5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso

Achei muito interessante este texto do Kellvyn Atary, que juntou na mesma publicação cinco coisas que vão “justificando” a pobreza que há dentro de cada um de nós. Vale a pena.

5 Verdades Desagradáveis Sobre Ter Sucesso que eu Aprendi com os Milionários que Começaram do Zero

Kellvyn Atary do http://www.habitosmilionarios.com.br/ republicado no http://www.hcinvestimentos.com.br, do Henrique Carvalho

Dez coisas que fazem as pessoas se afastarem de você

Publicado em 15 de abril de 2014 por Frederico Mattos 

No consultório algumas pessoas me perguntam sem o saber qual seria o motivo para suas vidas não fluírem como deveriam. Às vezes se queixam de relacionamentos que nunca seguem em frente ou da solidão que sentem e não desconfiam dos motivos das pessoas se afastarem delas. Tenho certeza que essa é uma pergunta feita por várias pessoas, segue uma lista de motivos possíveis:

1- Instabilidade emocional

Uma das coisas mais difíceis é se relacionar com uma montanha-russa, por dez minutos ou em uma festa pode até ser tolerável, mas para seguir numa amizade, como colega de profissão ou parceiro amoroso é impossível. O mínimo de estabilidade e previsibilidade é importante quando se trata de estabelecer vínculos de confiança.

2- Ser dominador

Naqueles dias que você não sabe nem o que quer jantar é muito bem-vindo alguém que tenha pulso firme para tomar a liderança. Outra coisa é conviver com um ditador que quer ter a razão em qualquer assunto e determinar como, quando, onde e pra quê sua vida deve existir. Sempre haverá alguém sem vida própria para revezar ao lado de uma pessoa mandona, mas no longo prazo é só reparar, nunca são as mesmas pessoas, ninguém aguenta.

3- Egoísmo galopante

Autoconfiança, opinião própria e boa autoestima são apreciadas numa pessoa, mas dividir espaço com um rei momo psicológico que coloque todas essas características na décima potência é asfixiante. Parte dos motivos que nos fazem ficar ao lado de uma pessoa é saber que ela valoriza quem nós somos por nós mesmos e não como espectadores de sua vida.

4- Ser o centro das atenções

Não importa o motivo, o lugar ou o artifício o que importa é estar no meio do palco. Tem quem coloque uma melancia no pescoço, mas tem quem se faça de coitadinho ou sexy, o modus operandi muda mas o essencial é que aquela pessoa receba atenção constante. Bastou outra pessoa começar uma história ou a outra ficar feliz com sua conquista e surgirá a parasita de energia dos outros para cortar o assunto e sequestrar as atenções. Por um dia até vai, mas a vida inteira é insuportável.

5- Viajar na maionese

Ser distraído é uma característica de quem está fechado no seu próprio mundo, e quando isso vem acompanhado de uma ingenuidade e falta de senso do ridículo o pacote fica completo para produzir alguém que não fala coisa com coisa. É até engraçado conviver com alguém que age na vida como se fosse café-com-leite, mas para aquelas coisas sérias, que dependem de firmeza esse tipo de pessoa não entra na lista de prioridades.

6- Nunca levar nada a sério

As amizades, os relacionamentos amorosos e profissionais precisam de refresco nessa rotina acelerada que vivemos, mas ser bobo alegre e descomprometido ao extremo não é uma boa receita para gerar credibilidade. É como alho e vampiro, não combinam.

7- Agir com raiva diante das frustrações

A vida será sempre cercada de coisas lindas e descompassos e parte da maturidade de alguém se deve a habilidade em administrar com ginga, bom humor e eficiência os seus problemas. Tem gente que vira um furacão com o mínimo de contrariedade e desconta em quem está por perto. As pessoas podem parecer que respeitam você, mas na verdade elas tem medo e bastará uma distração sua para que elas saiam correndo e nunca mais voltem.

8- Confundir falta de educação com honestidade

Há quem ache bonito sair falando as verdades não-solicitadas na cara dos outros. Costumam aproveitar da fama de “honesto” para dar patada e descarregar suas frustrações em cima dos outros. Mas não se deixe enganar, quem gosta de falar as verdades na cara dos outros está mais para amargurado do que sincero. Cometer sincerocídio, portanto, não ajuda em nada se vier desacompanhado de carinho e intimidade.

9- Fazer jogos

Por causa do medo de sofrer algum tipo de humilhação algumas pessoas se antecipam em toda e qualquer suposta artimanha dos outros. Essa defensividade exagerada associada com paranóia e orgulho cria uma bomba explosiva que cria um jogador compulsivo seja na paquera, no trabalho, com os amigos ou amores. Por medo de sofrer a pessoa fica o tempo todo manipulando as vontades e interesses das pessoas na direção daquilo que quer. No final do jogo, no entanto, quem levou o xeque-mate foi ela.

10- Ser frio e insensível

Quem acha que os outros tem telepatia para adivinhar o tamanho do seu amor está enganado. Amor de verdade se mostra agindo e fazendo coisas concretas para mostrar que a companhia vale a pena e as coisas estão agradáveis. Conviver com uma pedra de gelo que não reage a nada pode endurecer quem está por perto. O medo da pessoa fria é parecer vulnerável e no final da história ela irá encarar seu maior fantasma ao afastar todas as pessoas importantes de sua vida por causa de sua insensibilidade.

Sobre Frederico Mattos 
Sonhador nato, psicólogo provocador, autor do livro “Como se libertar do ex”. Adora contar e ouvir histórias de vida. Nas demais horas medita, cultiva um jardim, lava pratos, ama Juliana e escreve no blog Sobre a vida [www.sobreavida.com.br]. No twitter é @fredmattos.

Treze meses sem cigarro

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Neste 24 de março completam-se um ano e um mês desde que dei a última baforada em um cigarro. Depois de 20 anos de fumante profissional, resolvi deixar de lado essa página da minha história um pouco depois de ter completado 40 anos de idade. Eu vinha comemorando os primeiros três meses, depois os seis meses, e tal… Fiquei pensando que só faria publicamente uma comemoração depois que passasse dos doze meses de abstinência. Pois é… passei. Já são treze meses sem o cigarro e uns vinte quilos a mais no corpo. Sim, teve economia, mesmo que tenha aumentado o consumo de guloseimas, balas de goma, bolachas recheadas e outras bobaginhas gastronômicas muito gostosas.

Não tem sido fácil, mesmo com o tempo já decorrido e o costume de viver sem o cigarro. A vontade  pinta todos os dias. A toda hora surge um “argumento de venda” que relaciona o desejo de dar uma pitada. Mesmo que isso dure menos de um segundo, vem em seguida a consciência de que o cigarro faz mal e é um vício muito poderoso. Para os amigos que buscam parar de fumar, recomendo começar logo.

Tentar sem remédios, como eu estou fazendo, não é recomendável. O sofrimento tem sido grande. Há no mercado diversos repositores de nicotina e outros quetais que trabalham no âmbito do controle da ansiedade. O que estou fazendo, de ficar sem fumar – literalmente, no peito – é bastante duro. Apesar de todas as dificuldades, vale a pena começar a ficar sem o cigarro.

Você precisa ler isto

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Jornalista da BBC, Wyre Davies, descreve caos em tentativa de socorro a cinegrafista da Band

Hoje, fui ao funeral de um homem que eu não conhecia. Mas tudo o que ouvi e li sobre Santiago Andrade nos últimos dias me faz desejar tê-lo conhecido e passado mais tempo na companhia dele.

Os poucos minutos nos quais nossos caminhos se cruzaram em uma praça no Rio de Janeiro na semana passada foram caóticos, confusos e, em última análise, fúteis. Por talvez uma hora e meia, eu fiquei com aquele pai de família de 49 anos de idade em um hospital no centro da cidade enquanto médicos lutavam para salvá-lo.

Santiago Andrade não saiu do hospital com vida.

Faz exatamente uma semana desde que o cinegrafista da Rede Bandeirantes caiu com a explosão de um artefato, um tipo de sinalizador ou peça de fogos de artifício, atrás de sua cabeça enquanto ele cobria um dos protestos contra o governo no Rio de Janeiro.

Menos de quatro segundos depois, meu colega da BBC, Keith “Chuck” Tayman, e eu estávamos a seu lado.
Antes de chegar ao Brasil há cerca de cinco meses, eu passei os últimos três anos baseado no Oriente Médio cobrindo, entre outros eventos, as quase sempre traumáticas revoltas árabes. No Egito, em Gaza e na Líbia, eu presenciei cenas chocantes, emocionalmente aflitivas e vi, com muita frequência, as terríveis consequências dos conflitos.
Então, quando ajoelhei ao lado do corpo de Santiago, não fiquei congelado ou em dúvida sobre o que deveria fazer, mesmo vendo seus ferimentos terríveis. A explosão deixou uma enorme ferida em sua cabeça, através da qual o sangue já começava a escorrer.

Todos os funcionários da BBC que trabalham em áreas de conflito passam por um treinamento chamado “hostile environment” (ambiente hostil) – cuja parte mais valiosa é, sem dúvida, a preparação para prestar primeiros socorros. Tendo trabalhado anteriormente como guia de expedições em montanhas, eu também já havia usado esse conhecimento em outras ocasiões.

Na falta de um kit de primeiros socorros ou de bandagens apropriadas, Chuck instintivamente retirou sua camiseta e a pressionou contra a ferida na cabeça de Santiago para estancar a hemorragia. Apesar de inconsciente, Santiago respirava pesadamente. Em meio ao caos, fizemos o melhor que podíamos para estabilizá-lo.

Eu já vi muitas vítimas de violência deixadas deitadas no chão enquanto policiais e transeuntes ficam imóveis, por relutância ou incapacidade de ajudar, durante aqueles que podem ser os momentos mais críticos para a sua sobrevivência.

Na hora em que a ajuda médica profissional chega, frequentemente, é muito tarde; a vítima pode ter morrido pela perda de sangue, insuficiência cardíaca ou simplesmente porque ninguém verificou se ela continuava respirando.

Os ferimentos de Santiago eram tão graves que nós sabíamos que deveríamos levá-lo ao hospital imediatamente. Mas alguns policiais – talvez não percebendo a gravidade da situação – acabaram dificultando nossa passagem enquanto muitos manifestantes protestavam e gritavam culpando a polícia pelo ataque. Foi demonstrado, de forma quase inegável, que o artefato foi disparado por uma dupla de manifestantes que acabou sendo identificada.

Enquanto tratávamos de Santiago no chão, também tivemos que “controlar” a situação. Após alertar diversas vezes os policiais sobre a urgência do momento, carregamos cuidadosamente seu corpo, de 82 quilos, para a parte de trás de um carro de polícia e corremos para o hospital mais próximo.

O tempo pareceu uma eternidade, mas, desde o momento em que vi Santiago soltar sua câmera e cair no chão até a corrida contra o fluxo do tráfego pela principal avenida do Rio para o hospital, passaram-se apenas seis minutos.
Eu e Chuck esperávamos que tivesse sido tempo suficiente para ajudar a salvar a vida de Santiago Andrade.

Ameaça de violência

Sabendo que aquela provavelmente seria a última vez que veria seu pai com vida, Vanessa Andrade também passou bastante tempo ao lado de seu leito no hospital nesta semana.
Escrevendo com o coração, mas com a consciência de alguém que quer dizer as coisas certas e relembrar momentos preciosos, a jovem de 29 anos falou sobre o pai e sua última “conversa” com ele.

“Ele me ensinou muitas coisas, que pessoas de origem humilde têm que trabalhar duas vezes mais duro para vencer na vida”, disse Vanessa, que deu continuidade à vocação do pai como profissional de mídia.
Em uma homenagem comovente, ela continuou: “Hoje, eu disse adeus, só eu e ele. Com minha cabeça em seu ombro, falamos de muitas coisas. Eu pedi perdão pelas minhas falhas… . Eu sei que ele está bem. Claro que ele está. E eu sou a continuação da vida dele”.

Em uma sociedade frequentemente brutal e polarizada, muitos colegas descreveram Santiago como um homem grande e gentil que odiava violência e fazia todo o possível para evitar confrontos.

Durante seu velório e funeral lotados hoje no subúrbio do Rio, colegas da Band News e dezenas de outros jornalistas brasileiros relembraram um homem que trabalhou para minimizar as ameaças a profissionais de mídia.

Aqui na América Latina, onde jornalistas frequentemente correm o risco de se tornarem alvos, em vez de poderem operar como livres observadores independentes, o conceito de direitos legais para profissionais de mídia ainda não está enraizado.
De acordo com números divulgados recentemente, mais trabalhadores da imprensa foram mortos no Brasil do que em qualquer outro lugar na região, incluindo o México, onde repórteres são frequentemente intimidados e forçados a trabalhar de forma anônima.

“No Brasil, jornalistas trabalham sob uma ameaça generalizada de violência e grande operações repressivas da polícia”, afirmou o 2014 World Press Freedom Index (Índice de Liberdade de Imprensa no Mundo), que foi divulgado nesta semana.
É uma curva de aprendizado para jornalistas também. Permanecer como observadores imparciais de eventos complicados e traumáticos é a melhor maneira de se conseguir enxergar o cenário como um todo.
Infelizmente, nos dias após a morte de Santiago, partes da imprensa brasileira correm perigo de serem usadas e manipuladas por forças políticas para demonizar o movimento de protestos como um todo, não apenas os poucos sem consciência que estão empenhados em ações de violência e confronto.

Esses têm sido dias perigosos porém fascinantes para ser um jornalista no Brasil – um assunto que eu teria adorado conversar com um homem comprometido com seu trabalho e sua família.

A economista-presidente

Não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o  crescimento de novo não vem

 

Carlos Alberto Sardenberg

Publicado:5/12/13 – 0h00, em www.oglobo.globo.com

Talvez fosse o caso de incluir na Constituição brasileira uma cláusula de  barreira especifica: economista não pode ser presidente da República.

E acho que os economistas brasileiros, na maioria, concordarão ao menos  provisoriamente com essa discriminação. Ocorre que não raro os governos precisam  mudar a política econômica. É relativamente fácil: coloca-se a culpa no ministro  da Fazenda, demite-se o titular e se convoca outro quadro, alinhado com uma  diferente doutrina.

Guido Mantega, por exemplo, desde a primeira reunião ministerial do governo  Dilma, em janeiro de 2011, vem prometendo crescimento do PIB superior a 5% ao  ano, com inflação na meta de 4,5%. Dizia que a nova política garantiria esses  extraordinários resultados. Bom, estamos fechando o terceiro ano do governo — e  o melhor que ele poderá entregar será crescimento na média de 2%, com inflação  de 6%.

Hora de mudar, não é mesmo?

Aí está o problema da presidente Dilma. Economista, ela tem ideias firmes,  tem lado (o do nacional-desenvolvimentismo) e aplica sua doutrina.

Observem as declarações da presidente, em entrevista ao jornal “Valor  Econômico”, em março de 2011:

“Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano…. A meta  (de inflação) é de 4,5% e nós vamos perseguir 4,5%. Tem banda para cima, banda  para baixo, mas nós sempre tentamos, apesar da banda, forçar a inflação para a  meta até tê-la no centro.”

Quando colocada diante da tese, ortodoxa, digamos, segundo a qual não seria  possível, ao mesmo tempo, crescer 5% e trazer a inflação para a meta, a  presidente retrucou:

“Tem um artigo interessante escrito pelo Delfim, a respeito de que não existe  uma lei divina que diz que a taxa de crescimento será de 3% e que a inflação  será de 6%. Eu acho que isso é adivinhação… Vamos mostrar que não, isso não  está dado e… e que depende da gente.”

De fato, a adivinhação não estava certa. A inflação de 2011 não foi levada  para a meta de 4,5%. Deu 6,5%, no limite máximo da banda. E o crescimento não  foi de 3%, mas de 2,7%…

Não era mesmo possível forçar a queda dos juros, para estimular o  crescimento, e derrubar a inflação. Mas o governo conseguiu fazer pior: derrubou  o crescimento e elevou a inflação.

Tem mais: nos foros internacionais, a presidente deu lições de recuperação  econômica, criticando todos os governos que optavam pelo ajuste das contas  públicas. Em especial, deu uma bronca em Angela Merkel, que impunha a ortodoxia  em toda a Europa. Justificava assim sua política de forte expansão do gasto  público para turbinar o crédito e o crescimento.

Também não deu certo. As contas públicas pioraram, a dívida bruta subiu, e o  crescimento de novo não veio.

Dizem os economistas que é preciso insistir em qualquer política econômica,  dar tempo para que faça efeito. É o que Dilma fez. Mas, agora, com o país  entrando no quarto ano de crescimento baixo e inflação alta, com deterioração  das contas públicas e externas, a mudança se impõe.

A presidente até está tentando fazer isso. Por exemplo, os juros voltaram a  subir, devem passar dos atuais 10%. E ela tem prometido aperto nas contas  públicas.

Mas há dois problemas aí. Um, que o pessoal não acredita que a mudança é para  valer. Faz sentido: uma política mais ortodoxa vai contra a vontade, as ideias e  a determinação da presidente, que explicitou tudo de maneira muito clara.  Segundo, como essa mudança de rumo é mesmo de má vontade, acaba sendo feita pela  metade e mal executada.

Um corte de gastos aqui, um aumento ali. O Banco Central sobe os juros, mas o  governo manda o BNDES, a Caixa e o Banco do Brasil emprestarem mais dinheiro a  juros baratos.

Eis o problema da economista-presidente. Se a política fosse apenas do  ministro Mantega, era só demiti-lo e colocar no seu lugar alguém tipo Palocci (o  Palocci ministro da Fazenda do primeiro mandato de Lula) ou tipo Henrique  Meirelles.

Mas se a presidente Dilma fizer isso, a dúvida vai aparecer imediatamente:  será que ela mudou mesmo de opinião e admite isso? Rasgou os livros?

E falta de confiança, todos sabemos, é o veneno que mata qualquer política  econômica.

Previsões?

A presidente deu uma informação errada quando, na semana passada, disse que o  PIB de 2012 seria corrigido de crescimento de 0,9% para 1,5%. Na terça, o IBGE  de fato corrigiu, mas para 1%, quase nada.

Comenta o jornalista João Borges, da Globonews: “O governo, que já errava as  previsões sobre o futuro, agora também erra as previsões sobre o  passado.”

Leia mais sobre esse assunto em  http://oglobo.globo.com/opiniao/a-economista-presidente-10970509#ixzz2mbYkxFz4 © 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

É bom pensar em cuidar da própria aposentadoria

A expectativa de vida aumenta e todo mundo sabe que teremos mais velhos que jovens em um futuro bem próximo. Com gente vivendo – bem – além dos 90 anos, fica fácil saber que o sistema previdenciário atual não vai aguentar pagar as aposentadorias. São os que trabalham, os ativos, que pagam as aposentadorias dos que não trabalham, os inativos. Diante deste quadro, é possível dizer que a aposentadoria, como conhecemos dos nossos pais, não existirá mais. A previdência social, pública, gerida pelo poder público, não terá condições de pagar os benefícios condizentes com a condição do contribuinte enquanto ele trabalhava. Os benefícios pagos serão cada vez menores.

E este quadro não fica restrito aos trabalhadores da iniciativa privada. Apesar de mais robusto, o sistema de pagamentos de benefícios para os servidores públicos também não vai garantir, por muito tempo, o mesmo padrão de ganhos a cada um dos servidores.

Engana-se quem acredita que o servidor público está garantido pelo resto da sua vida. Não está. O mundo está mudando muito rapidamente e não, absolutamente, nada que garanta que as aposentadorias públicas não possam ser mudadas em dez ou quinze anos. Dez ou quinze anos. Parece distante para quem hoje tem 25 ou 30 anos de idade. Mas, para quem está com 45 anos, esse horizonte é assustador. Pois, basta olhar pra trás e ver que há dez ou quinze anos, houve a formatura na faculdade. Ou, há dez ou quinze anos, houve a saída da casa dos pais. Enfim, dez ou quinze anos não são um horizonte de tempo muito grande.

Pois bem. Em dez ou quinze anos, a previdência, seja para o trabalhador da iniciativa privada, seja para o servidor público, não será mais a mesma. Vai ser pior. Os pagamentos serão garantidos, com certeza, pois isso é fator de manutenção da paz social. No entanto, seus valores serão relativamente menores. Bem menores.

Portanto, é necessário, sim, pensar seriamente na contratação de um plano de previdência privada.

Para quem está pensando em aderir a um plano de previdência privada, é recomendável ler muito sobre o assunto. Jornais e revistas especializados em economia costumam publicar matérias explicando como funciona e também sobre as empresas que gerenciam carteiras de aposentadoria particular.

Escolher uma instituição financeira é fundamental para o sucesso do negócio. Há muitas no mercado, e a escolhida pode ser, muito bem, o banco onde hoje o interessado recebe seu salário mensal. Na internet, os bancos também oferecem simuladores de contribuição mensal e quanto que será o benefício lá adiante, quando as chuteiras forem penduradas. É nesse cenário que entra um componente psicológico interessante: a simulação de quanto, por mês, pode ser destinado ao futuro. Enquanto não se contrata o plano, já dá para ir tirando, mensalmente, o tanto da previdência e ir colocando em uma aplicação tradicional, como poupança ou CDB. Desta forma, o “músculo do investimento no futuro” vai sendo treinado, sem muita dor.

Para os céticos, para aqueles que acham que o banco poderá quebrar no futuro e o investimento ir por água abaixo, vale a pergunta: você acredita que o governo vai garantir seu padrão de vida para sempre?

Por isso é importante pensar em cuidar da sua própria aposentadoria. 

Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer

Texto publicado no www.destilariadabola.wordpress.com, por através do amigo e defensor público Andrey Regis de Melo

 

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O presidente Joseph Blatter nunca soube lidar com o racismo.

Fazia de conta que não percebia.

O comandante da Fifa já disse absurdos.

Como um enorme.

Insistiu que qualquer ofensa racial dentro do campo não deve ser levada a sério.

“Depois tudo se acerta após o jogo, com um aperto de mãos.”

Foi massacrado pela imprensa internacional.

A postura do presidente da Fifa incentivava o preconceito.

O Leste Europeu se tornou especialista em atos racistas.

Vários foram os casos nos últimos anos.

Com torcedores imitando macacos, jogando banana para atletas negros.

Faixas com frases que envergonham a humanidade.

Muitos jogadores negros já passaram pelas humilhantes situações.

Paulinho, ex-Corinthians, chorou ao se lembrar do que passou na Lituânia.

“Vou levar as lembranças ruins para o resto da minha vida. Sofri muito com preconceito e com racismo na Lituânia. Logo na minha primeira partida começaram a imitar macaco, jogar moedas e algumas outras coisas. Quando ia passar com a minha esposa nas ruas, algumas pessoas ficavam esbarrando para que a gente revidasse de alguma forma, querendo arrumar algum tipo de briga ou discussão. Esses episódios me deixaram mal e me fizeram pensar na possibilidade de desistir dofutebol. O racismo me derrubou, me arrebentou.”

Paulinho ficou traumatizado.

Tinha apenas 17 anos.

Relembrou o que sofreu ao Lance!

E por causa dessa angústia, não estava com pressa para voltar à Europa.

Até que representantes do Tottenham o convenceram.

Não passaria o mesmo na Inglaterra.

Foi, mas avisou que romperia o contrato se sofresse racismo outra vez.

Na Rússia, Roberto Carlos ficou transtornado.

O ex-lateral da Seleção passou muita vergonha.

As torcidas do Krylya Sovetov e do Zenit mostraram seu lado racista.

Imitavam macaco cada vez que ele pegava na bola.

E chegaram até a jogar bananas em sua direção.

Infelizmente, a Rússia vem se especializando na intolerância.

O caso mais recente, no entanto, foi com o jogador errado.

Na partida entre CSKA e Manchester City, o alvo dos torcedores foi logo escolhido.

Yaya Touré, jogador negro que nasceu na Costa do Marfim.

Era só a bola cair no seu pé e lá vinha a imitação de macacos na arquibancada.

A partida era válida pela Champions League.

O marfinense ficou revoltado.

Mas não seguiu o caminho fácil de apenas reclamar na imprensa.

Parou o jogo, mostrou ao árbitro e pediu que a partida fosse encerrada.

2afp3 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

Não foi.

Touré tomou uma decisão que fez Blatter acordar de vez para a questão.

Foi claro.

“Esse tipo de situação tem de acabar até o Mundial de 2018.

Se não acabar, vou ajudar a organizar um boicote dos negros.

Não teremos tranquilidade para jogar.

Não iremos para a Rússia.

Nem nós e nem os torcedores dos países que jogamos.”

Declarou sem medo.

Bastou para Blatter.

Misturar em uma só frase boicote e Mundial é seu pesadelo.

Ainda mais saída da boca de um ídolo do futebol inglês.

Seria inimaginável uma Copa sem negros.

Impossível.

Sem Balotelli, Touré, sem Neymar…

Sem as Seleções Africanas.

A proposta do marfinense é forte e factível.

Os exemplos de casos de racismo na Europa são vergonhosos.

Blatter sentiu o baque.

E também a pressão da UEFA de Platini.

2reproducao11 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

Percebeu o quanto a postura da Fifa é branda, quase conivente.

Não adianta apenas multar e obrigar os clubes a jogar com portões fechados.

Aqueles que possuem racistas entre seus torcedores precisam pagar caro.

Depois da ameaça de Touré, Blatter encomendou mudança nas regras.

Ele vai atender à reivindicação do jogador do Manchester City.

E na, próxima temporada, os imitadores de macacos e lançadores de banana que se preparem.

A ideia da Fifa é pressionar que eles sejam proibidos de assistir aos jogos.

Pressionar que as polícias os identifiquem e indiciem.

E os proíbam de ir para os estádios nos dias em que seus times estiverem jogando.

Aos clubes, as punições serão muito mais severas.

Em vez de multas, perda de pontos.

E, em caso de reincidência, até mesmo eliminação de campeonatos.

Touré fez Blatter parar de fingir que não enxerga.

Nunca mais foi pelo caminho da hipocrisia.

A de aceitar que os jogadores se ofendam do que for.

E depois tudo seja esquecido com mero aperto de mão.

Chamar o adversário de ‘macaco’ não será mais ‘coisa de jogo’.

Como defendem vários treinadores.

Inclusive Felipão, quando estava no Palmeiras.

Quando Danilo xingou Manoel de macaco.

E ainda lhe deu uma cusparada no rosto.

O STJD aplicou a suspensão de 11 jogos.

O que seria um exemplo acabou em vexame.

O tribunal acabou liberando o zagueiro de quase metade da punição.

Ele só teve de cumprir seis jogos.

Decisão vergonhosa.

E que só premiou o ato racista, preconceituoso de Danilo.

A Fifa pretende evitar essa situação.

E deverá também exigir punições graves aos jogadores.

Não tolerará palavrões e gestos preconceituosos.

Como o que fez Antônio Carlos com Jeovânio.

O zagueiro atuava no Juventude e o volante no Grêmio.

Depois de discutirem, o ex-jogador da Seleção se irritou.

E passando a mão no próprio braço.

Quis mostrar a ‘razão’ do problema.

3reproducao4 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

O seu rival ser negro.

A imagem é chocante e marcou o final da carreira de Antônio Carlos.

Impediu, por exemplo, que fosse trabalhar como treinador no Vasco.

As torcidas fizeram uma enorme campanha contra ele.

O Vasco foi o primeiro clube do Brasil a admitir negros jogando no seu time.

E Roberto Dinamite teve de voltar atrás e não contratá-lo.

Inesquecível a postura de Grafite em relação a Desábato.

O atacante do São Paulo revelou que o zagueiro do Quilmes o chamou de macaco.

Velho costume de atletas do futebol argentino quando enfrentam brasileiros.

Desábato acabou sendo preso em pleno Morumbi.

Mas Grafite resolveu retirar a acusação.

E nada aconteceu contra o adversário.

O brasileiro foi muito criticado por recuar.

Principalmente por várias entidades que lutam pelo direito dos negros.

Assim como também fez a CBF.

No Sul-Americano Sub-20 em 2011, no Peru.

Jogavam Brasil e Bolívia.

E a torcida peruana começou a imitar macacos.

Bastava Diego Maurício pegar na bola.

O jovem jogador ficou abalado.

Mas a CBF resolveu ignorar as ofensas.

Para não criar problemas com a organização do torneio.

Infelizmente há centenas de outros casos pelo mundo.

Tudo ainda estava muito solto em relação ao racismo.

Foi preciso Touré ameaçar levar à frente um boicote.

E a Fifa despertou para a seriedade da questão.

Não há Copa sem negros.

Sem brancos, sem amarelos, sem mestiços.

Mas há futebol com racismo.

E isso só irá acabar com leis rígidas.

Contra os torcedores e os clubes destes racistas.

O Leste Europeu e o resto do mundo estão alertados.

Pelo menos no futebol o preconceito custará caro.

Fora dele, ainda vai imperar a hipocrisia… 1reproducao22 Humilhado por racistas, Touré deu a resposta que fez a Fifa tremer. Ameaçou liderar um boicote de negros à Copa da Rússia. Blatter imediatamente agiu. Sabe que não há Mundial sem negros, amarelos, brancos, mestiços. As punições serão duras aos clubes e aos racistas...

Fonte: http://esportes.r7.com/blogs/cosme-rimoli/humilhado-por-racistas-toure-deu-a-resposta-que-fez-a-fifa-acordar-ameacou-liderar-um-boicote-de-negros-a-copa-da-russia-blatter-imediatamente-agiu-sabe-que-nao-ha-mundial-sem-negros-amarelos-br-29102013/

Eike Batista, o novo Barão de Mauá?

Texto escrito em 2010 por Luiz Palma, em seu blog www.clubedevienna.com.br
 
Dom, 04 de Abril de 2010 00:00
Luiz Palma

A revista americana Forbes divulgou recentemente sua lista anual com os homens mais ricos do mundo. Nessa lista, o brasileiro Eike Batista ocupa a oitava posição. Há um ano atrás, Eike estava na posição de número 61.

Oras, galgar 53 posições na lista dos mais ricos do mundo em apenas um ano, não é algo que acontece todo dia, não é mesmo?

Eike Batista e sua Mercedes

Exibicionismo: Eike e a Mercedes na sala de estar.

Mas será que Eike Batista é realmente um grande empresário que chegou para ficar, ou seu sucesso é apenas momentâneo e temporário, e depende mais de fatores circunstanciais, do que de uma suposta capacidade gerencial de longo prazo?

Será que ele é um “fogo de palha”, com uma grande equipe de marketing, ou realmente tem inúmeros talentos como empresário e “tocador de projetos”? Alguns setores da imprensa estão dizendo que Eike é a “segunda versão do Barão de Mauá”.

Para quem não sabe, Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, também vendia projetos antes que estes se tornassem operacionais.

Vienna Fundamentalista

O Barão captava alguns recursos no Brasil, mas principalmente no exterior, e então executava seus projetos. Ele construiu a Companhia de Iluminação do Rio de Janeiro, várias fundições de ferro, várias ferrovias, bancos (no Brasil e em outros países), e deu início à indústria naval no país.

No auge do seu sucesso, sua fortuna é estimada em torno de 60 bilhões de dólares (em valores atuais), o que o colocaria muito à frente de Eike, ao menos até o momento.

Além de grandes habilidades empresariais e de investimento, o Barão de Mauá também tinha uma mentalidade muito avançada para sua época. Quando questionado, por exemplo, sobre que recurso mineral ele daria ao Brasil caso fosse um Deus, disse que não daria ouro, mas sim ferro.

Segundo ele, o ferro representa o trabalho, a indústria, o progresso e o movimento, enquanto o ouro representava o atraso, a ociosidade da elite, e a escravidão, características que envolviam a mineração de ouro naquele tempo.

 

Barão de Maua

Irineu Evangelista de Souza – O Barão de Mauá

Para sabermos se a imprensa exagerou ou não sobre Eike ao compará-lo com o Barão, vamos compará-los mais atentamente, tanto em termos de trajetória e personalidade, como em termos do cenário macroeconômico que ambos presenciaram.

Vamos primeiros às semelhanças:

  • Tanto Eike como o Barão de Mauá se      aproveitaram do bom momento vivido pelo Brasil (principalmente devido ao      ciclo de alta nos preços das commodities) para alavancar seus      negócios.
  • Ambos são bastante arrojados, parecem      não ter receio algum de suas idéias. Eike é campeão de corrida de lancha,      e o Barão de Mauá chegou a dar uma pá ao Imperador, e ordenar que ele      fizesse um buraco no chão.
  • Ambos captavam recursos de terceiros      para realizar seus projetos.
  • Ambos tinham sensibilidade aguçada para      identificar qual o tipo de empresas de que o Brasil necessitava, ou seja,      apesar de excessivamente confiantes, enxergavam e entendiam a necessidade      dos seus supostos clientes.
  • Ambos tiveram que superar dificuldades      colossais no começo de suas carreiras. O Barão de Mauá simplesmente era um      servente de boteco. Eike ficou anos morando na floresta amazônica para      viabilizar alguns de seus primeiros projetos.
  • Ambos eram “unha e carne” com o capital      internacional, ou seja, tinham diversos contatos com proeminentes      banqueiros estrangeiros.
  • O estilo de administração deles é quase      idêntico. Eles fazem o projeto geral, mas são descentralizadores. O      sucesso (e os bônus financeiros provenientes dele) são divididos entre os      seus principais executivos. Assim, tanto o sucesso como o fracasso, tem      caráter mais local do que global.

Viver de Renda

Agora vamos às diferenças:

  • O Barão de Mauá não conseguiu se      integrar com os políticos brasileiros e acabou sendo fortemente      prejudicado por eles. Imagino que Eike deva fazer de tudo para ter o apoio      dos políticos, mesmo que tenha que doar 100 milhões de reais para Dilma e      outros 100 milhões para o Serra. Vantagem aqui para o Eike.
  • Além das dificuldades com os políticos      brasileiros, o Barão de Mauá cometeu um erro terrível, ao tentar passar a      perna nos “donos do poder” na época, uma proeminente família de      banqueiros sediada em Londres, que tinham sido os primeiros a lhe      emprestar dinheiro para o início de suas atividades. Talvez esse tenha      sido seu maior erro, e lhe custou perder quase tudo o que tinha, apesar de      no final da vida ter recuperado boa parte de sua fortuna. Eike parece      melhor relacionado com os “donos do dinheiro”. Ao menos até      aqui.
  • Eike é bem mais sonhador, tem vida      social bem mais plena, e sempre está nas “baladas” da vida. O      Barão de Mauá era mais reservado, não gostava de bancar o      “playboy”. Para ele, o negócio era trabalhar e fim de papo.      Vantagem aqui para o Barão de Mauá.
  • O Barão de Mauá ficou rico bem mais cedo      do que Eike. O primeiro quase não cometeu erros graves no início de sua      carreira, tendo amealhado uma fortuna considerável já com 30 anos de      idade. O segundo cansou de falir empresas no início da vida, embora de      maneira geral, tenha obtido mais acertos do que erros ao longo de sua      trajetória até aqui.
  • Eike tem uma equipe de marketing muito mais eficiente. Assim sendo, ele aparenta ser melhor do que      realmente é. No caso do Barão de Mauá acontecia o contrário. O fato dele      ter nascido pobre, e de ter se tornado um industrial em uma sociedade      agrícola e conservadora, fez com que sofresse muito mais preconceito e      perseguição. Fora isso, o Imperador o via com bastante reserva, pois sabia      que a industrialização “rimava” mais com a República, do que com      o Império.
  • Minha intuição diz que Eike é mais      “malandro”, enquanto o Barão de Mauá  parecia ter um senso      ético bem mais elevado. Eu disse intuição, ok?

Até aqui, podemos perceber que Eike é um grande empresário, que tem várias semelhanças com o Barão de Mauá, e que está fazendo o possível para não cometer os mesmos erros do Barão (como brigar com os políticos, não ter uma equipe de marketing para defender sua imagem, etc).

Mas há uma outra questão importante aqui. Se for comprovada semelhança também neste quesito, isso pode complicar a vida de Eike em um futuro próximo:

O Barão de Mauá quebrou, perdendo tudo o que tinha, devido principalmente à uma característica que pode ser vista como positiva: Sua ousadia. O problema é que, depois de tanto sucesso, a ousadia se transformou em arrogância, fazendo com que toda e qualquer prudência fosse descartada, selando de forma negativa o seu destino.

Segundo alguns historiadores, a ousadia suprema do Barão foi tentar passar a perna na família Rothschild, através de um episódio de especulação com a Libra Inglesa, utilizando seu banco no Brasil.

Há quem acredite que após esse episódio, sua “sorte” mudou, levando-o a perder tudo o que havia conquistado antes, por ter provocado a ira de uma casa que não estava acostumada a ficar do lado perdedor, e que detinha influência suficiente para dar o troco, cedo ou tarde.

Ousadia, quando vira arrogância, pode fazer com que os riscos não sejam avaliados de forma realista.

E é aqui que lançamos nossa questão:

Será que a personalidade de Eike é semelhante à do Barão nesse aspecto, ou ela permitirá que ele perceba o momento quando sua ousadia passar dos limites do razoável?

As “empresas X”, e o Vienna Fundamentalista

Depois de tanto falar de Eike, o leitor deve estar perguntando o que Vienna Fundamentalista pensa das “empresas X”, e se as recomendaria para alguma carteira, em algum cenário.

A resposta é um sonoro e estridente NÃO.

Há vários motivos que justificam essa postura, e abaixo, listamos apenas sete deles.

  • Os múltiplos das empresas de Eike são      por demais elevados em comparação aos seus pares e concorrentes. O curioso      é que as suas concorrentes são empresas mais sólidas, maduras,      comprovadamente lucrativas e maiores, enquanto as empresas de Eike são      ainda apenas promessas, de um modo geral.
  • As empresas de Eike não têm histórico de      lucratividade.
  • Estão muito expostas na mídia, sendo que      as principais até já fazem parte do Ibovespa, o que naturalmente faz com      que tenham um “prêmio” e não um “desconto” em relação ao seu valor      intrínseco.
  • Eike é muito bom de política, tem vários      contatos e amigos, e paga “gorjetas bem gordas” para os banqueiros de      investimento. Isso tende aumentar ainda mais o prêmio das ações.
  • Ainda não existem evidências de que      essas empresas sejam boas empresas para o longo prazo.
  • Mesmo que sejam grandes oportunidades de      longo prazo (e eu torço que realmente sejam), não existe margem de      segurança em uma eventual compra aos preços atuais.
  • Por outro lado, o downside potencial é muito grande, ou seja, se alguma coisa der errado, as cotações      podem cair absurdamente, e não voltarem mais aos preços de hoje.

Vienna Estratégias

Embora no curto prazo as cotações das empresas de Eike possam continuar subindo fortemente, principalmente enquanto durar a farra do excesso monetário (consulte o Vienna Macrotrends para maior conhecimento desse assunto), nenhuma delas nos oferece o que procuramos no Vienna Fundamentalista.

Esta publicação está voltada para a busca de empresas comprovadamente sólidas e lucrativas para o longo prazo, e que devem ser adquiridas de preferência, com um bom desconto em relação ao preço considerado justo pelos modelos de Valuation.

E no caso das empresas de Eike, a total falta dessas características, é justamente o “X” da questão.

 

Agressivo, sim. Grosseiro, não

O psiquiatra Paulo Gaudêncio faz terapia nas empresas há 35 anos. E diz: quem não é agressivo vira depressivo (entrevista publicada na revista VocêS/A de outubro de 2006, mas tem uma atualidade muito grande, vale a pena ler)

Agressividade é um sentimento ruim? É possível viver emoções no ambiente de trabalho? Na opinião do psiquiatra e psicoterapeuta Paulo Gaudêncio, todas as emoções têm de ser vividas em todos os momento s do nosso dia, seja em casa, seja no escritório. Ele compara o ser humano a um  móbile, em que cada peça corresponde a uma emoção: amor, raiva, inveja, auto-estima, medo… Negar aquelas que são consideradas ruins pelo senso comum faz desequilibrar o móbile. “Inveja é tão ruim, que só os outros sentem, não eu”, ironiza. A melhor saída, segundo Gaudêncio, é acietar esses sentimentos, mudar a qualidade que aprendemos a dar a eles e usá-los adequadamente. A inveja, por exemplo, pode servir de estímulo ao seu desenvolvimento profissional, desde que o leve a buscar a conquista das qualidades invejadas. Da mesma forma, passa a ter um efeito ruim quando mexe com a auto-estima ou resulta em puxada de tapete. Médico há 46 anos e há 35 trabalhando com terapia de grupo nas empresas, Paulo Gaudêncio escreveu uma série de livros, entre eles Men a t Work e Mudar e Vender, publicados pela sua própria editora, Palavras e Gestos, e prepara-se para lançar um livro sobre liderança, pela Editora Saraiva.

O senhor diz que agressividade é importante no ambiente de trabalho. De que forma?

A agressividade é o combustível da ação. Não existe ação nenhuma que ocorra sem que a agressividade a desencadeie. As empresas pensam de um jeito muito interessante: ser agressivo é mau, mas é preciso ser assertivo. Assertividade é um nome elegante que acharam para a agressividade. É preciso, sim, ser agressivo, mas usar a agressividade de forma adequada. Ser agressivo não é bater no chefe. Em geral é justo, mas não é adequado. Então tem de aprender a forma adequada de usar a agressividade no papel profissional. O medo é uma emoção que paralisa o animal e o prepara para uma reação de luta ou de fuga. O que vai mobilizar o animal é a agressividade. É a outra função dela. Mobilizar para que: eu vejo o tamanho da encrenca, é grande, meço as minhas forças e acho que dá. Tenho medo, mas enfrento, tive coragem. Fujo de medo, covardia. Não dá para enfrentar e eu fujo, prudência. Não dá para enfrentar e eu enfrento, irresponsabilidade. Estou falando de processo decisório. O que é ser maduro? É saber tomar decisões corajosas ou prudentes. Jamais covardes ou irresponsáveis. O que eu tive que fazer? Eu tive que lidar maduramente com o medo e com a minha agressividade. Se eu tiver a agressividade inibida porque “só o amor constrói”, eu vou ser covarde. Porque eu vou fugir quando é hora de enfrentar, como pessoa ou como gestor.

Quer dizer que não existem emoções boas e más?

As emoções não são classificadas pelo que elas são, mas pelo seu resultado. Se eu classificar as emoções pelo que elas são, todas são boas. O seu resultado é que pode ser bom ou mau. Se eu classificar pelo resultado, vou ter emoção boa ou má. Eu considero o ser humano equilibrado um móbile frágil, você sopra ele balança, mas tem o equilíbrio ao qual ele retorna. Isso só é possível porque as emoções se compensam umas às outras. Se eu der um valor excessivo a uma e desqualificar a outra, criarei desequilíbrio.

E o que tem que ser feito para atingir esse equilíbrio?

É preciso requalificar as emoções. Amor é uma emoção maravilhosa, mas pode resultar em superproteção. É uma forma de castração. Em vez de proibir você de fazer alguma coisa, eu faço por você. Você não faz, não aprende, fica com a habilidade castrada e ainda tem que ser grata porque eu fui bonzinho. Quem equilibra o amor é a agressividade. Então, eu preciso ter as duas coisas. Agressividade é uma coisa ótima, tão boa como o amor. Mas pode dar um resultado ruim. Olha o PCC aí.

Então, todas as emoções são importante?

Inveja e tão feita que só os outros sentem, não é? Aí entra uma moça na empresa, produtiva, bonita, comprometida. A carreira dela vai deslanchar. Alguém chega para mim e diz: “Você viu fula como está indo bem?”. Aí eu digo: “Também, né?”. Com uma palavrinha eu apaguei a luz, desperdicei a energia que eu tinha de usar para aumentar o meu brilho. Inveja é ruim? Não. O que eu faço com a inveja é que pode ser ruim. Amor-próprio é ruim? Não. Baixa auto-estima enche consultório. Tem que gostar de si. Usou inadequadamente, virou egoísmo. Ciúme é a mesma coisa. Imagina não ter ciúme. O que é ruim é não deixar o outro viver por ciúme.

Quem não é agressivo no trabalho  não tem futuro?

Não, porque outra função da agressividade é colocar limite no espaço vital, que no homem não é físico, é emocional. A agressividade coloca limite. E, quanto mais na periferia da espaço eu coloco limite, mais socialmente eu o faço. Então, ser muito agressivo é saber dizer não com tranquilidade: não vou, não posso, não quero. Numa empresa na qual manda quem pode e obedece quem tem juízo, não se pode dizer não. A pessoa se deixa invadir.

E as consequências da falta de limites?

A depressão, o que mais enche os consultórios de psiquiatras e psicólogos hoje em dia. O nível de depressão está altíssimo. Se não sabem e não pode dizer não, as pessoas ficam deprimidas e o nível de produtividade cai. Quando aprendem e podem colocar limite no espaço vital, melhoram a produtividade. Como imagem, gosto de citar a escultura de Gulliver, que acordou em Liliput todo amarrado com cordas de anão, linhas. Mas era tanta linha que ele não podia se mexer. Isso é o que deprime. É sempre uma linhada que não vale uma briga. Chega uma hora que você está inteiro amarrado por linhadas que não valiam uma briga. É essencial saber usar a agressividade de forma adequada, para não ter linhada que não valha uma briga. Deu linhada, espere aí, esse é o meu espaço vital. Eu preciso saber fazer isso de forma adequada, a empresa precisa permitir que eu o faça. E, se permitir, vai conseguir aumento de produtividade.

Como ter funcionários comprometidos?

Para comprometer, duas condições são essenciais: o indivíduo tem que ser tratado como maior. Ele tem que pensar com a cabeça dele. Ninguém pensa por ele. Segundo: ela precisa poder viver emoções no papel profissional. Ser agressivo no papel profissional é ter a coragem de falar para o outro em que o comportamento dele é inadequado. Eu some agressividade e afetividade, que também é uma emoção importante no papel profissional, e eu tenho feedback, um instrumento gerencial absolutamente essencial. O meu trabalho é fazer com que as pessoas aceitem e aprendam a colocar isso em prática.

Mas como falar para a pessoa que ela está errada sem causar mal-entendidos?

É preciso ter empatia. Eu só posso falar com o outro respeitando o que ele sente se eu souber sentir. Se eu não sei o que eu sinto, nunca vou saber o que o outro sente. O rei queria saber o futuro. Chamou o adivinho, que jogou os búzios e disse: “Oh rei desgraçado, todos os seus filhos vão morrer e cair como dentes podres da sua boca”. Foi enforcado e substituído por outro adivinho que disse: “Oh, rei ditoso, nenhum de teus filhos vai chorar a sua morte”. Disse exatamente a mesma coisa: a verdade. O feedback é bom quando as duas pessoas saem da sala melhores do que entraram. Feedback é lidar com o fato e não com a opinião. Em vez de dizer para uma pessoa que o relatório dela está ruim, por que não apontar as falhas, mostrar o caminho para que ele fique melhor?

O senhor sente que hoje a terapia de grupo  é mais aceita nas empresas?

Antes, as empresas diziam:  lá fora você é uma pessoa que pensa e sente. Aqui dentro você é profissional. Profissional só pensa. Hoje, as empresas aprenderam que as pessoas têm de viver emoção no papel profissional. Agressividade e medo dá processo decisório. Agressividade e afetividade dá feedback.

É possível construir uma carreira dentro da empresa, ser competitivo sem fazer inimigos?

Eu tenho que entrar na bola, não na canela. Eu tenho de ganhar a competição porque sou melhor e não porque o outro é pior. Eu vou mostrar um trabalho muito efetivo, vou ser eficiente e eficaz para que todo mundo perceba que eu mereço estar lá em cima. Eu não vou puxar o tapete de outro para que todo mundo perceba que ele não vai ficar lá em cima.