Líder ideal: o segredo é oito em um

 

 

Liderar é uma tarefa de total relevância para o sucesso de uma empresa ou organização. Conheça oito tipos de liderança capazes de alavancar os negócios ou mesmo desbancá-los por completo

 

Por Andréa Spalding, na Revista AGAS (julho/agosto 2013)

 

Ser um líder e saber comandar uma equipe é tarefa mais do que essencial, porém difícil e de muita responsabilidade. Dependendo do perfil de quem estará à frente do grupo, a corporação pode ou não ter sucesso, avançar e crescer ou estacionar e até falir. E, para quem se tenha uma ideia do quão importante é a forma de exercer a liderança, nada melhor do que a palavra de especialistas no assunto. Apresentamos, a seguir, um diagnóstico das características que cada diferente tipo de líder apresenta, além do que significa ser um líder e um chefe na vida das pessoas e da sua importância no dia a dia da empresa, seja ela do ramo e do tamanho que for.

André Tadeu, consultor, palestrante, dramaturgo e autor do livro Que tipo de líder é você na empresa? Um check-up divertido de seu perfil de liderança, publicado pela Qualitymark Editora, afirma que o líder é aquele que influencia e desenvolve pessoas, enquanto o chefe é simplesmente uma pessoa que ocupa um cargo hierárquico, acima das outras. “O chefe, depois que deixou de ser chefe, não significa nada para quem trabalhou com ele. Já o grande líder, aquele que desenvolve pessoas, marca para sempre a vida de quem atuou com ele, porque mostra para os indivíduos que eles têm potenciais que nem imaginavam ter. então, esses são os líderes inesquecíveis”.

Com uma série de características diferentes, os oito perfis de liderança apresentados a seguir mostram, de acordo com Bernardo Entschev – CEO da De Bernt Entschev Human Capital com 27 anos de atuação no mercado -, que o líder é a pessoa que dá o foco, o caminho e o ritmo, mesmo havendo pessoas de alta performance na equipe. “Digo, sem medo de errar, que toda e qualquer companhia tem de ter uma liderança. Alguém precisa tangibilizar o objetivo da empresa e, para isso, tem que pegar nas mãos o MVV (missão, visão e valores) da corporação, justamente para que essa missão e consequentemente os objetivos da companhia sejam atingidos”.

Conforme Bernardo, não existe um tipo de liderança perfeita. “Todos têm prós e contras. E cada líder terá, sempre, um tipo como esqueleto principal. O segredo da liderança de sucesso é a pessoa ter um pouco de cada um dos perfis, não tendo um único estilo dominante. Mas isso é difícil, pois a maioria dos líderes tem apenas alguns traços muito marcantes, tanto nas qualidades como nos defeitos”, enfatiza.

Justamente por isso, André Tadeu destaca que trabalha bastante com o conceito de liderança situacional: capacidade que cada um tem de influenciar pessoas dentro de determinado objetivo e situação. Cada um dos oito perfis de líder pode ser eficaz, dependendo da situação. Assim, a habilidade de se adequar e de dar a mensagem certa, o estímulo certo, para a pessoa certa na hora certa é que faz de alguém um grande líder. Segundo Tadeu, o indivíduo primeiro tem que ser um líder automotivado, e depois tem que conseguir ler o outro e ler os grupos. Ou seja, ter percepção.

“Costumo dizer que a pessoa que tem grande competência interpessoal ou empatia é aquela pessoa que vai a uma festa onde só tem amigos de seu amigo, o que quer dizer que ela não conhece ninguém, e numa conversa de duas horas, ela decifrou todas as relações do grupo. Quem é amigo de quem, quem compete com quem e assim por diante. Há pessoas que conseguem ter essa leitura de um grupo muito rapidamente, sabendo usar isso. S não souber o que fazer com essa leitura do que as pessoas precisam naquele momento para chegar ao objetivo, ninguém líder”, evidencia a o escritor.

Conheça a seguir as diferenças de cada um dos oito tipos de líderes, seus pontos fortes e fracos.

Autocrático

É o ditador. “Façam o que eu quero e do jeito que eu mando”. É o tipo de liderança mais antigo. O líder com este perfil é centralizador, tem a solução para tudo, não consulta seus pares nem equipes. Só ele tem a opinião, não abrindo espaço para o diálogo. Ele diz como tem que ser feito e a equipe só executa. Geralmente, tem uma disciplina rígida, exigindo o mesmo dos times. É uma pessoa dominadora. Eventualmente, recebe elogios, porém tem bem mais críticas a seu respeito. Como benefícios, este tipo de líder tem apenas a disciplina rígida e a execução milimétrica de ordens, já que é um cobrador.

Esta performance pode ser encarada por não se ter diversidade no pensamento, ou seja, não se tem inovação. E, se este líder não sabe o que fazer, por exemplo, em alguma situação, a empresa ou aquele setor especificamente para, porque ninguém mais tem a resposta – e não pode ter mesmo, em razão de sua postura. É um perfil bastante difícil e incompleto para trabalhar, sendo um estilo de liderança geradora de dissonâncias. Faz mais mal que bem, no geral.

Paternalista

Tipo de liderança muito comum no Brasil, justamente pelo fato de se ter inúmeras empresas que são familiares em sua concepção. Algumas acabam, infelizmente, fechando, muitas vezes por causa da postura de liderança adotada. A forma de pensar é: “já que sou o fundador ou o líder, vou proteger minhas equipes”, tendo um lado por demais compreensivo e de amizade, inspirando confiança nessas pessoas. É uma postura assistencialista do líder com seus liderados. É uma relação de pai e filho, tendenciosa. Quando o líder diz que ele não tá indo tão mal, a verdade por trás desta fase é que ele não atingiu a meta, e, se não atingiu, não deveria ter os méritos ou ganhar igual aos que atingiram. O lado positivo deste tipo de liderança é normalmente a retenção de profissionais na empresa. No entanto, se o líder protege a equipe mesmo ela não indo muito bem, os resultados passam a não ser tão positivos, correndo o risco de ser parcial, gerando instabilidade.

Liberal

Tem o perfil bonzinho, que pede a opinião de todos, e, merecendo ou não, deixa suas equipes se autogerenciarem. Quer agradar a todos, ser amado e admirado. Se todo mundo faz o que quer, ninguém segue o objetivo necessário. É uma gestão muitas vezes confusa, porque, em um grupo, as opiniões são diferentes de um para outro. Esse tipo de liderança pode perder o foco do que fazer. Um líder que só agrada a todos, mas não é o exemplo, deixa as equipes sem estímulo, gerando insegurança, justamente pelo excesso de liberalidade. Basicamente, essa liderança só funciona quando se têm equipes extremamente maduras, de alta performance, ou seja, autogerenciáveis, consideradas fora do padrão.

Dirigista

Os liderados têm que concordar imediatamente com o líder. É orientado à confecção de objetivos e tarefas, havendo um controle emocional importante. Existe também uma pitada de autoritarismo: “Faça o que eu lhe digo”, sem que a equipe tenha opção de pensar. Apesar do controle emocional existente, acaba destruindo o orgulho das pessoas e a motivação dos times. Esse tipo de postura só deve ser usado em momentos críticos de enorme crise na organização. É como numa situação de guerra, que não dá tempo para o soldado pensar nem inovar. Aí o líder tem que dizer “faz assim”, “ataca aqui”, “resolve isso”, sendo a única situação em que esse tipo de liderança se encaixa bem. Caso contrário, são gestões ineficazes.

Justo

É um líder ouvidor, escuta seus colaboradores. Toma as decisões depois de ponderar ambos os lados, sempre abrindo as informações para as partes envolvidas, Geralmente é generoso no sentido de explicar em detalhes o porquê, pois quer que as pessoas entendam a tomada de decisão, tratando as pessoas com muito respeito. Porém, alguns estudos acadêmicos mostram que os mais justos nem sempre costumam subir muito na profissão. O muito tempo dedicado às pessoas tem um custo, a velocidade, fazendo com que muitas vezes o líder não consiga brilhar para o seu superior por causa desse tempo que leva com as pessoas.

Relacional

São líderes voltados às pessoas. É comum encontrar esse tipo de líder em áreas de Recursos Humanos. São pessoas extremamente comunicativas, simpáticas, acolhedoras, carismáticas, amistosas, que criam uma atmosfera de segurança. As pessoas da equipe confiam no que este líder diz, pois ele sempre está conversando com todos. Parece legal, mas geralmente é um líder que foge dos problemas. Ele conversa, mas não encara os conflitos ou desafios grandes e complicados de frente. Normalmente, é identifica como missionário, não como empreendedor. Uma pessoa com esse perfil dificilmente se torna o presidente da empresa. Isso acontece pelo fato de ser alguém que se dá bem com todos, que gera uma segurança grande, mas não consegue transmitir que ele é “o cara”, que poder ser a pessoa que levaria toda a organização para frente. Normalmente, não é o número 1.

Visionário

Faz as pessoas segui-lo por admiração. Ele inspira as pessoas, pois consegue enxergar bem o negócio, inclusive a seu próprio respeito, que os outros não conseguem. Ele normalmente não manda, mas induz a equipe a fazer. É um líder que faz com que as pessoas comprem o sonho da empresa. O problema nesse tipo de liderança é que as pessoas podem ficar dependentes, pois, se ele sai da empresa pode se ter aí um grande problema. Todos só acreditavam nele, sendo, assim, difícil de trocar um visionário. Se o próximo líder não conseguir inspirar a equipe da mesma maneira, acaba gerando insatisfação e resultados negativos, pois as pessoas podem achar que agora que aquele líder se foi, a empresa não será mais a mesma. Este tipo de líder também pode se perder, pois as pessoas, geralmente, não acompanham seu raciocínio e ele não percebe que essa equipe não está no mesmo nível que o seu, ou na mesma velocidade.

Pressionador

Ideal para várias situações. É um profissional que pressiona, mas que também lida com pressão de forma constante. Coloca padrões elevados para o desempenho da equipe, que são os seus padrões pessoais. Ele dá o exemplo e exige do seu time o mesmo nível de desempenho. É bastante focado, orientado para resultados. Tem iniciativa e é, normalmente, um líder que tem altos níveis de desempenho. É quase que obcecado por atingir os resultados e quer que as pessoas ajam da mesma forma. Consegue fazer bons diagnósticos. Agora, o lado maléfico é que, se isso for em excesso, pode gerar, hoje, complicações até trabalhistas, pois o time acaba sendo muito pressionado. Esse líder ainda pode perder a linha fina de orientação, pois chega um momento em que a pressão é tanta que ele não dá mais a orientação detalhada, começando só a cobrar resultados. Isso gera um estresse na equipe, e, normalmente, acaba havendo uma rotatividade significativa de profissionais, apesar de excelentes resultados, pois muitos não aguentam esse nível de pressão por muito tempo. O excesso não é desejável; porém, se esse excesso não existir, é um tipo de liderança interessante.

 

 

 

As 10 regras do sucesso, ou, O IMPORTANTE É CORRER ATRÁS

Por Emiliano Urbim, em Revista ALFA

Herança, loteria e golpe do baú são opções, mas é mais garantido chegar lá com muito trabalho. E por trabalho entenda treino, estudo, autocontrole – até diplomacia, corporativa e doméstica. Além disso, esteja atento aos seus melhores professores: seus erros

 

1 O que quer que você faça, faça muito bem. O que Mozart, Beatles e Ronaldo têm em comum? Além dos penteados diferenciados, desde cedo eles treinaram muito até se tornarem os melhores em sua área. No best-seller Fora de Série, Malcom Gladwell analisou a biografia desses e de outros supostos “talentos natos”. Conclusão: o que fez a diferença foram os 99% de transpiração. Em uma conta que virou mantra, o canadense Gladwell calculou que a exceleência só chega após 10 mil horas de prática – aproximadamente quatro horas de cada dia útil durante dez anos. É treino para uma vida inteira, que adulto tem tempo para isso? Mas veja a coisa por outro ângulo: você provavelmente trabalha muito mais que quatro horas diárias. No núcleo dessa jornada estão as tarefas que definem a sua atividade, os itens que ultrapassam o básico e diferenciam o seu cargo dos outros. São essas habilidades que você tem de conhecer, destrinchar, aprimorar, dominar, saber realizar melhor a cada ano. Porque são elas que vão fazer a diferença: Ronaldo não teria sucesso se não fizesse o que fez em campo. Seja especial na sua especialidade. E deixe o 1% de inspiração cuidar do resto.

2 Se acha. Poderia até ser no sentido de “se encontrar”. Mas estamos falando de autoestima mesmo. E, principalmente, da capacidade de passar essa autoestima aos outros. Como diz o guru do marketing Al Ries: “Marketing não é uma batalha de produtos, mas de percepções”. Ou seja: por mais competente que você seja, por mais conteúdo que você tenha, se voc~e não acreditar em voc~e, o resto da sala de reunião também não vai acreditar. Pior: vai prestar atenção no sujeito confiante mais próximo. Não se trata de narcisismo nem de agradar os outros a todo custo. Trata-se de vender seu peixe – com seu  jeito, seu ritmo e suas ideias.

3 Faça antes, conte depois. Fulano que escrever um livro. Tem tudo na cabeça: título, capa, capítulos, canapé do lançamento. Ele fala disso para tudo mundo, mas o livro nunca sai. Tem também o sicrano que vai abrir um restaurante, e o beltrano que conta tudo sobre o curso que vai fazer. Esses casos, baseados em amigos reais, têm explicação: quando se fala muito sobre os seus projetos, a tendência é que você deixe  de realiza-los. Não é questão de olho gordo, mas de neurologia: a satisfaçaõ que o seu sistema nervoso sente quando alguém elogia aquela sua boa ideia é praticamente a mesma que você sentiria se a estivesse realizando de fato. Como seu cérebro comemora por antecipação, o risco é você se desobrigar de cumprir aquela meta. Por isso, guarde seus planos para você. E deixe para receber os parabéns na hora certa.

4. Considere deixar aquele chope para depois. Uma característica importante (e nem sempre ressaltada) das pessoas bem-sucedidas é o autocontrole – ou melhor, a capacidade de adiar a satisfação de desejos imediatos. Isso vai desde saber dizer “hoje não” para aquele happy hour meio fora de hora, que vai deixar você baleado no dia seguinte, até a sabedoria de poupar quando há recursos e não passar aperto em tempos de vacas magras. É o que os especialistas chamam de viver no futuro: você toma atitudes hoje já pensando nas consequências que elas podem ter amanhã.

5 Continue curioso. Quando Steve Jobs estava na faculdade, se inscreveu em uma cadeira não-obrigatória de tipografia. Durante um semestre, estudou tipos de letras, suas formas e funções. O que parecia um passatempo compensou depois: as aulas foram fundamentais para Jobs conceber a interface do Macintosh, primeiro computador pessoal com funções gráficas avançadas – várias letras diferentes . Ou seja: você só tem a lucrar saindo da zona de conforto intelectual. No mínimo, vai aprender algo diferente..

6 lave a louça. Ou leve as crianças ao colégio. Ou faça o supermercado… Aí vai de cada um. Como ensina Sheryl Sandberg no manifesto pós-feminista Faça Acontecer, pegar no batente em casa é o melhor jeito de apoiar a carreira da sua mulher – e, por consequência, de fazer com que ela apoie a sua também. Isso contribui para que se lar não seja mais um campo de batalha, mas um porto seguro.

7 Use as pessoas. A diferença entre o self-made man e o sujeito que sobre com o apoio dos outros é que o primeiro é uma espécie rara, enquanto o outro é um exemplo que costuma se encaixar na maioria das histórias de sucesso. Mantenha o radar ligado para encontrar quem pode ajudá-lo, esteja acima, ao lado ou abaixo de você. Chefes que podem subir e levar você junto, colaboradores com quem você deve construir alianças, jovens talentos com novas soluções – uma grande chave para montar equipes, aliás, é reunir pessoas que o completam. Se você está no lugar certo, está cercado de talentos dos quais você deve se aproximar. Olhou em volta e não viu ninguém? Então está no lugar errado.

8 Pense negativo. O que pode acontecer de pior? É para isso que você tem de estar preparado. Quem prevê cenários ruins costuma ter mais surpresas agradáveis que quem enfeita o mundo com ursinhos carinhosos e queridos pôneis. Não precisa ter um plano B, mas usar cautela para criar o melhor plano A.

9 Sorria, meu bem, sorria. Um pouco de diplomacia não faz mal a ninguém. O caminho para o sucesso é repleto de sorrisos amarelos e tapinhas nas costas. Em algumas ocasiões, você vai ter de se entediar com quem antes o esnobava. Também vai passar a ouvir um monte de besteiras sobre si mesmo: deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro.

10 O sucesso nunca chega. Um dos mais inteligentes entre os que fundaram os Estados Unidos, Thomas Jefferson, colocou na Constituição americana que o ser humano tem direito “à vida, à liberdade e à procura da felicidade”.  Repare: não está escrito “à felicidade”, mas “à procura da felicidade”. Jefferson sabia das coisas: a felicidade, a realização, a plenitude, o sucesso – tudo isso são estados de espírito. Por mais que você conquiste tudo, vai achar que está faltando alguma coisa. E isso é bom. Mozart compôs algumas de suas maiores obras em seu último ano de vida. Pelo menos três ex-beatles continuaram produzindo música de alta qualidade em sua carreira solo. E o Ronaldo quer ser presidente da CBF, até do Brasil. O importante não é chegar lá. O importante é correr atrás.

 

 

 

A patriotada do grampo americano

Artigo de Elio Gaspari publicado em O Globo

A doutora Dilma e seu chanceler reagiram com indignação à revelação dos repórteres Glenn Greenwald, Roberto Kaz e José Casado de que a National Security Agency grampeia as comunicações nacionais e manteve um orelhão em Brasília. Essa contrariedade terá o mesmo peso da reação europeia às denúncias de Edward Snowden, o funcionário da Booz Allen que trabalhava no mundo das escutas: zero.

No século passado um secretário de Estado americano mandou fechar o serviço de quebra dos códigos de outras nações dizendo que “um cavalheiro não lê a correspondência de outro”. Era o tempo em que o presidente Franklin Roosevelt escondia um gravador em sua sala. Tinha o tamanho de um frigobar. Em 1960, o mundo viveu uma crise quando a União Soviética derrubou um avião U-2 que voava a 20 quilômetros de altura, fotografando-lhe o território. Hoje U-2 é uma banda, todas as gravações de Roosevelt, John Kennedy e Richard Nixon cabem num iPod e o Google Maps fotografa o mundo.

Os americanos grampeiam e continuarão grampeando os outros, assim como fazem, com menos recursos, os ingleses, franceses e, sobretudo, os chineses. Esse aspecto tecnológico é irreversível. Pode-se negociar o compartilhamento de informações ou mesmo criar barreiras sempre vulneráveis, mas o governo brasileiro não fez o beabá, pois nem satélite próprio tem. Se os companheiros não sabiam que a NSA grampeia suas comunicações, nem jornal leem. Há alguns anos a diplomacia canadense recusou-se a permitir que a Receita Federal examinasse um contêiner com equipamentos de comunicações que chegara à Alfândega do Rio. (O material voltou.) Para os cidadãos americanos, ouvir os outros é o jogo jogado. Eles só se ofendem quando descobrem que, com o dinheiro dos seus impostos, o governo xereta suas vidas.

O desconforto provocado pelo poderio tecnológico é secundário diante de um problema maior, agravado pelo companheiro Obama. A comunidade de inteligência americana, capturada pela privataria da porta giratória que recicla militares, funcionários da NSA e da CIA, transformando-os em empreiteiros, está desmoralizando seu serviço diplomático.

Grampeando o mundo, os interesses americanos fecharam os céus da Europa para o avião do presidente boliviano Evo Morales. Foi um ato de prepotência vitoriana a serviço da estupidez. Ao contrário do que se supunha, Edward Snowden não estava a bordo. Resultado: a arrogância facilitou a concessão do asilo ao americano pelo governo da Venezuela. A NSA quer armazenar nos seus computadores uma memória superior à soma da capacidade de todos os discos existentes no mundo, mas nem ela nem a CIA sabiam quem estava no avião do boliviano.

No outro lado do balcão, a doutora Dilma levou quase 24 horas para reagir à truculência europeia contra Morales e só se manifestou quando seus colegas de Argentina, Equador e Venezuela já haviam protestado.

O Itamaraty pode estar interessado em polir a viagem de Estado que a doutora Dilma fará a Washington em outubro. Negar asilo a Snowden foi até boa ideia, mas demorar para perceber a ofensa à Bolívia foi um exagero. Como diria a doutora Dilma, no que se refere à estupefação diante dos grampos, o que há é puro teatrinho.

Elio Gaspari é jornalista

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/opiniao/a-patriotada-do-grampo-americano-8976585#ixzz2YeNMgQJP
© 1996 – 2013. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização.

Facebook – Território antipático

Território antipático

O Facebook é um condomínio fechado que funciona com princípios contrários àqueles que criaram a riqueza da vida pública na internet

Sou muito antigo. Quando usei a internet pela primeira vez, Tim Berners-Lee ainda não havia inventado o www. Portanto, Mark Zuckerberg nem sonhava com o Facebook. Durante este tempo de vida on-line, mantive afiada a curiosidade com relação às novas ferramentas que continuam a mudar nossas formas de comunicação com o mundo. Posso declarar: crianças, acompanhei em tempo real — parecia final de Copa do Mundo — a campanha que fez o Brasil virar campeão de perfis no Orkut. Depois, fiquei alegre ao perceber cada vez mais gente de favelas na rede social do Google, algo que revelava uma “inclusão digital” conquistada na marra. Então, não gostei nada quando os ricos abandonaram o Orkut para se afastar dos pobres, tentando manter a qualquer custo, na realidade virtual, a desigualdade real/brutal da sociedade brasileira.

Continuo achando o Facebook um território antipático. Não apenas pela maneira preconceituosa com que foi adotado no Brasil. Mais importante é outro argumento político já repetido inúmeras vezes nesta coluna: o Facebook (recuso-me a chamá-lo de “face”, como se fosse amigo íntimo) é um condomínio fechado que funciona com princípios contrários àqueles que criaram a riqueza da vida pública da cidade chamada internet. Muita gente nem se aventura mais para fora dos muros dessa rede social privada: pensa que aquilo ali é toda a grande Rede, esquecendo que vive em ambiente controlado por uma única empresa, trabalhando de graça para seu sucesso comercial. Por isso, fico assustado quando constato que as manifestações que tomaram conta das ruas brasileiras lutando por uma vida pública (tudo começou com a batalha pela melhoria do transporte público) mais democrática sejam “agendadas” dentro de condomínio controlado por uma das corporações de mídia mais poderosas do planeta (e que bloqueia nossos perfis se publicamos fotos de mulher com os peitos de fora).

As manifestações sempre começavam em eventos do Facebook. Acesso às informações sobre esses eventos só com perfil no Facebook, aceitando os termos de uso da empresa dona da rede social. Alguém já leu com cuidado esses Termos de Uso? Alguém chama aquilo de legislação democrática? Novamente: sou antigo, de um tempo em que muita gente via na internet uma trincheira na luta pela liberdade e acreditava em algo que pessoas mais novas não devem ter ouvido falar: software livre, código aberto. Onde isso tudo foi parar? E por que a defesa do Marco Civil da Internet, escrito em processo aberto, não se tornou também uma grande bandeira nas nossas manifestações de rua?

Estranha coincidência: enquanto os protestos brasileiros aconteciam, o FBI acusou Edward Snowden de espionagem, por ter vazado dados que provam que as grandes corporações da internet colaboram com o governo americano abrindo seus bancos de nossos dados que imaginamos privados. Era sobre isso que eu estava escrevendo nesta coluna antes das manifestações. Não vou assustar ninguém com essa politicagem global. Bastam questões mais práticas. Por exemplo: este é o último fim de semana do Google Reader. Esse serviço vai terminar porque o Google assim decidiu, sem consulta aos usuários. É uma empresa, pode fazer o que quiser com seus produtos. Imaginem se o Facebook decidir que quer “descontinuar” sua rede social. Onde vai parar a memória deste momento central da História brasileira?

Mesmo que o Facebook não acabe nunca: daqui a uma década, tente encontrar um evento da semana passada. Estará perdido em alguma timeline talvez desativada. Como a rede social não tem uma boa ferramenta de busca e criação de links, como os robôs de buscas externas não podem ultrapassar os limites de seus muros, é quase impossível encontrar alguma coisa por ali a não ser o passado mais imediato. Mas como dizem muitos, somos país sem memória. Que falta isso fará? Seremos muito felizes desmemoriados ou talvez vamos precisar da ajuda do FBI, que deve manter todos nossos “eventos” arquivados em alguma pasta secreta, para lembrar dos nossos anos ciber-rebeldes.

Miriam Leitão, no domingo passado, fez perguntas que devem estar tirando o sono de muitas outras pessoas: “E as pesquisas de opinião? O que é mesmo que perguntaram para captar tanta popularidade do governo? Como isso se encaixa com o que vimos agora?” Lendo as pesquisas publicadas pelo Ibope/“Época” esta semana (entre os 75% que apoiam os protestos 69% se dizem satisfeitos com suas vidas atuais) mais um mito caiu por terra: quem disse que para protestar precisamos estar insatisfeitos? Hoje todo mundo quer planos, inclusive políticos, cada vez mais ilimitados. Como sempre digo: abundância exige mais abundância.

Texto de Hermano Vianna, colunista de O Globo

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/territorio-antipatico-8836591#ixzz2XWt5acE5
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II Prêmio Adpergs de Jornalismo

Você que escreve sobre o trabalho da Defensoria Pública, sobre o sistema prisional e o acesso à Justiça, inscreva seus trabalhos na segunda edição do Prêmio Adpergs de Jornalismo. O prazo é dia 30 de abril e vale o carimbo da postagem do Correio. Vale a pena! O Prêmio Adpergs de Jornalismo está crescendo em repercussão e importância, a premiação é ótima e a festa da entrega dos troféus é uma maravilha!!! Mais informações em http://www.adpergs.org.br

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