página da minha história um pouco depois de ter completado 40 anos de idade. Eu vinha comemorando os primeiros três meses, depois os seis meses, e tal… Fiquei pensando que só faria publicamente uma comemoração depois que passasse dos doze meses de abstinência. Pois é… passei. Já são treze meses sem o cigarro e uns vinte quilos a mais no corpo. Sim, teve economia, mesmo que tenha aumentado o consumo de guloseimas, balas de goma, bolachas recheadas e outras bobaginhas gastronômicas muito gostosas.

Não tem sido fácil, mesmo com o tempo já decorrido e o costume de viver sem o cigarro. A vontade  pinta todos os dias. A toda hora surge um “argumento de venda” que relaciona o desejo de dar uma pitada. Mesmo que isso dure menos de um segundo, vem em seguida a consciência de que o cigarro faz mal e é um vício muito poderoso. Para os amigos que buscam parar de fumar, recomendo começar logo.

Tentar sem remédios, como eu estou fazendo, não é recomendável. O sofrimento tem sido grande. Há no mercado diversos repositores de nicotina e outros quetais que trabalham no âmbito do controle da ansiedade. O que estou fazendo, de ficar sem fumar – literalmente, no peito – é bastante duro. Apesar de todas as dificuldades, vale a pena começar a ficar sem o cigarro.

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Jornalista da BBC, Wyre Davies, descreve caos em tentativa de socorro a cinegrafista da Band

Hoje, fui ao funeral de um homem que eu não conhecia. Mas tudo o que ouvi e li sobre Santiago Andrade nos últimos dias me faz desejar tê-lo conhecido e passado mais tempo na companhia dele.

Os poucos minutos nos quais nossos caminhos se cruzaram em uma praça no Rio de Janeiro na semana passada foram caóticos, confusos e, em última análise, fúteis. Por talvez uma hora e meia, eu fiquei com aquele pai de família de 49 anos de idade em um hospital no centro da cidade enquanto médicos lutavam para salvá-lo.

Santiago Andrade não saiu do hospital com vida.

Faz exatamente uma semana desde que o cinegrafista da Rede Bandeirantes caiu com a explosão de um artefato, um tipo de sinalizador ou peça de fogos de artifício, atrás de sua cabeça enquanto ele cobria um dos protestos contra o governo no Rio de Janeiro.

Menos de quatro segundos depois, meu colega da BBC, Keith “Chuck” Tayman, e eu estávamos a seu lado.
Antes de chegar ao Brasil há cerca de cinco meses, eu passei os últimos três anos baseado no Oriente Médio cobrindo, entre outros eventos, as quase sempre traumáticas revoltas árabes. No Egito, em Gaza e na Líbia, eu presenciei cenas chocantes, emocionalmente aflitivas e vi, com muita frequência, as terríveis consequências dos conflitos.
Então, quando ajoelhei ao lado do corpo de Santiago, não fiquei congelado ou em dúvida sobre o que deveria fazer, mesmo vendo seus ferimentos terríveis. A explosão deixou uma enorme ferida em sua cabeça, através da qual o sangue já começava a escorrer.

Todos os funcionários da BBC que trabalham em áreas de conflito passam por um treinamento chamado “hostile environment” (ambiente hostil) – cuja parte mais valiosa é, sem dúvida, a preparação para prestar primeiros socorros. Tendo trabalhado anteriormente como guia de expedições em montanhas, eu também já havia usado esse conhecimento em outras ocasiões.

Na falta de um kit de primeiros socorros ou de bandagens apropriadas, Chuck instintivamente retirou sua camiseta e a pressionou contra a ferida na cabeça de Santiago para estancar a hemorragia. Apesar de inconsciente, Santiago respirava pesadamente. Em meio ao caos, fizemos o melhor que podíamos para estabilizá-lo.

Eu já vi muitas vítimas de violência deixadas deitadas no chão enquanto policiais e transeuntes ficam imóveis, por relutância ou incapacidade de ajudar, durante aqueles que podem ser os momentos mais críticos para a sua sobrevivência.

Na hora em que a ajuda médica profissional chega, frequentemente, é muito tarde; a vítima pode ter morrido pela perda de sangue, insuficiência cardíaca ou simplesmente porque ninguém verificou se ela continuava respirando.

Os ferimentos de Santiago eram tão graves que nós sabíamos que deveríamos levá-lo ao hospital imediatamente. Mas alguns policiais – talvez não percebendo a gravidade da situação – acabaram dificultando nossa passagem enquanto muitos manifestantes protestavam e gritavam culpando a polícia pelo ataque. Foi demonstrado, de forma quase inegável, que o artefato foi disparado por uma dupla de manifestantes que acabou sendo identificada.

Enquanto tratávamos de Santiago no chão, também tivemos que “controlar” a situação. Após alertar diversas vezes os policiais sobre a urgência do momento, carregamos cuidadosamente seu corpo, de 82 quilos, para a parte de trás de um carro de polícia e corremos para o hospital mais próximo.

O tempo pareceu uma eternidade, mas, desde o momento em que vi Santiago soltar sua câmera e cair no chão até a corrida contra o fluxo do tráfego pela principal avenida do Rio para o hospital, passaram-se apenas seis minutos.
Eu e Chuck esperávamos que tivesse sido tempo suficiente para ajudar a salvar a vida de Santiago Andrade.

Ameaça de violência

Sabendo que aquela provavelmente seria a última vez que veria seu pai com vida, Vanessa Andrade também passou bastante tempo ao lado de seu leito no hospital nesta semana.
Escrevendo com o coração, mas com a consciência de alguém que quer dizer as coisas certas e relembrar momentos preciosos, a jovem de 29 anos falou sobre o pai e sua última “conversa” com ele.

“Ele me ensinou muitas coisas, que pessoas de origem humilde têm que trabalhar duas vezes mais duro para vencer na vida”, disse Vanessa, que deu continuidade à vocação do pai como profissional de mídia.
Em uma homenagem comovente, ela continuou: “Hoje, eu disse adeus, só eu e ele. Com minha cabeça em seu ombro, falamos de muitas coisas. Eu pedi perdão pelas minhas falhas… . Eu sei que ele está bem. Claro que ele está. E eu sou a continuação da vida dele”.

Em uma sociedade frequentemente brutal e polarizada, muitos colegas descreveram Santiago como um homem grande e gentil que odiava violência e fazia todo o possível para evitar confrontos.

Durante seu velório e funeral lotados hoje no subúrbio do Rio, colegas da Band News e dezenas de outros jornalistas brasileiros relembraram um homem que trabalhou para minimizar as ameaças a profissionais de mídia.

Aqui na América Latina, onde jornalistas frequentemente correm o risco de se tornarem alvos, em vez de poderem operar como livres observadores independentes, o conceito de direitos legais para profissionais de mídia ainda não está enraizado.
De acordo com números divulgados recentemente, mais trabalhadores da imprensa foram mortos no Brasil do que em qualquer outro lugar na região, incluindo o México, onde repórteres são frequentemente intimidados e forçados a trabalhar de forma anônima.

“No Brasil, jornalistas trabalham sob uma ameaça generalizada de violência e grande operações repressivas da polícia”, afirmou o 2014 World Press Freedom Index (Índice de Liberdade de Imprensa no Mundo), que foi divulgado nesta semana.
É uma curva de aprendizado para jornalistas também. Permanecer como observadores imparciais de eventos complicados e traumáticos é a melhor maneira de se conseguir enxergar o cenário como um todo.
Infelizmente, nos dias após a morte de Santiago, partes da imprensa brasileira correm perigo de serem usadas e manipuladas por forças políticas para demonizar o movimento de protestos como um todo, não apenas os poucos sem consciência que estão empenhados em ações de violência e confronto.

Esses têm sido dias perigosos porém fascinantes para ser um jornalista no Brasil – um assunto que eu teria adorado conversar com um homem comprometido com seu trabalho e sua família.

A economista-presidente

Não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o  crescimento de novo não vem

 

Carlos Alberto Sardenberg

Publicado:5/12/13 – 0h00, em www.oglobo.globo.com

Talvez fosse o caso de incluir na Constituição brasileira uma cláusula de  barreira especifica: economista não pode ser presidente da República.

E acho que os economistas brasileiros, na maioria, concordarão ao menos  provisoriamente com essa discriminação. Ocorre que não raro os governos precisam  mudar a política econômica. É relativamente fácil: coloca-se a culpa no ministro  da Fazenda, demite-se o titular e se convoca outro quadro, alinhado com uma  diferente doutrina.

Guido Mantega, por exemplo, desde a primeira reunião ministerial do governo  Dilma, em janeiro de 2011, vem prometendo crescimento do PIB superior a 5% ao  ano, com inflação na meta de 4,5%. Dizia que a nova política garantiria esses  extraordinários resultados. Bom, estamos fechando o terceiro ano do governo — e  o melhor que ele poderá entregar será crescimento na média de 2%, com inflação  de 6%.

Hora de mudar, não é mesmo?

Aí está o problema da presidente Dilma. Economista, ela tem ideias firmes,  tem lado (o do nacional-desenvolvimentismo) e aplica sua doutrina.

Observem as declarações da presidente, em entrevista ao jornal “Valor  Econômico”, em março de 2011:

“Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano…. A meta  (de inflação) é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda  para baixo, mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a  meta até tê-la no centro.”

Quando colocada diante da tese, ortodoxa, digamos, segundo a qual não seria  possível, ao mesmo tempo, crescer 5% e trazer a inflação para a meta, a  presidente retrucou:

“Tem um artigo interessante escrito pelo Delfim, a respeito de que não existe  uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação  será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação… Vamos mostrar que não, isso não  está dado e… e que depende da gente.”

De fato, a adivinhação não estava certa. A inflação de 2011 não foi levada  para a meta de 4,5%. Deu 6,5%, no limite máximo da banda. E o crescimento não  foi de 3%, mas de 2,7%…

Não era mesmo possível forçar a queda dos juros, para estimular o  crescimento, e derrubar a inflação. Mas o governo conseguiu fazer pior: derrubou  o crescimento e elevou a inflação.

Tem mais: nos foros internacionais, a presidente deu lições de recuperação  econômica, criticando todos os governos que optavam pelo ajuste das contas  públicas. Em especial, deu uma bronca em Angela Merkel, que impunha a ortodoxia  em toda a Europa. Justificava assim sua política de forte expansão do gasto  público para turbinar o crédito e o crescimento.

Também não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o  crescimento de novo não veio.

Dizem os economistas que é preciso insistir em qualquer política econômica,  dar tempo para que faça efeito. É o que Dilma fez. Mas, agora, com o país  entrando no quarto ano de crescimento baixo e inflação alta, com deterioração  das contas públicas e externas, a mudança se impõe.

A presidente até está tentando fazer isso. Por exemplo, os juros voltaram a  subir, devem passar dos atuais 10%. E ela tem prometido aperto nas contas  públicas.

Mas há dois problemas aí. Um, que o pessoal não acredita que a mudança é para  valer. Faz sentido: uma política mais ortodoxa vai contra a vontade, as ideias e  a determinação da presidente, que explicitou tudo de maneira muito clara.  Segundo, como essa mudança de rumo é mesmo de má vontade, acaba sendo feita pela  metade e mal executada.

Um corte de gastos aqui, um aumento ali. O Banco Central sobe os juros, mas o  governo manda o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil emprestarem mais dinheiro a  juros baratos.

Eis o problema da economista-presidente. Se a política fosse apenas do  ministro Mantega, era só demiti-lo e colocar no seu lugar alguém tipo Palocci (o  Palocci ministro da Fazenda do primeiro mandato de Lula) ou tipo Henrique  Meirelles.

Mas se a presidente Dilma fizer isso, a dúvida vai aparecer imediatamente:  será que ela mudou mesmo de opinião e admite isso? Rasgou os livros?

E falta de confiança, todos sabemos, é o veneno que mata qualquer política  econômica.

Previsões?

A presidente deu uma informação errada quando, na semana passada, disse que o  PIB de 2012 seria corrigido de crescimento de 0,9% para 1,5%. Na terça, o IBGE  de fato corrigiu, mas para 1%, quase nada.

Comenta o jornalista João Borges, da Globonews: “O governo, que já errava as  previsões sobre o futuro, agora também erra as previsões sobre o  passado.”

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/opiniao/a-economista-presidente-10970509#ixzz2mbYkxFz4 © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.